A quarta-feira do Grêmio não foi de cinzas, foi de glória

 

Victor Taça Piratini 2011 Foto Jefferson Botega clicRBSEm cada canto, cada esquina, cada grotão deste país enorme, o dia de ontem não escapou de ser apenas a famosa, conhecidíssima e monótona Quarta-feira de Cinzas. Mas não na Azenha. Aqui no Rio Grande não. A grande e valorosa tribo dos Imortais, a imensa maioria dos habitantes deste pago, viveu uma noite de guerra, de loucura e de glória. O Rio Grande anoiteceu em festa, e entre choros e lamúrias dos poucos representantes (cerca de 35% da população estadual) da amarga tribo vermelha, conhecida como Os Filhos de Mazembe, a madrugada foi de comemorações, espocar de foguetes e cerveja gelada. Não houve cinzas, pois mais uma vez, como sempre se repete, das cinzas se ergueu o Imortal, aos 50 minutos do segundo tempo, empatou o jogo, colocou justiça no placar e foi buscar a glória da vitória nos pênaltis. Bye, bye, Caxias, parabéns pelo esforço.

>>> Veja os gols da partida

>>> Veja as cobranças de pênaltis

Rafael Marques Jefferson BotegaJogando no Monumental, alentado por mais de vinte mil torcedores, e podendo contar com quase todos os titulares – Lúcio, descontado, não tinha condições para noventa minutos –, não deveria, teoricamente, ser muito difícil vencer o Caxias e conquistar a Taça Piratini. Não deveria. Teoricamente. Na prática, a teoria funcionou completamente diferente e o primeiro tempo da partida foi um verdadeiro pesadelo para os fiéis adeptos da religião do gremismo incondicional. Um desacerto só. Nada funcionava. Só o Caxias jogava, só o Caxias criava e, para nossa sorte, desperdiçava chances muito claras de gol. O primeiro gol do Caxias até que demorou a acontecer, o time da Serra merecia ter marcado bem antes daquele chute perfeito de Itaqui, que roçou na barreira e foi na direção de Gílson que, assustado, defendeu-se da bola e deixou o caminho livre para que ela, em altíssima velocidade, chegasse ao gol de Victor. Não acho que Victor tenha falhado. Não deu tempo de chegar na bola. Ele tentou. Não deu. Paciência. Caxias um a zero. Aos 39 minutos da primeira etapa, já sem Carlos Alberto, que nem deveria ter começado o jogo, e com Bruno Collaço em seu lugar, o que foi uma substituição errada, o Caxias ainda fez outro gol. Mais uma vez Victor não falhou. Não impediu o gol, mas não falhou. Caxias dois a zero. Willian Magrão, de fraquíssima atuação, mostrou, como sempre, ser um verdadeiro Guerreiro Imortal, marcou, em belo tiro de fora da área, o primeiro gol da reação Tricolor, que só viria, de fato, na segunda etapa do jogo.

O Grêmio voltou do vestiário modificado, não na escalação, mas na determinação, na vontade. Disposto a tudo pelo gol do empate, o Imortal foi para o campo do adversário e ficou lá. Porém as chances de gol não apareciam. A mudança, de fato, só foi começar a ocorrer quando Renato, enfim, resolveu tirar Gílson do time. A entrada de Lúcio, no meio campo, ao lado de Douglas, e passando Bruno Collaço para a lateral, o lugar onde deve jogar realmente, não demorou nem um pouco para começar a surtir efeito. Bastaram poucos segundos em campo para que Lúcio ‘pifasse’ o atacante Borges, que, cara a cara com André Sangalli, perdeu um gol que não tinha o direito de perder. Mas o Grêmio, que já não tinha mais nada a perder, seguiu perdendo muitas coisas naquela segunda etapa, perdeu gols, perdeu tempo nas ‘malandragens’ bobas do adversário, perdeu André Lima, lesionado no joelho, perdeu a cabeça quando Rodolfo, desesperado pela ânsia do gol salvador, envolveu-se num empurra-empurra e acabou expulso de campo. Porém, em nenhum momento o Imortal perdeu a esperança, jamais pensou em desistir, em aceitar a derrota. Lutou até o fim do tempo regulamentar, e depois disto ainda lutou por mais longos e tenebrosos cinco minutos antes que o amado gol ocorresse. Rafael Marques, aquele que critiquei em post anterior, marcou, aos 50 minutos do tempo final, o gol que salvava o Grêmio, o gol que não deixava o jogo acabar.

A vitória não veio no jogo, mas nos pênaltis. Depois de ter defendido quatro penalidades contra o modestíssimo time do São José de Porto Alegre, André Sangalli, todos diziam, tinha dado provas de que a SER Caxias era uma equipe que tinha goleiro. Bah, que bobagem! Goleiro, amigos, quem tem é o Grêmio. Grande Victor, monstruoso Victor. O avalista da conquista da Taça Piratini..

O Renato… Bem, o Renato é o Renato. “Ele é muito foda”, disse Rochemback, que, aliás, foi o melhor em campo.

willian magrao Agência EstadoOntem foi noite de festa na Azenha, no Menino Deus, no Humaitá, no Beco dos Maias, na Vila Brasília, no Moinhos de Vento, na Bela Vista, na Chocolatão, na Vila dos Papeleiros. Ontem foi festa em Canoas, na Alvorada, em Cacequi, Capão da Canoa e Quintão, até em Caxias do Sul teve festa. Ontem foi noite de Carnaval. Um Carnaval Tricolor. Parecia que não ia dar certo, parecia que tudo já estava perdido, que Os Filhos de Mazembe iam, enfim, tentar descontar um pouco do fiasco proporcionado em Dubai. Parecia que o Imortal havia perecido ante o humilde e bravo Caxias. Parecia. Imortais não morrem. Nunca morreremos. Em dia nenhum, muito menos numa Quarta-feira de Cinzas, pois a Fênix Tricolor, amargos secadores, das cinzas sempre se reergue, sempre se reerguerá gloriosa, majestosa, imponente, invencível. Imortal. Tricolor.

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