“Eu vou matar um puto tricolor”

Depois que a gente fumar toda maconha e tomar toda a cerveja, a gente vai sair pra matar um gremista.

geral a1

Essa frase aí acima traduz o significado da letra deste cântico colorado.

Eu nunca vi ou ouvi qualquer condenação da mídia às músicas cantadas na beira do rio. Só o Grêmio faz coisas erradas. Só os gremistas têm cânticos agressivos e inadequados. Só a Geral merece críticas.

A palavra macaco aparece em várias letras cantadas na Arena e dá um caráter racista às músicas. Em resposta às fortes pressões da mídia esportiva, o MP com frequência vem punindo a torcida gremista.

Alegadamente, por questões de segurança, a avalanche, que se mostrou inofensiva ao longo dos anos no Olímpico, foi proibida na Arena. Estruturas metálicas foram instaladas no espaço destinado á Geral na Arena para que a avalanche jamais pudesse ser feita outra vez. Foi fácil impedir a torcida de realizar a coreografia que se tornou famosa no mundo. No entanto, impedir uma multidão de cantar é tarefa bem mais complicada.

Depois de todos os erros cometidos ao final do jogo contra o Santos esperava-se um pouco mais de cuidado nas músicas cantadas no domingo, quando o Grêmio enfrentou o Bahia. Burramente, alguns torcedores que ocupavam o setor Norte da Arena, não necessariamente ligados à Geral do Grêmio, voltaram a cantar as músicas associadas a injúrias raciais. Irritado, e com a típica pouca paciência que caracteriza os homens de idade muito avançada, o presidente do clube entendeu por bem suspender “por tempo indeterminado” todas as atividades da chamada Geral do Grêmio.

Cantorias de mau gosto, associadas à perseguição sistemática por parte da mídia ‘isenta’ do pago gaúcho estão levando à extinção daquela que, para mim, ainda é a mais bela e espetacular manifestação de torcedores que já vi.

A Geral do Grêmio deverá estar sendo definitivamente extinta nos próximos dias. Um sonho de alguns profissionais de imprensa gaúchos está por se realizar. Um sonho do atual comando da BM e (porquê não?) um velho sonho do velho presidente Koff logo vai se tornar real.

Lamento que isto esteja acontecendo, e gostaria que alguém fosse capaz de propor uma solução que salvasse a Geral e o modo de torcer que Paulão e seus amigos criaram há alguns anos atrás. E espero também que, depois de não terem mais que se sentir ofendidos e enojados pela cantoria potencialmente racista dos “marginais” da Geral do Grêmio, esses senhores profissionais e isentos que atuam no jornalismo esportivo pampeano encontrem algum tempo para perceber o que se esconde por trás dos cantos de torcidas de outros clubes menores de Porto Alegre.

 

“A torcida mais racista do Brasil”

(Foto: Gazeta Press)
(Foto: Gazeta Press)

Bah, que merda, meu! Eu nem faço ideia de quem seja Breiller Pires, o cara que assina essa matéria publicada no site da Placar. 

Bah, que raiva, meu! Eu nem fui na Arena ontem. Estava em casa ouvindo o jogo. Quando o Santos fez o segundo gol, em jogada irregular, eu podia ter procurado imagens do lance na internet. Mas não procurei. Deixa, eu pensei. Depois que o juiz não viu, não adiantam todas as imagens do mundo mostrar. Já era, pensei. Deixa pra lá. 

Bah, que pena, meu! Descobri que estou incluso no grupo de pessoas mais racistas do país. Eu não queria ser racista. Juro, não queria mesmo. Mas eu sou gremista, gremista desde os tempos em que morava em útero escuro e quentinho, então…

Bah, que inferno, meu! Não gosto de ver essa gente toda batendo no Grêmio. Mas fazer o quê? O Grêmio tá pagando o preço de suas escolhas.

Antes que o Peixe abrisse o placar o Grêmio poderia ter marcado um ou dois gols. Oportunidades não faltaram. O que faltou foi capacidade. Barcos necessita de quatro mil quinhentos e quarenta e oito chances para conseguir aproveitar uma delas só lá de vez em quando. Caras como Luan, Dudu e Alan Ruiz, esses nem de vez em quando. A bola fica à disposição de qualquer idiota que venha e apenas a coloque nas redes, mas não, no Grêmio ninguém é idiota o bastante pra fazer isso. As chances surgem mas o gol não sai, a gurizada enlouquece.

Daí o outro time aparece no segundo tempo com um goleiro que fica mais tempo deitado simulando lesão do que de pé jogando futebol. A gurizada enlouquece ainda mais. Impotente, a torcida quer agredir, quer ofender. 

