Rothólatra. (ou Fuma Essa, Torcedor)

 

Dois anos após o encerramento de sua terceira passagem pelo Imortal, Celso Roth está de volta para uma quarta. A relação do Grêmio com Roth se parece, e muito, com a que tenho com o cigarro. Cada tentativa minha de abandonar o tabagismo acaba sempre numa desesperada reaproximação que, logicamente, é muito criticada pela maioria das pessoas que gostam de mim. Com Grêmio e Roth é mais ou menos a mesma coisa, pois cada demissão do velho treinador acaba, invariavelmente, em recontratação. E como era de se esperar, não são poucas as pessoas que criticam essas ‘recaídas’. Celso Roth parece mesmo ser um vício nosso. Uma dependência física e psicológica, uma dolorida necessidade que nossos dirigentes sentem de correr pra ele a cada vez que a coisa não vai como a gente quer. Paciência, gente. Vícios são coisas difíceis de curar.

Eu mesmo nunca fui fã de Celso Roth. Quem me conhece sabe disso. Chegava a dizer em 2008, que não conseguia acreditar que o Grêmio fosse mesmo capaz de ser campeão brasileiro sob seu comando. Não acreditava, simplesmente não podia acreditar. E o Grêmio acabou não sendo campeão mesmo, simplesmente não. Depois de liderar por várias rodadas, depois de abrir uma vantagem quase indesmanchável sobre os concorrentes, o Grêmio e Celso Roth acabaram em segundo. Bem a cara do Roth. Não foi o único culpado daquele fracasso, mas foi um dos maiores, não tenho dúvida disso.

No entanto, a situação de agora é bem diferente. Ninguém aqui está falando em ver o Grêmio ganhar a Série A de 2011 – só ele, o Celso. O que estamos a discutir, já faz algum tempo, é que o Tricolor precisa conquistar uma vaga à Série A de 2012, coisa que, com Julinho Camargo de treinador, estava ficando cada vez mais improvável. De minha parte, juro, eu achava impossível. Com Julinho seria impossível. Com Roth isso vira uma certeza. Não é grande coisa, eu sei, apenas lutar para não cair, ambição pequena demais para um clube da grandeza do nosso, mas, afinal, é assim que estamos. Foi até aqui que a desastrosa gestão Odone-AVM nos trouxe.

Desde que o presidente Odone cometeu a sandice de demitir (ou forçar o pedido de demissão de) Renato Portaluppi, nunca deixei de acreditar que seu verdadeiro desejo era trazer Roth para seu lugar. Trouxe Julinho Camargo. Muito mais por medo da reação da torcida, creio eu, do que por qualquer outro motivo. Se Roth tivesse sido contratado imediatamente após a saída do Portaluppi, não tenho dúvida, seria o caos. A multidão que, comovida, literalmente abraçou o carro de Renato numa romântica tentativa de fazê-lo ficar ali no Olímpico, talvez para sempre, seria multiplicada muitas vezes e uma multidão muito maior seria formada, tomaria os arredores do estádio, como a tentar impedir que Celso Roth assumisse o lugar daquele que jamais deveria ter sido afastado. Celso Roth, o mal amado, não poderia jamais substituir a Renato, o sempre amado. Seria uma ofensa grave demais. Celso Roth só poderia vir após a passagem de um treinador muito, muito fraco. Um inexperiente, um amador. Um Júlio Camargo.

E foi assim que aconteceu. Ao final, aquilo que parecia a maior de todas as burrices cometidas pela gestão Odone – e vejam que foram muitas -, acabou se tornando numa bela estratégia. Celso Roth está contratado, desde ontem o velho Roth de guerra é o nosso treinador, e, muito embora haja uma parcela de desgostosos entre a Nação Tricolor, a grande maioria está feliz por seu retorno. Celso Roth voltou. A torcida aplaude. Ironia? Não, é o vício. Odone está feliz. O treinador que ele gosta está treinando o time que ele gosta. Odone, um Rothólatra de carteirinha, conseguiu. Tirou o treinador que gostávamos e o substituiu pelo treinador que ele gosta e ainda conseguiu deixar um monte de gente contente com isso. Todos sabíamos que isso ia acabar assim, que Celso Roth iria voltar, afinal, para Odone, o Grêmio é dele, ele é Odono do nosso Imortal. Por enquanto.

Roth não vem para tirar o Grêmio do jejum de títulos iniciado em 2002. Ele vem para cumprir uma tarefa infinitamente mais modesta, a de deixar o Grêmio entre os dezesseis melhores nesse campeonato que tem vinte participantes. Isso ele consegue. Consegue fácil.

O ano está salvo.

Seja bem-vindo, Professor.

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2 opiniões sobre “Rothólatra. (ou Fuma Essa, Torcedor)”

  1. Concordo com tua análise…

    Aguentar Roth de novo até que é fácil. Agora ficar eternamente torcendo pra não cair é terrível! Até quando vamos ficar nessa???

    Quero o meu Grêmio de volta! Aquele que brigava por títulos e não pra se manter na primeira ou por vagas em Libertadores…

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