Um clube sem cabeça

 

Foto: Tatuana Lopes

Sou um entre os poucos gremistas que acreditam que o Grêmio não fez mau negócio quando decidiu pela contratação de Silas. Sempre acreditei no trabalho do jovem treinador do Grêmio e jamais desperdicei uma oportunidade de elogiá-lo. Também não estou entre aqueles que acham que o time do Grêmio é uma droga e que não tem condições de ganhar nada. Acho que o Imortal tem um elenco razoável, bem próximo dos melhores times brasileiros deste primeiro semestre. Mesmo assim sempre deixei claro que não acreditava que o Tricolor estivesse pronto para ganhar algum outro título além do Gauchão deste ano. Por alguns momentos até cheguei a ter a impressão de que pudéssemos chegar à final da Copa do Brasil, mas o Santos tratou de demonstrar que não era mais do que pura impressão de um gremista excessivamente otimista.

Compreendi os resultados ruins obtidos pelo Tricolor logo após a eliminação da Copa do Brasil. Imaginava que seria assim e acreditava que a equipe só iria se reencontrar após o recesso da Copa. Pois veio o recesso, com ele veio também uma tal de Copa da Hora que, honestamente, não prestou para mais nada além de desgastar ainda mais o treinador com atletas e torcedores. O sempre omisso Meira não tem utilidade alguma no clube. Além de contratar mal e dar entrevistas absolutamente vazias e irritantes, para que mais ele serve? Serve pra nada. Presidente não temos. Desde que o Dr. Duda Kroeff foi eleito o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense se tornou um clube acéfalo, sem comando, sem projeto, sem ambições, sem presidente, enfim, sem cabeça. O Grêmio é um clube sem cabeça. A cada novo mau resultado dentro do campo, o que ouvimos dos responsáveis pelo clube é um discursinho de que "vamos buscar as causas", "temos que ter superação", "não condiz com o perfil do clube"… "blá, blá, blá". O Dr. Meira não sabe nada, não diz nada e não é capaz de encontrar solução pra nada – e ainda há quem não sinta saudade do Pelaipe, eu sinto, e muita. Já o presidente Duda, que é um cavalheiro, homem educado, gentil e cordial, é aquilo que podemos chamar de bom moço. Bom-mocismo, porém, não é o que se usa para resolver uma crise. Ou alguém seria capaz de negar que o Imortal está vivendo uma crise? Uma crise de comando. Das três figuras que compõem o comando de qualquer clube de futebol, a saber, presidente, diretor de futebol e treinador, no Grêmio há duas que jamais funcionaram. Paulo Paixão, reconhecido líder de vestiário e cuja contratação foi merecidamente comemorada no início da temporada, até agora demonstrou muito pouco, e a verdade é que ele, além da não ter exercido até o momento esse seu talento de líder, também não é o preparador físico do clube, tarefa que ficou a cargo de seu filho que, digamos a verdade, a julgar pelo grande número de lesões musculares ocorridas neste ano, ainda não obteve muito sucesso.A única que ainda conseguiu exercer algum tipo de influência sobre o grupo de jogadores foi o treinador Silas, porém o treinador é ainda jovem e inexperiente, e a verdade é que ele já não tem mais os atletas sob seu comando. Está muito claro que o Grêmio hoje conta com um grupo de descontentes.

A razão deste descontentamento ainda não é conhecida. mas, como sempre ocorre nestes casos, a origem disso tudo deve ter razões financeiras ou ambientais. Pode ser que esteja ocorrendo uma de duas coisas: ou o Tricolor não está conseguindo pagar em dia, ou alguém da direção ou comissão técnica está estragando o ambiente de trabalho. Quando coisas assim acontecem é natural que os atletas manifestem descontentamento. Em geral essa manifestação vem na forma de apatia em campo, desinteresse pelo resultado, falta de motivação para os treinamentos e até, em alguns casos, pretextam lesões aparentemente incuráveis.

Talvez seja algo assim que esteja ocorrendo, talvez não seja nada disso, mas é certo de que algo de muito errado ocorre nos vestiários da Azenha. Não dá pra aceitar que um time que tenha vendido tão caro a eliminação da Copa do Brasil, diante do fortíssimo Santos, não tenha conseguido, desde lá, enfrentar equipes bem mais modestas. Tem coisa errada. Precisamos identificar o problema e criar uma solução. É preciso fazer alguma coisa, por a cabeça pra pensar.

É nessa parte do texto que minhas preocupações se transformam em pânico. "Por a cabeça pra pensar", no caso do Grêmio, que desde a eleição de Duda Kroeff tornou-se um clube sem presidente, sem comando, um clube sem cabeça, é algo difícil de acontecer. O que não está muito difícil de acontecer, pelo jeito como vão as coisas, é o Imortal voltar à Série B. Agora, por que os outros gremistas ilustres e influentes – Cacalo e Koff – nada a fazem a respeito, é algo que ainda não me entrou na cabeça.

Fora, Duda. Fora, Meira. Pelo amor de Deus, alguém faça alguma coisa.

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