Filhos de Mazembe (A saga de um povo amargo)

Nas terras ora gélidas, ora escaldantes do extremo sul do Brasil, assoladas por ventos cortantes e destruidores, chuvas torrenciais, bem como estiagens prolongadas, habitam duas tribos distintas.

A tribo predominante, composta por bem mais de sessenta por cento da população, é conhecida por suas façanhas, suas glórias, seus títulos e suas conquistas em nível intercontinental. Verdade é que os representantes desta tribo também são conhecidos por suas quedas estrondosas, mas são mais reconhecidos ainda pela maneira épica com que sempre se reerguem. É quase consenso o fato de que esta tribo, ao longo da história, não tem dado muita sorte com a arbitragem, muito antes pelo contrário. As conquistas dessa tribo, quase todas elas, têm sido arrancadas, literalmente, contra tudo e contra todos. Ao longo do tempo, erro após erro, não foram poucas as glórias surrupiadas destas pessoas. No entanto não as lamentam, não reclamam dos erros, nem tampouco amaldiçoam os árbitros que os cometeram, não gastam seus dias a chorar, pois vivem de loucura e da certeza de que “algo maior” lhes está reservado. São valentes. Valentes não choram.

Esses homens e mulheres não encontram apoio nem mesmo na mídia local. Raros são os profissionais da mídia esportiva sul brasileira que integram essa brava tribo. Viver para amar seu clube. Amor incondicional, sem limites, infinito, descontrolado, é a filosofia dos membros desta tribo. Vestir a camisa, tremular a bandeira e endeusar seus ídolos históricos são marcas características desta gente. Esta gente que está sempre lá. Na boa e na ruim. Essa grande tribo é reconhecida por sua garra, sua bravura, seu aguerrimento e sua ‘pegada’. São mulheres e homens que não temem o futuro, que jamais tremem ante a incerteza do que virá, pois sabem que são capazes de tudo, de tudo mesmo, até de realizarem façanhas inacreditáveis ou feitos impossíveis.

Acostumada a vencer batalhas que outros já considerariam perdidas, essa gente guerreira se pinta e se veste de azul, anda pelas ruas de cabeça erguida e olhar no horizonte. São conhecidos como ‘Os Imortais’.

A outra tribo, bem menos numerosa e infinitamente menos representativa, apresenta atributos bastante distintos da primeira. Jamais foi capaz de conquistar algo realmente grandioso em terreno inimigo, suas conquistas se limitam ao seu próprio campo ou a campo neutro. São famosos por suas reclamações e suas ‘choradeiras’ intermináveis. Acusam os adversários de comprarem resultados, editam DVD’s para consolidarem suas teses absurdas, choram, choram, choram… Reclamam e choram. Essa tribo já chegou a ficar vinte e seis anos sem conquistar qualquer título relevante, exceto um, em 1991, conquistado graças a um pênalti inventado pela arbitragem nos últimos minutos da partida.

Essa tribo tem força política suficiente para alterar datas e locais de jogos de Libertadores ou para legalizar inscrições de atletas que o regulamento da competição proibia.As poucas pessoas que conhecem o histórico desta gente e a ele dão importância sabem que não são raros os momentos em que ela teve sorte com a arbitragem. Dois gols legítimos do adversário anulados inexplicavelmente podem levar alguém a um título de Libertadores.

Essa tribo arrogante não conhece a si mesma e não conhece a história dos homens. Crê piamente que o futebol é um esporte que foi inventado em 2006, que nada havia acontecido antes disto ou que, se algo havia, então deve ser ignorado. Incapaz de ser generoso, o povo desta tribo não consegue, em sua infinita amargura, ser grato a ninguém e chega mesmo a amaldiçoar o nome daquele a quem deveria idolatrar. É verdade, devemos reconhecer, que essa tribo é capaz de feitos realmente inéditos. Exemplo: deixar a América do Sul fora de uma decisão de Mundial. Isso é fato inédito.

As pessoas desta tribo costumam vestir coisas vermelhas e atualmente podem ser vistas vagando cabisbaixas pelas ruas do extremo sul brasileiro resmungando e rogando pragas. São conhecidas, desde o dia quatorze próximo passado, como Os Filhos de Mazembe.

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