Clubes sem cabeça não ganham de ninguém

 

Miralles marcou o único gol do Grêmio.As homenagens e a comemoração pela vitória do TPMazembe no Mundial 2011 foram as ações mais destacadas do nosso velho presidente Odone no dia de sua posse. Creio que Paulo Odone, na ocasião, apenas não saiu arrastando a bunda pelo chão, muito mais por ser velho do que por ser nosso presidente, coisa que, aliás, parece andar meio esquecido de ser ao longo deste ano.

Um erro após o outro. Dezenas deles já foram cometidos em 2011. O penúltimo deles foi a precipitada – e burra – demissão de Renato, o único, por mais incrível que pareça, que dava sinais de alguma lucidez em meio ao oceano de estupidez que se tornou o nosso Grêmio. O último, ou melhor, o mais recente erro, pois, certamente, outros virão ainda antes que o ano se acabe, foi a contratação de seu substituto.

A grande maioria dos torcedores e totalidade dos ‘especialistas’ que diariamente nos brindam com suas opiniões tão ‘sábias’ e totalmente desprovidas de ‘passionalidade’, acredita que Julinho Camargo não deve ser responsabilizado pelo momento do Grêmio, que era ruim antes e de sua chegada e que agora se tornou simplesmente péssimo. Posso concordar que sua parcela de culpa é bastante pequena, mas não posso isentá-lo totalmente pelo fracasso que nosso time vem se tornando.

Julinho, logo após a vitória, arrancada a duras penas contra o fraco Coritiba, com uma atuação preocupante na primeira etapa e uma reação estupenda na segunda, saiu a dar entrevistas em que responsabilizava, subliminarmente, o seu antecessor pela má colocação do Tricolor na tabela do Campeonato Brasileiro. Segundo o ‘professor’ Julinho, o Grêmio não tinha organização tática antes de sua chegada, e com ela passaria a ter. Tudo bem, o Grêmio não era mesmo muito organizado nos tempo do Portaluppi, mas é agora? Foi loucura – ou cegueira passional – daqueles que conseguiram perceber ‘evolução defensiva’ da equipe no empate milagroso contra o Figueirense. Ora, Marcelo Grohe garantiu o empate, ajudado por André Lima, que salvou todos os escanteios no primeiro pau. Não foi por nenhuma evolução que o Imortal escapou da derrota em Florianópolis, foi por esses motivos, por esses e pelo pênalti mal marcado e, felizmente, defendido já nos acréscimos.

O atual treinador não tem experiência, jamais conviveu entre medalhões milionários do futebol brasileiro, não tem voz de comando – na verdade ele quase nem tem voz de tão fina ela é -, não tem coragem, ele mesmo confessa, de discutir com a direção as carências do grupo, não tem currículo, não tem passado, não tem história, não tem conquistas, enfim, não tem que ser treinador do Grêmio. Não agora.

Não é inteligente – e é até bastante perigoso – ficar desafiando a possíveis descontentes que deixem o grupo. Julinho Camargo não tem estatura profissional para isso. Ninguém se importa com ele, ninguém. Corre o risco de acabar sozinho. Não deve durar muito tempo.

O grande segredo de Renato para tirar do grupo do Grêmio todo o ‘suco’ que tirou em 2010, e o pouco que ainda vinha conseguindo tirar em 2011, era a amizade dele com os atletas. Sua saída trouxe desconforto ao vestiário. É evidente que tem gente lá querendo ir embora, só que não pode. Então fica, mas fica contra a própria vontade. Desafiar esses atletas não é o meio mais correto de trazê-los de volta à guerra.

Julinho Camargo parece não ter ainda entendido que nos tempos de Renato o Grêmio já não tinha presidente nem diretor de futebol, aqueles que deveriam formar a cabeça do clube. Ao seu modo, certo ou errado, Renato tentava suprir essa ausência de comando, tentava fazer tudo sozinho, precisava fazer. Odone, vaidoso, não podia aceitar esse comportamento. Trocou Renato, o treinador-cabeça, por Julinho, um (aprendiz de) treinador-cordeirinho. Sem Renato, nosso Grêmio ficou sem seu único líder verdadeiro, sem a voz acolhedora e amiga no vestiário, sem ninguém para remotivar o grupo após os resultados frustrantes. O Grêmio, sem Renato, ficou sem cabeça.

O empate de ontem não teve nada de inesperado ou surpreendente. Clubes sem cabeça, meus amigos, não ganham de ninguém, não vão a lugar algum, ou melhor, vão sim, vão para a divisão imediatamente abaixo daquela em que estão.

Acorda, Odone. Assenta a cabeça, meu velho. Logo mais poderá ser tarde demais.

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