O caminho e o caminhar. (Pra que lado é a esquerda?).

 

Eu entendo os neoliberais. Do fundo do coração, eu até posso conviver com as ideias dos capitalistas, fiéis seguidores do deus mercado. Não compactuo destas idéias, para mim são de um de egoísmo extremado, mas tudo bem, sou um democrata e convivo perfeitamente bem com os pensamentos dissonantes. Ao final de cada pensamento meu existe uma placa de aviso: Cuidado. Você pode estar errado.

Eu, apesar de ser chamado Moisés, não conheço o caminho. Eu apenas caminho. E pelo caminho penso: para onde estou indo?

O segredo da vida já era conhecido pelos brasileiros do período pré-Cabral. Ao sul e ao oeste do mundo ainda não havia sido inventado o pecado. Viver, na África, nas Américas e na Oceania, nada mais era do que estar vivo. Foi no velho continente branco e em Ásia e Oriente que se inventaram as complicações da vida. As ciências, a matemática e a religião foram criadas nesta região do mundo, assim como a fome, a peste, as grandes guerras e a dinamite. O ser humano, um animal primata que criou Deus à sua própria semelhança, nem precisava destas coisas. A vida nasceu no Hemisfério Sul, suas complicações, essas foram inventadas no Hemisfério Norte.

Nós, os brasileiros de hoje, não devemos ter ilusões, somos algo muito menos humano do que seriam os atuais brasileiros caso a expedição neoliberal, capitalista e imperialista de Cabral tivesse afundado ou simplesmente se perdido. A civilização Tupi-Guarani era infinitamente mais avançada e justa que a nossa, mais justa com os homens e incomparavelmente mais justa com o meio. Já não sabemos viver. Caso algo muito grave ocorresse e o artificioso funcionamento disto que ora chamamos ‘civilização‘ deixasse de funcionar, morreríamos de fome e sede cercados de comida e água impotável por todos os lados. Simplesmente porque já não somos capazes de reconhecer o que é comestível e já poluímos por demais os cursos d’água. Morreríamos.

Vivemos tempos inúteis, tempos tecnológicos. Podemos, a qualquer momento e distância enviar ou receber qualquer recadinho fútil e inútil, porém não temos a menor a ideia de onde chegaremos com toda essa tecnologia, que apenas traz ‘conforto’ e solidão aos que podem adquirí-la e aos que não podem, a esses só traz exclusão. A idade do conhecimento acabou. O tempo em que a finalidade de cada folha ou raiz era conhecida, quando se podia antever uma seca ou inundação pela simples observação do pôr-do-sol, quando o comportamento dos animais nos prevenia de grandes catástrofes, tudo isso passou. Não sabemos a hora senão olhando o relógio, ninguém mais é capaz de se orientar pela posição do sol ou das estrelas. Perdemo-nos. Qual é o caminho? Para onde estamos indo?

Caminhar é o simples ato de mover os pés, um após outro, em determinada direção. À essa direção damos o nome de caminho. Mas quem dita a velocidade da marcha? Quem orienta a direção? Para onde estamos indo e aonde pretendemos chegar? Não seria difícil para muitos, individualmente, responder a tais questões, todos têm sonhos e anseios pessoais. O sentido coletivo da caminhada, caminharmos enquanto Nação, esse me parece ainda desconhecido para a grande maioria de nós. Qual é o Brasil que queremos? Justo e poderoso? O que é mais importante? Que seja um Brasil justo ou que seja poderoso? De quem são os pés que estão fazendo, hoje, o Brasil estar no caminho que está? Não são os pés do presidente, mas sim o conjunto de pés de mais de oitenta por cento dos brasileiros que afirmam estarem com ele. Que o seguem, que o estimulam a continuar, certo ou errado, no caminho pelo qual enveredou.

A imensa maioria, quase a totalidade de nós, eleitores do presidente, o elegemos por uma razão simples: por sonharmos com um Brasil mais justo. Desenvolvimento ecologicamente sustentável e socialmente justo. Esse é o nosso ideal – ao menos é o meu. Agora nos dizem que o presidente Lula revelou-se um belo neoliberal. Confesso: por vezes parece. O Brasil agora é um dos sócios do Fundo Monetário Internacional. Honestamente, tem coisa mais neoliberal do que isto? Qual a intenção escondida por trás desta decisão? Tornar o Brasil tão influente, poderoso e imperialista como aqueles que antes criticávamos? Ou seria tentar, com esses empréstimos, ter algum poder de influência sobre as decisões do Fundo? Tentar torná-las mais humanas, mais humanizadas. Dizem que o presidente Lula já não é um socialista. Se percebermos a forma como os aposentados têm sido tratados, concordaremos com isso. No entanto, em nenhum outro país do mundo, tantos pobres conseguiram superar a linha da miséria como os brasileiros no governo do presidente Lula.

Quando D. Pedro II conheceu o sertão nordestino, conheceu a seca, conheceu a face mais dura e feia da tão generosa biodiversidade brasileira. Dizem que jurou: "Nem que eu venda a última joia da Coroa, hei de acabar com essa tristeza". Jamais se soube de que tenha feito algum gesto para acabar com a tal tristeza. Ninguém fez. Ninguém exceto o presidente Lula, o filho do Sertão. A transposição do Rio São Francisco é uma obra de alguns bilhões de reais do mais puro socialismo. Água é vida. Dar água a quem dela não dispõe é como oferecer vida a quem a ela tem direito. Uma obra  que custará bilhões de reais, que enriquecerá ainda mais as grandes construtoras neoliberais, mas cujo fundamento social é inegável. E o programa ‘Minha Casa, Minha Vida’? Se isso não é política pública de habitação, então não sei o que é política pública.

O Brasil do presidente Lula vem dispendendo muitos milhões de dólares em ajuda humanitária, especialmente no Haiti. Após a catástrofe ocorrida nesta semana, muito mais despesa precisará ser feita. Isso parece coisa de governo imperialista, de país rico e poderoso, mas a verdade é que o Haiti, assim como tantos outros países, necessitava, e agora mais ainda, de ajuda internacional. Pois bem, o Brasil do presidente Lula decidiu que seria essa ajuda. Todo o dinheiro que o Brasil já dispendeu e todo o que ainda dispenderá no Haiti deverá ser considerado, do ponto de vista socialista, justificado. De quebra, ganha força a candidatura brasileira a um assento no conselho da ONU. O que isso significa ainda não sabemos. Mas se o Brasil que estiver assentado no conselho mantiver ainda os mesmos conceitos de justiça social, de direito à diversidade de pensamento e liberdade de escolha que tem hoje no governo Lula, penso que a conselho da ONU poderá estar se tornando uma coisa melhor. Num conselho que queira ser verdadeiramente justo, não só os pobres e os pequenos, mas até mesmo os que sejam mudos, necessitam ser ouvidos. Pois é assim amigos, no mundo de hoje, gostem ou não, quando o Lula fala até o Céu presta atenção. E Lula, para mim, continua sendo o mesmo velho sapo barbudo e socialista que eu sempre achei que ele fosse, ou então, se ele já não o é, se ele se tornou um capitalista neoliberal com anseios imperialistas, então devo começar a pensar que eu é quem não sabia o que era o neoliberalismo.

Mas isso é apenas o que eu penso e, como já escrevi lá no início, ao final de cada pensamento meu existe uma placa de aviso: Cuidado. Você pode estar errado.

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