Já faz bastante tempo que o blog não se ocupa de nossa governadora, não foi por falta de assunto, foi falta de interesse mesmo. Tudo o que tem ocorrido ultimamente envolvendo o nome da governadora, na verdade não chega a ser realmente importante. Digo isso porque nada do que se diz, se publica ou se acusa, chega a ser novidade. Tudo está saindo conforme o esperado.
A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal decidiu hoje à tarde acatar o agravo de instrumento impetrado pelo defensor da governadora, com isso seu nome foi excluído da ação de improbidade movida pelo MPF, a governadora já não é mais ré no processo. De quebra foi decidido também pelo desbloqueio dos bens de alguns deputados envolvidos no processo.
Pergunta: eu deveria estar surpreso?
É, também acho que não.
Enquanto isto, na Assembléia Estadual, a tropa de choque do governo continua fazendo seu ‘trabalho’ e o processo de impeachment da governadora, que já havia nascido morto, agora já tem até data marcada para o sepultamento, será no próximo dia vinte.
Alguém se surpreende?
Eu também não.
Acho que o que de mais importante ocorreu nos últimos dias, foi o fato marcante (e triste) da madrugada de ontem na Capital. Depois de mais um latrocínio cometido contra um taxista, seus colegas sobreviventes decidiram que era hora de protestar contra a insegurança reinante em Porto Alegre.
Antes que eu continue, acho que se faz necessário ressaltar que a ação de organizar e/ou realizar protestos não é, como querem fazer crer alguns, "coisa de anarquistas e baderneiros". É próprio e até saudável em nações verdadeiramente democráticas, que seus cidadãos sejam capazes de se organizar e suficientemente corajosos para protestar contra o que julgam estar errado.
Pois bem, os taxistas de Porto Alegre decidiram que era chegada a hora de protestar. Organizados e reunidos, decidiram partir em carreata até o Palácio. Surgiu então o primeiro problema: qual palácio? O Palácio Piratini, que é onde deveria residir a governadora ou o Rua Araruama, que é onde ela reside e cujas reformas e benfeitorias vêm sendo custeadas com dinheiro público? Optaram pelo segundo. E lá se foram os trabalhadores em direção à Vila Jardim. Afinal, alguém precisava tomar uma atitude, não existe mais segurança pública na capital dos gaúchos. Isso é o fim do mundo!
Mas, quem diria? O que descobriram os ingênuos e desprotegidos taxistas? Descobriram que estavam enganados, que existe segurança nas ruas de Porto Alegre. E muita. Ao menos a julgar pela quantidade de policiais militares que cercavam e impediam o acesso em várias quadras ao redor da Rua Araruama, isso é o que se pode concluir.
Devo confessar que senti inveja dos vizinhos da governadora. Bem que eu gostaria de ter uma ‘casinha’ ali naquelas redondezas. Gostaria de usufruir dessa segurança toda.
Andei até pensando em escrever para o Piratini e ver se eles não me conseguiam ‘uma verbinha pública’, pouca coisa, só para eu fazer uma casinha simplesinha ali naquela rua. Coisa simples, um banheirinho só, pisos comuns, sem luxo, nem móveis infantis eu precisaria, pois não tenho crianças. Juro que ia sair baratinho.
O quê? Eu não tenho direito? Então peço desculpas. Devo ter me enganado ao imaginar que isso aqui fosse uma democracia, que as leis fossem iguais para todos e que o que valesse para uns valeria também para outros. Mas não é bem assim, não é mesmo?
Adivinhem: de novo eu não estou surpreso.


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