Felizes e ignorantes

O que os olhos não veem, o coração não sente. Tanto mais feliz se julgará o homem, quanto mais ignorante for das injustiças cometidas  por e contra  seus semelhantes. Saber é igual (ou quase) a sofrer. Ninguém irá chorar a morte de um ente querido até que alguém lhe venha noticiar o óbito. Quem seria capaz de lamentar a ocorrência de uma tragédia que desconhece? Talvez algum médium, alguém com poderes premonitórios, mas pessoas assim geralmente não sofrem, pois estão  – ou acreditam estar – acima das outras pessoas comuns. Porém o fato de o ignorante julgar-se feliz não significa que ele realmente o seja, pois devemos considerar que, uma vez que ele desconhece a verdade, seu julgamento pode estar equivocado – e provavelmente estará mesmo.

Assim sendo, o segredo da felicidade estaria na informação. De posse da informação poderia o homem julgar com clareza o mundo em que vive, situar-se nele e, de acordo com alguns valores adquiridos através da educação familiar, de preceitos religiosos, influências do meio e da escola, além da pressão da mídia, descobrir se vive num mundo que o faz feliz ou não.

Aos governantes tiranos, a quem nada mais importa senão o poder, a informação é algo a que o povo não pode, de jeito algum ter acesso. É preciso que o povo seja mantido ignorante de tudo o que ocorre, custe o que custar. A informação, mesmo a mais inocente, deve ser tratada como segredo de Estado e mantida fora do alcance da população. Mas como fazer com que o povo fique longe, muito longe da verdade? Como conseguir que a população seja tão influenciada a ponto de acreditar mais na imagem mostrada na propaganda do que na do produto que adquiriu e está diante de seus olhos, dentro de sua casa? Isso não se consegue com candidatura ou eleição. Isso não é serviço para políticos. Isso é coisa para repórteres, jornalistas e, sobretudo isso é coisa para donos de grandes grupos midiáticos.

Das muitas coisas que se diz sobre Abraham Lincoln, diz-se também que ele acreditava ser impossível enganar a todos durante todo o tempo. Esse pensamento o confortava e o fazia feliz. Porém Mr. Lincoln, que enganou a muitos durante muito tempo, não proferiria tal frase nos dias de hoje. Não se ele conhecesse o Jornal Nacional, a Zero Hora ou o alienante, emburrecedor e ‘disseminador da ignorância’ que leva o nome de  Diário Gaúcho, entre outros. Essa gente, não sei como, tem conseguido enganar a praticamente todos durante praticamente o tempo todo. Raros são aqueles que conseguem escapar da força de suas propagandas.

É preciso por um fim nisto. O direito à informação tem de ser respeitado. A propaganda político-partidária disfarçada de notícia precisa ser tratada como crime. Ou então será melhor que se fechem de vez jornais, telejornais, rádios e revistas, que cada cidadão seja restringido a um mundo apenas alcançável por seus próprios olhos e que viva feliz – ou não – em sua própria ignorância.

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