O caminhão do Brasinha.

 

A derrota de ontem, analisada separadamente, não seria motivo de alarme, nem seria motivo para cornetearmos o Tricolor afinal, perder para o São Paulo no Morumbi, ainda mais num jogo bastante parelho que bem poderia ter terminado em empate, não seria nenhum absurdo. O problema é que a derrota de ontem não pode, nem deve ser dissociada dos últimos resultados do Grêmio longe do Olímpico. Não há como esquecer que esta derrota foi apenas mais uma de tantas que o Tricolor já sofreu neste Campeonato Brasileiro, não há como não lembrar que Paulo Autuori, desde que chegou ao Grêmio, não obteve uma vitória sequer longe da torcida. Nem do Caracas seu time ganhou. Assim como não ganhou de Fluminense e Sport, que estão entre os piores times do campeonato.

As derrotas anteriores, segundo o entendimento do treinador, foram consequência das expulsões ocorridas. Muito ele falou sobre isto. Repetiu, insistiu. Acho que o discurso acabou surtindo efeito. Ontem o Grêmio jogou por quase uma hora inteira sem cometer uma falta sequer. Quando Héber Roberto Lopes apitou a primeira falta contra o time de Autuori, já era o segundo tempo da partida. Creio que os atletas assimilaram o discurso do treinador, evitaram as faltas, evitaram as reclamações e, em consequência evitaram os cartões. Mas adiantou o quê? Não evitaram a derrota.

O Grêmio de Autuori não é um time, mas um paradoxo. Afinal o Grêmio consegue ser, ao mesmo tempo, o melhor e o pior entre os participantes do Brasileiro, se separarmos as campanhas que faz no Olímpico e fora dele. Não é paradoxal que o treinador que chegou dizendo que acabaria com o 3-5-2, que esteja dizendo que até já acabou com ele, continue jogando com três zagueiros? Cadê o Joílson? Honestamente, se é para jogar com três zagueiros, então que joguem os três melhores. Que se tire Mário Fernandes e se promova o retorno de Rafael Marques.

Eu não entendo nada de futebol, mas se é para perder todos os jogos fora de casa, se é para perder para qualquer um, então até eu sirvo para o lugar de Autuori. Se é para o Grêmio vencer só na Azenha, diante da torcida, então proponho que se faça o seguinte:

Demita-se Autuori e em seu lugar, em jogos fora de casa, coloque-se uma caixa de som tocando os cantos da torcida. Ou até o Caminhão do Brasinha. Pode ser que não funcione, pode ser que o Grêmio acabe perdendo seus jogos e acabe disputando o rebaixamento, eu sei.

Mas com Autuori, até agora, não está sendo diferente.

O treinador gremista se diz um homem de conceitos. Respeito isto. Mas devo dizer que, particularmente, nunca o tive em grande conceito. Jamais achei que fosse mesmo um grande treinador. Os resultados que ele vem conseguindo até agora, em nada me fazem pensar em mudar esse meu conceito. O mais provável é que aqueles que o elogiaram e elogiam tanto, acabem mudando os seus.

Ou, quem sabe, o treinador descubra um jeito de mudar esse seu retrospecto.

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