Onde mora um coração #MercenaR10

Dias atrás escrevi sobre o possívell destino de Ronaldinho Gaúcho que se diz ter ouvido de seus colegas de profissão sempre o mesmo conselho nestes últimos meses: “ouça o seu coração”. Apostei que Ronaldinho decidiria seu futuro no Brasil baseado apenas naquilo que lhe dizia o coração. Não acho que tenha errado. Não muito. O que errei foi não ter percebido onde mora o coração de Ronaldo, o craque que não fala, que não dá entrevistas consistentes, que parece não ter opinião sobre coisa alguma, que parece mesmo sequer ter um cérebro, que não tem vontade própria e se move como se fosse um marionete cujos cordões estão firmemente atados às mãos espertas de seu irmão mais velho, o ávido e ardiloso Roberto Assis, o qual é famoso por muitos motivos menos pela retidão de seu caráter. Apalavrados com o Tricolor, viajaram, os irmãos Assis Moreira, para a maravilhosa cidade do Rio ao encontro de Adriano Galliani, vice presidente do Milan, um dos maiores e mais respeitáveis clubes do mundo – ao menos era o que eu pensava. Babaquice minha, não tinha me dado conta de que o Milan nada mais é do que uma das inúmeras propriedades de Silvio Berlusconi, o fascista mafioso, dublê de primeiro-ministro da encantadora Itália.

Pois lá estavam os três, os Assis Moreira e o italiano solitário, entregues aos cuidados e às atenções dos solícitos representantes do Flamengo. Por certo que entupiram o italiano de uísque, chope, cerveja, cubanos e toda sorte de substâncias [lícitas] capazes de proporcionarem prazer a um homem de idade avançada e que se encontra solitário na verdadeira Sodoma que é a capital dos cariocas. Cercaram-no de mulatas, negras, loiras, ruivas e [por que não?] talvez até alguns travestis [vai que ele gosta]. Impregnaram-no da atmosfera de festa, orgia e delícias que muito bem sabem criar os habitantes da cidade do Rio, mestres na arte de criar entretenimento. Fizeram o homem sentir-se feliz, fizeram-no sentir-se carioca e, como todo bom carioca [da gema mesmo], fizeram-no sentir-se um flamenguista.

Enquanto isso, nosso velho e bom presidente Paulo Odone, refestelado nos pelegos da confiança que lhe proporcionava a ‘palavra’ do Assis mais velho, decidiu que era hora de tirar férias, gozar merecido descanso depois de tanto esforço para conquistar a presidência do clube e ‘garantir’ a contratação de Ronaldinho Gaúcho, o maior craque produzido inteiramente pelo Grêmio, e que seria, segundo o próprio presidente, “a maior contratação de todos os tempos”. Lá se foi o homem. Rumou para Punta del Este, destino de todo pseudointelectual direitista gaudério. Lá se foi o capitalista presidente tricolor, gastar sua plata no gelado mar de nosso vizinho do Sul, tranquilo, seguro da ‘contratação’ que fizera, inteiramente ‘garantido’ pela ‘palavra’ do procurador de Ronaldinho.

Eu sei que sempre fui um crítico do presidente Duda Kroeff, que sempre lamentei o fato de ele ter vencido a eleição de 2008. Eu sei que sempre desejei a volta do presidente Odone e ainda continuo acreditando que fará uma bela gestão, mas não posso deixar passar esse momento, o presidente foi no mínimo ingênuo ao acreditar tão cegamente na palavra de quem, no passado, já dera sobradas provas de que não era merecedor de tal confiança. Odone, experiente dirigente de tantas gestões bem sucedidas, deveria estar ciente de pelo menos três profundas cicatrizes que o clube trazia em seu dorso e que haviam sido produzidas pelo punhal traiçoeiro de Dom Roberto Assis Moreira, o mercenário-chefe do clã. Ingênuo, nosso presidente permitiu que o traidor nos apunhalasse pela quarta vez. Que seja a última. Já basta. Paulo Odone encerrou a ‘questão Ronaldinho’. Assunto encerrado. Bom que seja mesmo ou qualquer dia ainda haveríamos de ver o nosso glorioso Monumental recoberto por uma gigantesca lona, tantas e tão grandes foram as palhaçadas desta última semana. Não culpo o presidente pelo fracasso da negociação. Porém não o desculpo.

Quanto a Ronaldinho, o #mercenaR10 acéfalo, não creio que tenha me enganado muito e acredito que sua decisão baseou-se mesmo em seu coração. Onde me enganei foi ao acreditar que o coração de Ronaldo pudesse estar na Azenha. Não, não está. O coração de Ronaldo está em seu próprio bolso e nas noites quentíssimas da Barra [“onde tudo acontece”]. A coisa mais importante para Ronaldo não é a tranquilidade de sua consciência [descerebrados não têm ciência ou consciência], Ronaldinho ama a sua conta bancária, ama os prazeres que ela lhe pode proporcionar e [completa traição!] ama a camisa do Flamengo. Se ficar no Rio, se assinar contrato com o Flamengo, não tenho dúvida, Ronaldo estará em casa, pois estará onde mora seu coração.

Seja feliz, Ronaldo. Bem longe de nós.

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