- Dá licença, Seu prefeito?

- Dá licença. Seu Prefeito?

- Pois não. Mas eu não sou mais prefeito.

- Ah é, virou presidente, né?

- Pois é, agora sou o presidente.

- É muito difícil ser prefeito, né?

- Se é. Exige muito trabalho, muita dedicação.

- Como chegou a prefeito?

- Foi difícil, viu? Não é simples vencer uma eleição.

- O senhor mentiu?

- Hãm?? Que pergunta é essa?

- Sei lá, já vi candidatos fazerem isso. Mentirem para eleger a si mesmos ou seus apadrinhados.

- É, alguns fazem isso. É triste, mas é do jogo.

- Acha que foi um bom prefeito?

- Acredito que sim.

- Não conheço Osório. Só de passagem. Indo pra praia. Sabe como é, né?

- Sei. Mas é uma bela cidade.

- Tem um montão de cata-ventos, né?

- Geradores eólicos.

- O IDH de Osório cresceu durante seu mandato? Houve avanços na educação? E a saúde? O senhor construiu ou ampliou postos de saúde e contratou novas equipes médicas? O senhor aparelhou o hospital de Osório? Ah, me desculpe, Osório tem hospital?

- Meu Deus, quantas perguntas.

- O senhor investiu em moradias populares? Deu destinação correta ao lixo do município? A coleta seletiva contempla todas as ruas de todos os bairros? Tem coleta seletiva, não tem? O senhor investiu em saneamento básico, né?

- Deus do céu, qual a razão de tantas perguntas?

- Desculpa, Seu Prefeito, é que não entendo porra nenhuma de prefeitura.

- Tudo bem, meu amigo, não tem problema.

- Tá, agora é sua vez.

- Minha vez de quê?

- De fazer peguntas.

- E sobre o que eu lhe faria perguntas?

- Bom, eu não entendo nada de prefeitura e lhe perguntei sobre isso. Pergunte sobre futebol… Vai, me pergunta.

O Grêmio, a OAS e a Operação Leva-Jato

O que é delação premiada? Diga-me o que sabes e te livro a pele ou diga-me o que quero senão te fodo?

Sei lá, mas seja o que for, esse Alberto Youssef (teria esse sobrenome a mesma origem de outro mais famoso: Rousseff?) não para de dizer coisas. Meu Deus!, como esse homem diz coisas. Será que ele não come, não dorme, não cansa, não pensa? Ele só diz.

Fofoqueiro. Alcagueta. Mais falso ainda que algumas edições do Jornal Nacional. Bah, o pior tipo de gente desonesta. Pior que um Judas, pois esse ao menos teve a dignidade de suicidar-se após sua delação premiada com moedas de ouro, coisa que não creio esse senhor tenha a intenção de fazer.

13022015

Que Youssef (e outros “premiados”) saia por aí contando tudo o que sabe, que fez e que viu seus “amigos” fazerem, não é algo que me preocupe, azar de quem andava com ele.

Que o juiz Moro tenha eleito como objeto de investigação apenas um período bastante recente da longa história de propinas e facilitações entre Estado e empreiteiras, isso me preocupa.

Que tantas pessoas autodeclaradas esclarecidas se declarem agora escandalizadas com a revelação de fatos desde sempre conhecidos, isso apenas me aborrece.

Que os nomes do Grêmio e sua nova Arena estejam outra vez envolvidos nessa investigação – de estranha condução segundo um ministro do STF – isso, porém, me enlouquece.

Desde que o aprendiz de presidente,Romildo Bolzan Jr., instalou, a mando de seu suserano, Fábio Koff, a assustadora “Operação Leva Jato”, pela qual o Grêmio parece se dispor a negociar todo e qualquer atleta não pela melhor oferta mas sim pela primeira, o clube já se desfez de mais de uma dezena de atletas. Do que a imprensa nos conta, e o Tricolor não desmente, até agora, só saiu gente do elenco, dinheiro no cofre que é bom… nada.

Já faz bastante tempo que a gente ficou sem time e sem dinheiro. Há algum tempo já estamos meio sem moral. Agora começamos a ficar sem atletas profissionais. Ficamos sem perspectivas. A continuar assim, logo estaremos sem esperança. E a esperança é… Bem, vocês conhecem o bordão.

Parece até deboche que a, até poucos meses, multibilionária OAS viesse a usar para suas operações logo a Arena do Grêmio. Logo do Grêmio que – coitado! – nem caixa um parece mais ter.

A Operação Leva-Jato já nos levou metade do elenco, talvez ainda nos leve Grohe, Luan e nem sei quem mais. Talvez nos leve a torcida, o nome e as cores. Quem duvida? Quem sabe o Grêmio do futuro não terá outro nome e jogará para ninguém com uma camisa totalmente transparente…?? Quem sabe?

Durante mais de duas décadas eu vi o Imortal acumular títulos, orgulho e dívidas. De uns tempos para cá os títulos rarearam, só as dívidas aumentaram. E, sinceramente, a Leva-Jato não está contribuindo muito para a manutenção do orgulho.

Eu sei que o Grêmio um dia teria que arrumar a casa, mas desconfio bastante do sucesso da ideia de fazer isso tão repentinamente.

Só pra me encontrar um pouco nesta história: no dia anterior à eleição de Bolzan Jr. o então presidente, Fábio Koff, não tinha anunciado que o Grêmio havia acabado de comprar a Arena?

Grêmio, OAS e a intempestiva Leva-Jato… hummm… Sei lá, tem algum pedaço desse iceberg que ainda não tá bem visível.

Aimoré 2×1 Grêmio – Torcer pra quê?

AIMORÉ X GRÊMIO

A ‘Operação Desmanche’ promovida por Romildo Bolzan ainda há de nos proporcionar muitos desencantos como o de ontem à noite.

Foi lamentável o que a equipe demonstrou em São Leopoldo. Dominado pelo Aimoré desde o primeiro minuto, o Tricolor não conseguiu produzir praticamente nada durante todo o primeiro tempo. Lento e desorganizado, não ameaçou empatar o jogo, e ainda acabou por sofrer o segundo gol no último lance da etapa inicial. Com Felipe Bastos em péssima noite e Arthur ‘inventado’ ao seu lado, o Grêmio não sabia se defender. Com um Douglas sonolento e irritante, o time não criava nada. Jogadas pelas laterais nem pensar. O preguiçoso Marcelo Moreno e o esforçado Lucas Coelho atrapalhavam um ao outro e não davam a menor demonstração de que poderiam, em algum momento, formar uma dupla. O dois a zero contra foi um resultado bem correto.

O Grêmio voltou alterado do intervalo. Felipão sacou Arthur e passou Galhardo para a função de volante. Na lateral fez entrar Matias Rodriguez. O time piorou. O Tricolor só melhorou um pouco após a tardia entrada de Lincoln. Luan, em lance de sorte, chegou a diminuir a vantagem do Aimoré, mas a reação não foi suficiente. Mesmo que a arbitragem tenha expulsado, bem no final, dois jogadores da equipe de São Leopoldo, ainda assim o Grêmio não demonstrou força suficiente para chegar ao empate.

A ‘Operação Desmanche’ ainda não conseguiu livrar o clube de alguns pesados pesos-mortos como Marcelo Moreno e Kleber, mas já foi capaz de deixar bem claro para qualquer um que queira ver, que não temos nem teremos time em 2015.

Após assistir seu time ontem Felipão concluiu que “não tem como jogar assim”. Já eu, após assistir a derrota concluí: se for assim de que adianta torcer?

Um homem jamais deve cometer a tolice de ter a certeza de que está certo.

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