Um porquinho e um piá.

Eram, uma vez, um porquinho e um piazinho mexicano. Depois de mais uma tarde brincando, como sempre faziam, o piá teve febre e espirrou por alguns dias. Mas foi só.

E já morreram cem pessoas no Rio Grande.

O vírus que o menino mexicano espirrou, ficou famoso, espalhou o medo, mudou os hábitos de algumas comunidades, virou, por algum tempo, a estrela dos telejornais.

O barulho que fez, quando de sua chegada, era mesmo o de um tsunami, mas, dirão os odiosos da mídia oficial, que foi quem fez o barulho, não passou de uma marolinha.

Uma marolinha para nós que estamos aqui brincando de blogar.

Mas para quem perdeu a única vida que tinha, quem perdeu o único pai ou mãe que tinha, quem perdeu a mulher que esperava seu filho, quem perdeu seu filho, que diferença faz?

Não existem muitas formas diferentes de nascer, porém as formas de morrer são incontáveis, contudo morrer é apenas morrer. Que diferença faz?

A distribuição da riqueza é uma utopia que a humanidade ainda não conseguiu, ou nem mesmo quis, transformar em realidade, mas a globalização da miséria, da doença, da desgraça e da morte é um fato real.

Mas o nome de Deus é: VERDADE.

Bem globalizada essa civilização, não é?

Afinal, eram, uma vez, um menininho ‘chicano’ e seu porquinho gordinho… e muitos morreram para sempre.

Nascer e morrer são coisas que só fazemos uma vez na vida, sofrer a exploração capitalista é algo que  temos sido obrigados a fazer a vida inteira.

Anúncios

2 opiniões sobre “Um porquinho e um piá.”

  1. Até agora, só conheci uma pessoa que teve a gripe A: uma colega de faculdade, que trabalha no Hospital de Clínicas (ambiente bem propício).
    Acho que com esse calor a gripe deve ter declinado um pouco, mas continuo a lavar as mãos, é bom para prevenir uma porrada de doenças.
    E enquanto a doença der lucro, elas continuarão a existir e matar muita gente. Por que será que até agora “não conseguiram descobrir” a vacina contra a AIDS?

    Curtir

    1. Nascemos, meu velho.
      Agora estamos obrigados a morrer. A forma como faremos isto não será importante.
      Afinal, morrer é apenas morrer, não é mesmo?
      Mas eu não gostaria de morrer de gripe. Quero morrer, já bem velhinho, de um gol do Grêmio, aos 54 do segundo tempo, valendo algo muito importante. Mas acho que não será isso que me matará, se eu não morri no gol do Anderson, em 2005, de gol eu não morro mais.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s