Vassouras, estetoscópios e microfones. (Trabalhando com o lixo).

 

Isso aqui é um pouquinho do Brasil, Iaiá:

 

Já  "isso é uma vergonha":

A vida é bem assim. É simples assim. Do alto de suas vassouras, dois humildes lixeiros, na verdade garis, são capazes de ter a grandeza de pensar nos outros, de desejarem a felicidade alheia, eles são assim. Por outro lado, desde a baixeza de sua arrogância ariana e preconceituosa, o âncora do Jornal da Band não é capaz de tanto desprendimento, não é tão humano assim.

Não é difícil pensar que um gari, por trabalhar limpando o lixo das ruas, seja alguém comparável ao lixo, alguém que esteja mesmo na parte mais baixa da sociedade humana. Ainda mais se a pessoa for pouco inteligente e bastante preconceituosa, então fica mais fácil ainda. Mas isso não me parece tão óbvio assim. Será que quem trabalha com lixo é, realmente, comparável ao lixo? O que dizer então dos médicos? Ora, médicos são profissionais que lidam diretamente com o lixo instalado no organismo humano, com as toxinas causadoras de tantas patologias. Assim como os garis tentam limpar o lixo das ruas das cidades, os médicos lutam na tentativa de limparem o lixo do organismo de seus pacientes. Médicos são, portanto, lixeiros. Como lixeiros são também os policiais que trabalham no intuito de livrar a sociedade de uma categoria de lixo extremamente perigosa: o lixo-humano. Mas essas são só algumas das profissões que têm por finalidade a limpeza do lixo. Há outros tipos de trabalho que também estão diretamente relacionados ao lixo. Sabemos que há décadas a TV brasileira vem se especializando na produção de vários tipos de lixo, um dos mais destacados deles é o lixo jornalístico. As mentiras, as propagandas disfarçadas de notícia, as matérias comprometidas com interesses pessoais ou corporativos, esse é o lixo jornalístico. Boris Casoy é um profissional do lixo. Mais grave ainda é o caso de Casoy, pois, ao contrário de garis, médicos e policiais que laboram pela limpeza do lixo, Boris Casoy exerce a função de espalhá-lo, com a clara intenção de contaminar o público com ele.

O pedido público de desculpas que, constrangido e com olhos de fúria, o preconceituoso jornalista(?) leu no dia seguinte não é suficiente para absolvê-lo. Não foi um pedido sincero. Nada mudou na forma de pensar do apresentador. Ele achava, e ainda acha, que trabalhadores humildes – brasileiros legítimos – não são dignos sequer de desejarem a felicidade ao próximo. Mais difícil, porém muito mais justo, seria demitir este senhor preconceituoso, ultrapassado e sem graça.

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Uma opinião sobre “Vassouras, estetoscópios e microfones. (Trabalhando com o lixo).”

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