A verdade é que vivemos na Mata.

 

2010 é o Ano Mundial da Biodiversidade.

Mata Atlantica - Maquiné

A associação das palavras biodiversidade e Floresta Amazônica é, para os brasileiros, algo que ocorre de forma quase automática. Creio ser pequena a parcela de brasileiros que já visitaram a Amazônia, no entanto é a ela que seus pensamentos são remetidos quando ouvem palavras como ecologia, preservação e meio ambiente. A imagem de uma  gigantesca árvore secular, adornada por bandos de araras coloridas e agitada por ágeis macacos deve ser a que vem à mente da maioria dos brasileiros quando ouvem palavras como bioma ou habitat. Poucos lembram de um outro bioma igualmente importante e ainda mais ameaçado do que própria Amazônia: a Mata Atlântica.

Não acho que seja correto considerar que  um bioma possa ser mais ou menos importante do que outro. Cada um tem tanta importância quanto outro. Entretanto é na Mata Atlântica que vive grande parte da população brasileira – algo entre 112 ou 115 milhões de pessoas. É neste bioma que está instalado o grande parque industrial do país, onde estão quase todas as grandes cidades e as grandes corporações. Talvez seja essa mesma a razão pela qual sua importância é tão diminuída, talvez seja por isso que tão pouco se fale da necessidade de sua preservação. É mais fácil exigir a preservação do quintal do vizinho do que abrir mão de construir no nosso.

A Mata Atlântica original percorria praticamente toda a Costa do litoral brasileiro, desde o litoral do Piauí até o Rio Grande do Sul.  Desde os primeiros dias da chegada do homem branco, a Mata começou a morrer. Para produzirem tecidos vermelhos, adorados pelos reis da Europa antiga, os portugueses voltaram seus olhos cobiçosos sobre a árvore mais famosa do país: o Pau-Brasil. Iniciou-se assim o processo de destruição da Mata que, até os dias de hoje, jamais foi interrompido. Pouco resta da floresta. A maioria das espécies brasileiras que hoje estão em processo de extinção habitam a Mata Atlântica, algumas espécies são endêmicas da Mata. Não deve ser errado acreditar que a maioria das espécies já extintas pela ação humana no Brasil vivesse na Mata Atlântica.

2010 é o Ano Mundial da Biodiversidade, ano ideal para pensarmos um pouco mais no mundo em que vivemos e o mundo em que, literalmente, vivemos nós, maioria dos brasileiros, é a Mata Atlântica. Não creio que nenhum governante, de nenhum partido ou corrente ideológica, seja capaz de um gesto significativo em favor da preservação de nossa velha Mata, não quando tal gesto signifique qualquer tipo de prejuízo à produção, à "geração de empregos", argumentos tão difíceis de se combater numa sociedade com economia baseada em consumo como a que existe hoje. A sobrevivência da Mata e dos seres que nela vivem não virá de nenhum governo, mas da soma das pequenas iniciativas que precisam ser criadas a partir das comunidades instaladas na Mata, da nossa mudança de hábitos e, essencialmente, da nossa capacidade de ‘consumir’ menos.

Podemos salvar a Mata Atlântica. Devemos salvar a Mata Atlântica. Especialmente por que, embora a paisagem urbana e dura das cidades que habitamos, a verdade é que vivemos na Mata.

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