Á bíblia e o crucifixo, a mídia e a blogosfera: Falhas

Crucifixo antigo sobre bíbliaDurante a campanha ao segundo turno das eleições passadas, os temas aborto e religião foram bastante explorados pela mídia social-democrata, cristã e hegemônica do Brasil. A intenção era bastante clara: fazer o eleitor acreditar que não valia a pena votar em Dilma Rousseff por ser ela favorável à prática do aborto, e que essa sua orientação advinha do fato de que a então candidata, simplesmente não acreditava na existência de um Deus, que era totalmente desprovida de fé espiritual e não respeitava, portanto, qualquer orientação religiosa. Isso, acreditava a mídia, poderia custar-lhe grande perda de votos entre os católicos e católicas mais conservadores, especialmente da região nordeste do Brasil. Entre os evangélicos, então nem precisamos falar, significaria a perda total de votos. Seria um desastre para a campanha. Dilma jamais teria sido eleita. Felizmente a ideia não colou. O rótulo de ateia não colou. Dilma venceu, graças a Deus (sic).

Eu gosto de conhecer diferentes opiniões sobre um único tema. Sei que não existe moeda de face única. Sei também que a história é uma versão contada pelos vencedores e que, portanto, não podemos ficar presos a uma única versão dos fatos, pois certamente, se nos resignarmos a uma única versão, estaremos conhecendo apenas metade da história. É por isso que a lista de blogs que leio não contém blogs direitistas. Eu conheço as manhas e as ideias dos neoliberais, elas estão todas na mídia. Basta ligar o rádio ou a tv, basta abrir algum jornal ou revista produzidos por qualquer dos grandes grupos editoriais brasileiros e encontramos uma infinidade de textos, imagens, “notícias” e “análises isentas” que, no fundo [e muitas vezes até no bem raso mesmo], não passam de descarada propaganda neoliberal. Por isso eu só leio blogs de esquerda. Por que fazem o contra-ponto à toda essa babaquice que a mídia oficial denomina de jornalismo. E, além do mais, são isentos e coerentes.

São mesmo?

Recentemente um grande jornal paulista “noticiou”, com grande alarde, que a presidenta Dilma havia determinado a retirada de seu gabinete de uma bíblia e um crucifixo, símbolos maiores do cristianismo. A repercussão entre os cristãos comuns do Brasil, trabalhadores assalariados, quase todos sem acesso a “luxos’” como a internet, e que só conhecem do mundo o que lhes é trazido pela tela da Globo, eu não sei. Mas sei o que aconteceu entre aqueles que publicam os blogs que leio [nem todos os blogs que leio estão linkados aí do lado – preguiça minha]. A “notícia” foi saudada, em quase todos os blogs, como uma bela e mui acertada decisão da presidenta. Elogiada por todos, alguns até lembraram que essa era uma prática antiga em alguns países do primeiro mundo. A “notícia” foi saudada como a mais coerente e correta atitude a ser tomada pela presidenta do Brasil que, afinal, se declara um Estado laico.

Mas a verdade é uma merda, amigos. Ela sempre vem à tona. Não demorou muito a surgir uma ministra para esclarecer os fatos, por luz à confusão. A “notícia” não passava de mais uma Falha (do jornaleco) de São Paulo. Dilma Rousseff não havia determinado a retirada de coisa alguma de lugar nenhum, apenas havia mandado que os tais símbolos religiosos fossem devolvidos ao seu verdadeiro dono, o seu antecessor, Lula, o presidente mais popular do mundo. A partir daí, o que vejo nos blogs: críticas ao jornalzinho. Pois é, o jornalzinho, que antes era criticado por estar tentando induzir o povo a condenar uma atitude presidencial que na verdade era correta, agora estava sendo criticado, e até satirizado, por haver sido desmascarado. A “notícia” não era notícia, vamos ridicularizar, por mais essa Falha, o jornal de São Paulo.

Mas e a história da bíblia? E toda a comemoração pelo laicismo da presidenta? Dilma, agora que devolveu os símbolos religiosos de Lula, vai trazer alguns seus? Dilma tem algum? Dilma Rousseff vai, enfim, por em prática a ideia de Estado laico, ou vamos ficar nesse joguinho de sempre, onde cada parte da mídia, a oficial e a blogosfera, apenas reproduzem o que lhes convém e quase ninguém tem coragem de criticar ou fazer cobranças aos partidos ou pessoas que lhes são simpáticos?

Prédios públicos não devem ostentar símbolos religiosos. Escolas públicas não devem ter a religião como disciplina curricular. Partidos políticos não deveriam poder se denominar cristãos. O gabinete da presidência NÃO PODE conter nenhum símbolo religioso.

Cada um que acredite ou não acredite em Deus da maneira que conseguir. Ninguém é obrigado a ser cristão só porque nasceu no Brasil, é? Que cada brasileiro seja livre para exercitar sua fé sem influências. Ou então, se assim o desejar, livre para não ter fé alguma, sem influências. Que cada um siga o caminho que lhe parecer mais correto.

E que seja o que Deus quiser. Amém.

Era isso. Salaam Aleikum.

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3 opiniões sobre “Á bíblia e o crucifixo, a mídia e a blogosfera: Falhas”

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