42°C.

 

 

Sei que existem aqueles que não acreditam na existência de Deus. O quê dizer? Acreditar é pessoal e involuntário. Acreditar é como gostar, algo que não está em nós e não depende de nossas vontades. Gostamos das coisas que gostamos e acreditamos naquilo que cremos, simples assim, não é racional.

Falando em crença, eu acredito que as pessoas que dizem não crer em Deus ainda não tiveram tempo de pensar no verdadeiro significado desta palavra, ainda pensam em Deus em seu sentido bíblico. Deus não é assim, Deus não é aquele cara velho e barbudo que, tal qual um juiz de direito, fica sentado determinando o que é certo ou errado, decidindo quem é bom ou ruim.

Deus, em seu sentido religioso, é o criador de todas as coisas, onipresente, onipotente e onisciente.

Será que é tão difícil acreditar em algo assim?

Ora, quem pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo? Quem pode saber, sempre, o que é o certo? Quem é que pode tudo, absolutamente tudo, qualquer coisa mesmo?

Se a resposta tiver cunho religioso será Deus, ou Alah, Oxalá talvez. Porém se a resposta for verdadeira será a Natureza.

Ao que os religiosos chamam de Deus, qualquer um de nós pode perfeitamente chamar de Natureza. A Natureza é Deus. Não o Deus Criador e judicioso descrito na Bíblia, mas o Deus real, o Deus que existe de verdade e que não é o Criador, mas que é sim a própria criação.

Pois é, a coisa ficou bem feia aqui em Canoas hoje. Alguns minutos antes do início do jogo do Grêmio a temperatura chegou a passar um pouco dos 42°C. Ninguém vai negar que isso é calor. Mas vamos culpar a quem? Ao Deus dos católicos e evangélicos? Vamos culpar ao Alah muçulmano? Oxalá não culpemos aos Orixás do Candomblé. Talvez possamos culpar a raça humana e a essa sua mania de provocar o fenômeno midiático conhecido como ‘aquecimento global’.

Eu acho isso tudo tão natural. Acho que isso é simplesmente o Verão. Sei lá se o Verão foi criado por Deus (o Papai do Céu), que é o nome bíblico atribuído à nossa Mãe Natureza, mas acho que é infinitamente mais justo do que o Inverno. Especialistas afirmam que as altas temperaturas têm o poder de matar, hipertensos e cardiopatas seriam potencialmente mais sujeitos a ‘morrerem de calor’. Mesmo assim o número de gaúchos vitimados pelo calor é incomparavelmente menor do que o de vitimados pelo frio do Inverno. O calor só diferencia os ricos dos pobres quando estes estão em suas casas, quem sair às ruas no Verão sentirá, rico ou pobre, o mesmo calor. No Inverno é diferente, andar agasalhado pelas ruas de Canoas durante o Inverno não é o mesmo que andar sem camisa. Sei lá, acho que o Verão é socialmente mais justo.

42°C. Hoje estava lindo. A Rio Branco era puro sol, puro grito de crianças brincando. Cambacicas mergulhavam nas banheiras que improvisei com fundos de garrafas plásticas. Coitado do meu cachorro em sua infrutífera busca por algum lugar menos quente. Hoje estava lindo. Jamais trocaria o dia de hoje por sequer dez minutos de Inverno.

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Comovente, sem deixar de ser irritante, o esforço do Grupo RBS tentando explicar que o caos ocorrido esta tarde no sistema de sinaleiras de Porto Alegre, provocado pela queda de energia, na verdade era culpa de Deus, esse cara que inventou o Verão, e que a falta de investimentos na CEEE, em nome de um déficit zero que nada mais é do que a falsa propaganda de um governo injusto e fracassado, nada tinha a ver com o caso. O alegado déficit zero do governo Yeda parece não ter dinheiro para nada, exceto para os desvios e a publicidade.

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2 opiniões sobre “42°C.”

  1. Eu não acredito em Deus. Mas, se formos levar a religião em conta, quem inventou o verão foi o Diabo: afinal, o inferno é quente…

    Já quanto às mortes, eu digo: o que mata não é o frio, e sim a desigualdade. Houvesse uma distribuição de renda mais justa, as pessoas poderiam se agasalhar melhor. Já o calor, não é sentido igualmente por todos, nem na rua: quem tem mais grana faz todo o trajeto de carro, com ar-condicionado, já os pobres têm de andar a pé ou em ônibus lotados (e sem ar-condicionado).

    Bom, menos mal que faltam só (só???) 45 dias para o início do outono no calendário – porque o calor, infelizmente, nunca termina ali…

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