Grêmio, nada pode ser maior. Ou pode?

 

Logo após o apito final da partida do Grêmio, domingo passado, contra o Coritiba, o presidente Paulo Odone surgiu na pista atlética do Monumental. Foi um dos primeiros a surgir, feliz pela vitória do Tricolor, mas verdadeiramente eufórico e extasiado pela vitória de Julinho Camargo, seu afiliado. A clara intenção de afrontar a considerável parcela de  torcedores que desaprovaram – e ainda desaprovam – a precipitada saída do antigo treinador, não passou despercebida de ninguém, o próprio deputado não fez questão de disfarçar. Ele foi ali para provocar aqueles que já não mais o apoiam, aqueles a quem ele chama de “falsos gremistas”, para ele, Odone, gremistas de verdade são apenas aqueles que o aplaudem, que o adulam, que dizem amém a algumas verdadeiras asnices que vem cometendo ao longo dessa sua desastrada gestão. Para Odone, quem não está com ele está contra o Grêmio, pois ele, real e insanamente, acredita mesmo que o Grêmio é seu. Estar, portanto, contra Paulo Odone é, na opinião de Paulo Odone, ser um “falso gremista”. Evidente que isto é uma bobagem, uma imensa bobagem, mais uma do nosso atrapalhado presidente (e dublê de político direitista), não existem falsos gremistas, o que existem são promessas de campanha esquecidas após a vitória – que, diga-se de passagem, não veio nas urnas, pois não houve votação, o que houve foi a aclamação do Conselho. Paulo Odone não se elegeu presidente do Grêmio com o voto da torcia, não houve eleição, os associados não tiveram a oportunidade de votar. O que existem são decepções, sonhos não realizados de conquistar o Tri da Libertadores, sonho dessa vez frustrado pela indolência, inabilidade, incapacidade e até mesmo uma certa ‘má vontade’ da atual direção.

Mais tarde, naquele domingo, em entrevista coletiva, o presidente não conseguiu (ou não quis mesmo) disfarçar que julga ser Renato Portaluppi o maior, senão o único, culpado por todos os problemas que o Imortal vem enfrentando ao longo de 2011. Salientou que era inaceitável que o time houvesse conquistado apenas dois dos últimos nove pontos disputados e que “uma mudança de rumo” era inevitável. Festejou a reação do Grêmio na segunda etapa e destacou que o time não demonstrou “aquela atrapalhação, aquela loucura do ‘vamos que tem que dar'”, uma crítica clara e com endereço bem conhecido.

Não faço nenhuma restrição ao fato do presidente não gostar do trabalho do ex-treinador, Paulo Odone é um retranqueiro de carteirinha, um fã fervoroso de Celso Roth, não podia ser fácil mesmo gostar do modo como Renato pensava o time do Grêmio. Os resultados, é preciso reconhcer, não ajudavam muito Renato. O que é ruim de aguentar é que o presidente, que não gostava das ideias do antigo treinador, gostava ainda menos da pessoa do ex-treinador.

Paulo Odone  não fez quase nada para ajudar, não trouxe os reforços necessários para a disputa da Libertadores. O Grêmio chegou à segunda fase da Libertadores com um grupo de qualidade muito reduzida, insuficiente mesmo, e agravado ainda pela verdadeira epidemia de lesões musculares que a equipe de preparação física arrumou para nós.

O presidente, a mim parece, boicotou o trabalho de Renato e prejudicou com isso o próprio Grêmio. Será que eu deveria por isso achar que Paulo Odone se trata de um falso gremista? Não, claro que não. O presidente é um gremista de verdade, aliás, como todos nós somos. A diferença é que ele possui um ego gigantesco e uma vaidade infinita. Incapaz de admitir seus erros, Paulo Odone agora parece que também não quer admitir seus atos e diz que não demitiu Renato, diz que Renato foi quem pediu para sair. Verdade? Sim, mas pela metade. Renato foi demitido nos microfones, em entrevista coletiva concedida pelo presidente logo após o empate contra o Avaí. Ali Paulo Odone deixou claro, para qualquer um que fosse ao menos meio entendedor, que Renato não continuaria mais como treinador do Imortal. Só não foi ainda mais claro e não o disse com todas as letras porque, muito provavelmente, faltou-lhe a coragem de assumir o ônus dessa demissão. O presidente contava com a atitude de Renato, esperava que ele, após ouvir aquelas declarações, tomasse a iniciativa de sair por si mesmo. Renato o fez. Agora, cinicamente, o presidente diz que não tem nada com isso. Diz que a torcida não está contra ele, que são apenas alguns grupos políticos aproveitadores. Ele acha que quem o vaia, o faz por não ser gremista de verdade. Ele acha que é vaiado apenas pela saída de Renato. Ele não vê que a saída do treinador foi apenas a gota d’água, não vê que está sendo vaiado não apenas por isso mas pelo conjunto de fracassos que vem conseguindo em parceria com o doutor Antônio Vicente Martins.

O presidente parece estar perdido, desorientado. Abraça-se agora à esperança de que Julinho Camargo vai arrumar a casa e recolocar o Imortal no caminho das vitória. Julinho ao menos vai poder contar com os reforços que Renato não teve tempo de usar, pois o presidente fez questão de forçar seu pedido de demissão por medo de que ele acabasse acertando. Tomara que tudo dê certo, que o Grêmio se reencontre, enfim, com o bom futebol apresentado na temporada passada. Afinal, o Grêmio é grande, muito grande. O Grêmio é tão grande que todos os gremistas sabem – e até quem não é gremista reconhece – que nada pode ser maior. Embora eu às vezes chegue a duvidar que o presidente saiba disso. Há vezes em que desconfio que sua arrogância, seu ego e sua vaidade se tornam, para ele próprio, maiores e mais importantes que o nosso grande Grêmio.

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