Flamengo 2×0 Grêmio, mas Odone vê "evolução tática"

 

Há bastante tempo já, e até um pouco após a partida contra o Flamengo, sentia uma profunda raiva de nosso presidente Paulo Odone. As horas, porém, foram passando e o sentimento acabou se transformando. Já não sinto mais raiva, começo a sentir pena do velho. Juro.

Paulo Odone, em sua entrevista pós-jogo, só fez confirmar a impressão de que está entrando na fase da senilidade. Suas declarações não tinham o menor o sentido. Em sua incompreensível necessidade de alfinetar o antigo treinador a cada vez que se aproxima de um microfone, Paulo Odone disse que viu “evolução tática” na equipe que enfrentou o Flamengo. Só ele viu. E viu apenas porque seus olhos estão cegos pela inveja que sentia – e que ainda sente – de Renato Portaluppi. Sua voz chorosa e cansada, como se fosse a de uma pessoa com mais de noventa anos, suas ideias tão distanciadas do que foi a realidade do jogo, seu ressentimento incontrolável com o treinador que já se foi, sua falta de capacidade para reassumir o controle do grupo visivelmente rebelado contra seu comando, as visíveis demonstrações de que está perdido e já não sabe o que fazer, enfim, tudo isso faz de Paulo Odone uma pessoa digna de pena.

Tudo bem, Paulo Odone jamais foi o maior de todos os presidentes da história gloriosa do Grêmio, longe disso, nomes como os de Fábio Koff e Hélio Dourado ainda estão milhões de anos-luz à sua frente, no entanto, Odone nunca foi, nem ninguém jamais acreditaria que viesse a se tornar, essa desastrosa incompetência ambulante que parece ter se tornado de repente, assim de uma hora para outra, sem mais nem menos. O que houve? De onde vem tanta capacidade de errar? De onde saiu esse desconhecido talento para o equívoco? Como é possível que uma pessoa possa, subitamente, começar a passar sucessivos e quase diários atestados de burrice e incompetência? De onde vem essa insuspeita aptidão para o erro?

Será que Paulo Odone se deixou abater assim tão inexoravelmente apenas porque perdeu Ronaldinho para o Flamengo de Patrícia Amorim?

Será que o deputado reconhecidamente elitista e reacionário, que sempre fez uso do mandato em defesa dos interesses da elite abastada do estado, que sempre lutou pelas privatizações, que sempre deixou transparecer (ao menos aqueles que não se deixam enganar) que não está interessado em políticas públicas que favoreçam os mais fracos, que acredita que lugar de pobre é na pobreza e que quem tem que comandar são eles, os privilegiados detentores do capital, não consegue superar o trauma de ter sido derrotado por uma mulher? Será que nosso querido presidente, além de tudo isso, é também um sexista?

Coincidência ou não, o presidente Paulo Odone só mergulhou nesse abismo existencial e passou a ser essa figura humana irreconhecível, patética, caquética e digna de dó após o fracassado episódio da contratação de Ronaldinho, “a maior de todos os tempos no futebol brasileiro”, segundo palavras de sua própria diretoria. Ledo engano. A história acabou se constituindo, isso sim, no maior mico de todos os tempos. Contratação anunciada por mais de uma vez, discurso no vestiário para conscientizar os atletas de que Ronaldinho “estava chegando” para ajudar, caixas-de-som no gramado, torcida convocada, tudo pronto para a chegada daquele que nunca veio. Odone perdeu Ronaldinho para o Flamengo, que não tem um presidente, mas sim uma presidenta. Odone foi derrotado por uma mulher. Isso já é demais para um velho caudilho reacionário da velha direita gaudéria. Odone sucumbiu, entrou em uma crise da qual não saiu até hoje. Afundou-se nela e está afundando consigo o nosso Grêmio. Será que ele não vê o que está fazendo? Ninguém vai dizer para ele que o fracasso absoluto em que tem se constituído cada uma de suas escolhas ao longo deste ano ainda vão acabar nos levando de volta à Série B?

Eu não lembro se Flávio Obino cometia tantos erros e tão rapidamente como Odone vem cometendo em 2011, não lembro mesmo. Eu acho que nunca vi tantas asneiras em sequência. E olhem que ainda não estou considerando o anúncio da contratação de Wellington Paulista. Vou esperar a segunda-feira.

Odone precisa se resolver, se reencontrar com sua racionalidade, parar de se preocupar em tentar deslustrar o brilho de velhos e eternos ídolos que já nem estão mais no clube, assimilar o fato de que foi superado por uma mulher, procurar um geriatra, um psiquiatra, sei lá. Ou então se declarar impossibilitado e, para o bem do Tricolor, antes que seja tarde demais, deixar vago o cargo de presidente.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s