Não posso concluir que o dinheiro para o pagamento do Piso não existe, o que posso acreditar é que são os projetos para o capítal e não a educação a verdadeira prioridade do atual governo gaúcho. Um governo que debocha da baixa adesão à greve convocada (em má hora) pela direção do Cpers-Sindicato. Um governo que ameaça, numa atitude arrogante, prepotente, ditatorial e totalmente desrespeitosa aos professores e a seu direito de manifestação, cortar o ponto dos professores grevistas, como afirmou o senhor José Clóvis de Azevedo, Secretário de Educação.
Pensei que os tempos de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul houvessem ficado definitivamente para trás. Com a eleição de Tarso Genro ao Piratini achei que as coisas, finalmente, começariam a percorrer o bom caminho. Parece que me enganei.
Durante a gestão de Lula, ao que me lembre, o atual governador gaúcho chefiou dois ministérios: Justiça e Educação. Ministro da Justiça, Tarso Genro concedeu o direito de asilo político e refúgio humanitário ao escritor italiano e ex-ativista de esquerda, Cesare Battisti. Ministro da Educação, seu maior ato foi a criação do Piso Nacional dos Professores. Essas duas decisões, embora acertadas, geraram muito descontentamento – o que não é nenhuma surpresa, óbvio. Aqui no Rio Grande ambas desagradaram, e muito, ao governo da época. Yeda Crusius, a governadora (alguém de quem não gosto sequer de lembrar), chegou mesmo a ir à Justiça contestar a validade da Lei do Piso. Não quis pagar, foi à Justiça e acabou não pagando mesmo.
Este foi apenas um dos muitos desmandos de uma das piores gestões que o Rio Grande do Sul já conheçeu. E uma arma muito explorada pela campanha de Tarso Genro.
De minha parte, não tinha a menor dúvida de que Tarso, eleito, adotaria o Piso no mais curto espaço de tempo. Certamente que isso não seria possível ainda no primeiro ano da gestão, mas eu tinha quase total certeza de que do segundo não passava. No entanto, mais uma vez eu estava enganado. Bastante enganado. Tarso Genro não respeitou a Lei do Piso. Não respeitou a lei que ele mesmo criara e, supremo absurdo, tal qual a péssima governadora que o precedeu, foi à Justiça contra a Lei do Piso.
Aí me pergunto: que tipo de governador é esse capaz de questionar, na Justiça, a si mesmo, às suas ideias e à sua própria lei?
Não posso deixar de pensar que Tarso Genro, mesmo lá atrás, quando elaborava o texto da Lei do Piso, por certo já adivinhava que, se eleito governador do Rio Grande, pretensão sua desde muito, desde sempre, não a cumpriria.
A alegação de que descumpre a lei não por falta de vontade polítcia mas por falta de possibilidade concreta, por falta de recursos materiais (aliás, a mesma alegação do governo anterior) já é ridícula por si mesma, e ainda mais ridícula se torna se lembrarmos a fria (e triste) segunda-feira do final de junho na qual, em Guaiba, o excelentíssimo senhor governador afirmou com todas as letras que para projetos de multinacionais como a Terex Latin América, a Fate Pneus do Brasil e não sei que outras mais, dinheiro não faltaria.
Se assim é, o que devo concluir?
Não posso concluir que o dinheiro para o pagamento do Piso não existe, o que posso acreditar é que são os projetos para o capítal e não a educação a verdadeira prioridade do atual governo gaúcho. Um governo que debocha da baixa adesão à greve convocada (em má hora, é verdade) pela direção do Cpers-Sindicato. Um governo que ameaça, numa atitude arrogante, prepotente, ditatorial e totalmente desrespeitosa aos professores e a seu direito de manifestação, cortar o ponto dos grevistas, como afirmou o senhor José Clóvis de Azevedo, Secretário de Educação.
Enfim, o que posso concluir é que a substituição de Yeda Crusius por Tarso Genro não tornou, ainda, o Rio Grande do Sul melhor, menos neolibral e mais solidário. Não, nada disto, o atual governo não difere, ou difere muito pouco do governo anterior.
São tão semelhantes, tão ‘quase iguais’ que, no início da tarde de hoje, o atual governador esteve presente à solenidade de ‘entrega’ do Cais Mauá à iniciativa privada. Se fosse nos tempos de Dª Yeda a militância estaria possessa. Aliás, a a proposta de alienação do Cais foi outra grande arma da campanha do governador Tarso Genro, que agora chama o projeto yedista, que ele mesmo tanto criticou, de “nova conexão econômica e social”.
Tarso Genro, pai do Piso Nacional dos Professores, padrasto do Cpers e um entreguista do patrimônio cultural da capital do estado. Surpreso eu? Confesso que sim. Será que Tarso mudou depois da eleição? Sei lá, acho que não. Acho que o que aconteceu foi que ele mentiu durante a campanha. Só isso. Tudo segue normalmente aqui nos Pampas. Só mais algumas mentiras de um político profissional. Nada de mais. Tudo normal.
Considerações dos torcedores