Agora eu já sei, mas eu preferia mesmo era nem saber

Eu sei, e sei que todos sabem, que é sinal de pouca inteligência, toda vez que acabamos misturando as coisas. No entanto, nem sempre é fácil separá-las.

Assim como a esmagadora maioria dos torcedores gremistas, eu não hesitaria sequer um segundo para responder sobre quem se tornou meu maior ídolo através de todas estas décadas seguindo o Tricolor.

Não tenho certeza de que as pessoas nascem com seu destino traçado. Mas não tenho a menor dúvida de que, se Renato nasceu com algum destino, este sempre esteve ligado ao do Grêmio.

Foi pelos pés de Renato que o Grêmio alcançou o topo do mundo, e foi sob seu comando, em 2016, que o Tricolor finalmente conseguiu demonstrar que não estava acabado. Depois de tantas dúvidas, tantos protestos de torcedores, tantas carteiras de sócio quebradas, depois de tantas incertezas,  afinal um título.

Ave, Renato!

Tantas e tão felizes foram as coincidências ocorridas cada vez que os caminhos de Grêmio e Renato se cruzaram, que torná-lo um ídolo, e por isso amá-lo, acabou se tornando muito fácil. E quando se ama, perdoar acaba sendo um processo simples e natural.

Desde sempre apaixonado pela Cidade Maravilhosa, ainda na década de 80 Renato acabou no Flamengo. Por razões que nem devemos suspeitar, o então presidente Paulo Odone negociou o atleta por preço vil. Chegando ao Rio Renato se declarou flamenguista, mas nós o perdoamos.

Há muito o que enaltecer no trabalho de Renato como treinador, não só nesta passagem atual mas também nas anteriores. Mas há também muita coisa que foi preciso perdoar, esquecer, fingir que sequer tinha acontecido.

Quem, senão Renato, pouparia titulares em jogo de Libertadores para na sequência ser eliminado do Gauchão pelo Novo Hamburgo, e após isso seguir a vida normalmente, quase sem contestações? Quem, senão Renato, seria eliminado de uma final de Libertadores faltando dez minutos de jogo e com dois gols de vantagem, como foi contra o River no ano passado, e após isso seguiria a vida normalmente, quase sem contestações? Quem, senão Renato, sairia da Copa do Brasil da forma que saímos neste ano e continuaria tudo bem? Quem, senão Renato, tomaria cinco numa boa?

Quanta coisa já perdoei desse meu velho ídolo!

Mas hoje descobri que nem tudo pode ser perdoado.

As opiniões políticas do Portaluppi, externadas em coletiva esta manhã, são tão legítimas quanto imperdoáveis.

Que Renato acredita que o país está no rumo certo, e que este senhor de moral tão duvidosa, chamado de mito por alguns, o conduzirá a um futuro próspero, justo e feliz, é algo que eu realmente preferia não saber.

Eu sei que o Imortal reagiu muito bem à eliminação vexatória na Libertadores. Para cada gol sofrido na goleada humilhante, uma vitória veio em resposta.

Eu sei que amanhã o Flamengo volta a ser adversário e que o jogo não vale tanto quanto aquele do Maracanã. Se aquele valia vaga na final, o de amanhã valerá apenas a possibilidade de alcançar vaga direta na próxima competição.

Tudo isso eu sei. Como também sei que a maior das caminhadas inicia pelo primeiro passo. E sei, e todos sabem, que jamais existiu um campeão de Libertadores que não tivesse antes alcançado uma vaga para a competição. E portanto, seria muito bom se desta vez o Grêmio vencesse o time de Jesus. Tenho muitas dúvidas se é isso mesmo que vai acontecer, mas sei que após a partida, aconteça o que acontecer, Renato vai reafirmar sua confiança no grupo, vai dizer que o Imortal estará na próxima Libertadores e que blá, blá, blá… Tomara que não fale em política.

Eu sei disso tudo. Nós todos sabemos.

Estão percebendo quantas coisas eu sei? Muitas coisas.

E a partir de hoje acrescente-se mais uma coisa ao que sei: que é possível negar perdão a um ídolo.

Ficha do jogo: Palmeiras 3×2 Grêmio – Campeonato Brasileiro 2015 – 27ª rodada

Local: Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, (Pacaembu)

PALMEIRAS
Fernando Prass; Lucas, Jackson, Vitor Hugo e Zé Roberto (Egídio, int.); Thiago Santos, Arouca (Amaral, 32’/2°) e Robinho (Allione, 37’/2°); Rafael Marques, Gabriel Jesus e Barrios.
Técnico: Marcelo Oliveira

GRÊMIO
Tiago; Lucas Ramon (Bobô, 35’/2°), Erazo, Bressan e Marcelo Oliveira; Walace, Moisés, Douglas, Fernandinho (Everton, 11’/2°) e Pedro Rocha (Yuri Mamute, 12’/2°); Luan.
Técnico: Roger Machado

Gols: Vitor Hugo (Pal), aos 6; Luan, aos 20; Barrios (Pal), aos 31 minutos do primeiro tempo. Rafael Marques (Pal), aos 13; e Luan, aos 40 minutos do segundo tempo .

https://www.youtube.com/watch?v=gGl7EGjwl3Q

Amarelo: Bressan, Lucas Ramon, Marcelo Oliveira, Moisés; Arouca (P).

Arbitragem: Wilton Pereira Sampaio (GO/FIFA), auxiliado por Carlos Berkenbrock (SC) e Bruno Raphael Pires (GO).

Público total: 23.983  Renda: R$ 971.475,00

Vai dar tudo certo

Confio em Ti, Senhor. E no Roger Machado também.

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Se tudo der certo, a gente vai acabar ganhando do Palmeiras hoje lá no Pacaembu.

Mas tem que dar tudo certo mesmo.

Por exemplo: o Tiago Machowski não pode dar nenhum daqueles seus voos tão espetaculares quanto inúteis e que, em geral, resultam em gol do adversário. Se o William Schuster for mesmo escalado, então terá que de fato jogar futebol (e ele tem menos de duas horas pra aprender).

Sei lá, ainda assim é capaz de dar tudo certo hoje.

O Palmeiras vem de uma goleada sobre o Fluminense. Deve estar embalado e motivado. Ou estaria o Porco de salto-alto?

Não pensava em ver Bressan de volta ao Grêmio ainda em 2015. Mas é ele que vai estar em São Paulo. Ele, não Geromel. Mais um motivo para desconfiar de que talvez nem tudo dê certo.

Um monte de desfalques.

Tudo bem, contra o Corinthians também o Imortal estava cheio de defecções. Mas no final deu tudo certo.

Quer dizer, quase tudo.

A gente tava mesmo fazendo o jogo perfeito que Roger planejara, até que Thyerre e Tiago resolveram falhar e deixaram que a vitória nos escapasse.

Será que o Schuster vai mesmo jogar?

Meu bom Deus, não o permita.

Mas se o Senhor permitir, então dá uma luz pra ele, faz com que ele se torne algo diferente daquilo que tem sido desde que chegou ao Grêmio. Faz com que ele se torne algo mais parecido com um jogador de futebol profissional.

Confio em Ti, Senhor.

Ah, e no Roger Machado também.

Acho que vai dar tudo certo.

Um homem jamais deve cometer a tolice de ter a certeza de que está certo.

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