República Bolivariana (e populista) de Chavez.

 

 

Lulista, esquerdista, socialista, chavista, comunista, (ah, e gremista), tudo isso eu sou. Boa parte das pessoas que conheço condenam essas minhas posições, abominam esses pensamentos. Embora saiba que existe a remota possibilidade de que eles estejam um pouco certos, não me preocupo muito com essa nossa diferença. Em geral, estas pessoas, talvez todas elas, são daquele grupo de brasileiros que possui casa própria, emprego fixo e salário suficiente para alguns pequenos luxos, têm carro, camisas originais de seus times e dispõem de algum acesso a serviços essenciais. Via de regra assistem bastante televisão, não perdem o Jornal Nacional e admiravam o chatíssimo Boris Casoy.

Defensoras ardorosas do direito à propriedade, essas pessoas não estão interessadas em entender ou sequer discutir o conceito da função social da propriedade. Dá pra entendê-las, afinal, por que discutir o direito à propriedade quando eu sou o proprietário?

Há uma minoria de brasileiros que têm demais, há alguns que têm o suficiente e há uma imensa maioria que pouco ou nada possui. Os que têm muito, os que se bastam e quase todos os que governaram sobre esta terra jamais se preocuparam com os que têm muito menos do que necessitam e merecem. Geralmente, quando surge algum governo que começa a se preocupar com essa maioria desvalida e começa a promover políticas públicas de inclusão e redistribuição de renda, logo ganha o rótulo de populista. Qualquer governo ou governante que se proponha a gastar dinheiro público em algum programa que beneficie essencialmente a classe pobre passa, imediatamente, a ser classificado como populista. Qualquer governo que, ao contrário, dispender vultosas quantias em favor de bancos, grandes montadoras ou grupos corporativos, qualquer governo que, com dinheiro público, financie a privatização das riquezas e do patrimônio de alguma Nação, curiosamente, não ganha o rótulo de elitista. Ora, a elite é proprietária da mídia em qualquer país do mundo. E, conclusão óbvia, para a elite o elitismo simplesmente não existe. O verdadeiro conceito de elitismo, governar em favor dos interesses de um pequeno grupo de privilegiados, não consta nem na Wikipédia. Sendo assim, para a oligarquia que detém os meios de comunicação de qualquer país, o elitismo simplesmente não existe, para essa oligarquia o que existe é o populismo e o populismo é ruim.

Penso que o populismo, da forma como foi primeiro visto, consistia apenas na capacidade de organizar as classes mais populares e usá-las como massa de manobra, dessa forma merecia a imagem ruim que ganhou. Passado o tempo e com a evolução das comunicações, a mídia apropriou-se do termo, emprestou-lhe um novo sentido e, sem tirar-lhe a imagem negativa que carregava, colou-o a qualquer um que tente tornar o mundo um pouco mais justo.

Não parecem democráticas as intervenções que Hugo Chavez vem promovendo nas emissoras venezuelanas, entretanto não me parece menos antidemocrático a negativa das emissoras em retransmitir o pronunciamento do presidente eleito da Venezuela. A liberdade de expressão, o direito ao livre pensar e o direito ao contraditório são bandeiras que necessitam de árdua e constante defesa, o fim da censura é um sonho da América Latina democrática que começou a surgir de novo na década de 80. Agora convém refletir: negar-se a integrar uma cadeia nacional para a transmissão de um pronunciamento do presidente democraticamente eleito é direito da concessionária? Não permitir que o Estado, na figura de seu presidente, comunique-se com seu povo é direito ou, apenas e tão somente, censura?

A República Bolivariana de Hugo está em grande risco, ‘O Povo Guerreiro do Norte’ cercou a Venezuela com suas bases militares, os Estados Unidos querem todo o petróleo do mundo, querem o da Venezuela também, a oligarquia venezuelana quer recuperar os privilégios que perdeu durante o governo ‘populista’ de Chavez. O cerco se fecha. Chavez resistiu ao primeiro golpe, não creio que resistirá ao que está prestes a vir.

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