Na metade do segundo tempo, ontem, comecei a lembrar da final da Taça Piratini 2011. Tudo o que o Caxias não queria naquela noite era enfrentar o Grêmio. Jogar era a última coisa que o time da Serra queria fazer. Foram seis minutos de acréscimos naquela segunda etapa. A esses seis, mais dois foram acrescidos em razão de uma briga a socos após o gol de Rafael Marques. Naquela noite Márcio Chagas teve muitos motivos para acrescer seis minutos ao tempo de jogo, um deles foi o fato do goleiro caxiense, assim como fez o santista ontem, passar mais tempo deitado que em pé. A torcida gremista odiou o goleiro do Caxias mais do que tudo naquela segunda etapa da final. E o xingou o mais que pode. E procurou os xingamentos e palavras que, imaginaram os torcedores, fossem os mais agressivos possíveis. André Sangali, naquela noite, deve ter sido chamado milhares de vezes de corno, viado, filho-da-puta e outras coisas assim. Ninguém, porém, pensou em chamá-lo de macaco. Por quê? Porque é branco. Brancos não são macacos, né?

Quando, ardilosamente, os então dirigentes do segundo maior clube do Rio Grande do Sul adotaram o macaco como símbolo do clube em substituição do Saci, estavam preparando a armadilha aos jovens incautos gremistas. Convidavam-nos a chamá-los de macacos. Quando colorados entoam: “Ah, eu sou macaco” é manifestação de torcida. Quando gremistas gritam: “Colorados macacos” é manifestação de racismo.

Bah, que porra, meu! Já não entendo mais nada. 

Não me sinto no direito de afirmar que a menina identificada pela TV seja realmente racista. Nem conheço a guria. Sua imagem tem sido amplamente divulgada. Sem nenhum cuidado, sem qualquer consideração. Já perdeu o emprego, dizem. Outras consequências ainda sofrerá. Mas por quê ela foi inventar de chamar o cara de macaco? Ah, porque ele é negro. E negros são macacos, né?

Bah, que nojo, meu! “Torcida mais racista do Brasil”. Sociedade hipócrita. Mídia irresponsável.

Quem é Breiller Pires? Por quê ele acha que tem o direito de escrever que eu sou racista? 

Gente é gente. É tudo igual. Brancos são negros que, por falha genética, nasceram com pouca melanina. Não tem nenhum macaco aqui. Gente é gente. É tudo igual. E ponto final.

Pesquisa LANCE-Ibope: torcida do Grêmio diminui

1192406533_fSem conquistas relevantes desde o longínquo 2001, sem sequer conquistas irrelevantes há já quatro anos e agora há dois anos sem nem ao menos comemorar uma simples vitória em Gre-nal, o Grêmio começa a perder, também, representatividade no contingente de amantes do futebol brasileiro. Pesquisa LANCE!-Ibope aponta a redução de um ponto percentual no total dos torcedores que se declaram gremistas. Vale lembrar que a margem de erro da pesquisa é de um ponto percentual. Ou seja, é possível que nada tenha mudado. Se nada mudou, se, passados quatro anos desde a última edição da pesquisa, continuamos na mesma, então significa que estagnamos, o que é o mesmo que decrescer.

O Grêmio está diminuindo, ficando menor, ficando pequeno.

Sei que muita gente não vai concordar com isso, não vai gostar do que escrevo, mas não posso mentir pra mim mesmo. Não é de hoje que o Grêmio ingressou num processo de apequenamento. Isso teve início, muito provavelmente, lá no final do século passado, a partir da gestão Guerreiro, do famigerado contrato com a ISL e todos os seus desdobramentos. Desde lá o Grêmio só diminuiu em quase todos os aspectos.

Lembro que lá no final de 2004 quase nada restara do nosso Grêmio. Quase nada além de sua história gloriosa. Em 2005 eu dizia que o Grêmio havia se resumido a um estádio e uma torcida. Era só o que nos havia sobrado.

Quanto ao estádio… Bem, todos sabemos que o Olímpico Monumental já não é nosso e que a Arena ainda é mais um problema gigantesco do que uma mansão luxuosa. Só sobrou a torcida.

Agora a torcida começou a diminuir ou, pelo menos, parece ter parado de crescer.

Há muito que andamos perdidos, vagando sem rumo nas competições que disputamos. Está na hora do Imortal se reencontrar com seu destino de grandeza. Está mais do que na hora.

Mas além da indestrutível fé que depositamos na magia de Felipão, o quê mais temos para acreditar que estejamos perto de retomar o caminho certo?

Um homem jamais deve cometer a tolice de ter a certeza de que está certo.

%d blogueiros gostam disto: