Não esquecemos nossos craques

O pequeno Ronaldinho Gaúcho, que mais tarde se tornaria o número um do mundo - Foto: Paulo Franken Ronaldinho está voltando ao Grêmio. Está? O rastro de destruição deixado pela equipe do Mazembe nos planos de programação da mídia esportiva gaúcha foi enorme. Muitos ‘especiais’, muitas retrospectivas da campanha do bi que nunca houve acabaram tendo de ser cancelados. Muitos espaços vazios nas programações de rádios e TVs, muitas páginas em branco a serem preenchidas em sites e jornais. A hipótese da volta do maior craque nascido no Rio Grande tornou-se um prato cheio. Mas será que ele está mesmo para voltar? O presidente Paulo Odone não nega, ao contrário, reforça as especulações. Assis, o irmão/pai/procurador deste meu eterno ídolo, também confirma a possibilidade. Vai ver que é mesmo verdade. Vai ver que o par de dentes mais genial da história das categorias de base da Azenha está mesmo por voltar.

Rápidos e ávidos por audiência, todos os canais de mídia especializada – ou nem tanto – em futebol, apressaram-se em lançar dezenas de pesquisas interativas de opinião. Ronaldinho está matando a pau em todas elas. Sua aceitação entre os torcedores gremistas chega a surpreender. Sua popularidade só é comparável à do grande presidente Lula. Ronaldinho também é o cara. Para falar a verdade não acho que alguém se devesse surpreender com o entusiasmo de nossos torcedores ante a possibilidade da volta desse verdadeiro gênio do futebol, afinal, não fomos nós que criamos a tola frase “não vendemos craques”. Essa bobagem saiu da cabeça do ex-presidente Guerreiro, de triste lembrança. Nós, gremistas, na verdade não esquecemos nossos craques. Adoramos aos craques, nós os reverenciamos. Sempre e para sempre. Renato, Danrlei, De Leon e outros são exemplos de nosso eterno agradecimento aos homens que suaram nossa sagrada camisa de três cores.  Somos assim, sempre fomos. Não há por que imaginar que seria diferente com Ronaldinho.

Bem, talvez haja um porque: a forma como Ronaldo saiu em 2001. Não foi uma separação suave e consensual como as que ocorrem entre os casais que percebem que o amor acabou. Foi uma coisa bem mais dolorida, cheia de mágoas, remorsos e sensações de amor traído. Para mim isso apenas significa que Grêmio e Ronaldinho separaram-se, em 2001, sem que o amor houvesse acabado. E continuaram se amando à distância, se querendo, se desejando, porém sem que qualquer uma das partes quisesse dar o braço a torcer. Vai ver que a mágoa acabou. Vai ver que Ronaldo vai mesmo voltar. Voltar para quê?

Acredito que a imensa maioria dos torcedores gremistas exultantes pela volta da ‘nossa cria’ esteja lembrando do Ronaldinho da final do Gauchão de 1999 – aquela partida o Dunga nunca vai esquecer . Vai ver eles sonham com o Ronaldinho que brilhou como um sol no Barcelona, que encantou o mundo e foi, por duas vezes consecutivas, eleito o número uma da FIFA. Ronaldinho Gaúcho, o prestidigitador, que pelo simples movimento de seus pés encantados iludia o adversário, enganava a torcida, ludibriava as câmaras de TV e tornava a bola invisível. “Cadê a bola?”, perguntava-se o atônito marcador. Esse Ronaldinho que apenas em raros momentos aparece atualmente no Milan. É com esse Ronaldinho que a maioria dos gremistas sonha estar voltando. É com esse que sonho também. Esse Ronaldinho que não sabemos se ainda existe, mas que acreditamos que Renato encontrará caso exista, provavelmente nos levará de volta aos bons tempos, às antigas glórias.

Porém, há quem diga que o Ronaldinho que está por voltar é mera peça de uma grande campanha de marketing idealizada pela direção gremista. Algo assim, dizem os ‘especialistas’, como Ronaldo Nazário é no Corinthians ou Adriano foi no Flamengo. Posso concordar em parte. Não há qualquer dúvida de que Ronaldo Nazário tem funções muito mais arrecadatórias no Corinthians do que propriamente de atleta de futebol. No Flamengo, Adriano não teve essa função. Adriano veio para recuperar a forma física e a motivação pessoal para dar seguimento à carreira. Nos dois casos, Nazário e Adriano, os planos acabaram funcionando. Nazário trouxe ainda mais exposição ao Timão paulista, de títulos conseguiu apenas uma Copa do Brasil, com uma consequente vaga na Libertadores. Uma vaga que o Corinthians acabou não sabendo aproveitar. Como peça de marketing, Adriano não funcionou tão esplendidamente no Flamengo, pois sua presença no glorioso rubro-negro carioca não foi suficiente para demover a mídia nacional da intenção de preencher pelo menos 90% de seus espaços com o ‘produto’ Corinthians. Mas Adriano foi campeão brasileiro pelo Flamengo e artilheiro do Brasileirão 2009. Tá bom, né?

Ronaldinho, enquanto produto de marketing, carrega no próprio nome um grave defeito. Ronaldinho é Gaúcho. Caso se chamasse Ronaldinho Paulista ou Ronaldinho Carioca teria, estou absolutamente convencido disto, infinitamente mais exposição midiática. Maior, por exemplo, do que Kaká conseguiu, embora sempre tivesse demonstrado talento bem menor do que o de nosso prata da casa.

Enfim, sei lá para que viria o Ronaldinho. Apenas estou ansioso por sua estreia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s