Luxemburgo e “a crise no Grêmio”

 (Foto: Vitor Rodriguez/Grêmio FBPA)
(Foto: Vitor Rodriguez/Grêmio FBPA)

O Grêmio tá com cara de crise. Não dá pra negar, mesmo sendo muito gremista, que o clube demonstra fortes sintomas de crise.

Se a gente for pensar, as raízes destas coisas ruins que vêm acontecendo ultimamente já são bastante antigas. O Grêmio vem vivendo ‘em estado de crise’ desde os tempos do mal explicado ‘Caso ISL’. Essa associação mal-sucedida levou o Tricolor a um estado de semi-falência, jogou o clube (mais uma vez) na Série B e provocou uma divisão que julgo deva ser eterna entre os caciques do clube. Odone/Guerreiro de um lado, Fábio Koff de outro.

Não vejo nenhuma possibilidade de reaproximação entre estes grupos, e isso ficou ainda mais claro quando do dia da posse de Fábio Koff, ao final de 2012. O clima de inimizade era indisfarçável. Mais tarde, a maneira como Fábio Koff se referiu à Arena, uma realização do Grêmio, mas que Paulo Odone fez questão de personalizar, deixa clara a guerra de egos existente entre esses dois gremistas ilustres. Há uma disputa de beleza que, julgo eu, jamais chegará ao fim. As vaidades de Odone e Koff, a mim parece, tão grandes se tornaram que já não cabem mais em um mesmo clube. Ainda que o Grêmio mantivesse os dois estádios, Monumental e Arena, ainda assim não haveria espaço suficiente para abrigar dois egos tão agigantados.

A gente deveria estar falando sobre Eduardo Vargas, que amanhã desembarca no Salgado Filho, para assinar com o Imortal e ser fotografado pela primeira vez com a sagrada camisa tricolor. No entanto, a notícia relevante da Azenha (ou seria do Humaitá?) é a crise. Não dá, desta vez, para querermos responsabilizar a mídia, não dá para acusá-la de estar tentando criar a crise. Os fatos ocorrem, a mídia os repercute e assim expõe a crise. Crise que parece até já ter um responsável. Para muitos senhores ‘especialistas’ o responsável pelas más notícias vindas do Imortal é um só: Vanderlei Luxemburgo.

Mundstock e Selaimen

Cá estamos ainda em janeiro. A nova gestão não tem mais do que três semanas, no máximo. Dois dos principais nomes escolhidos pelo presidente Koff já foram incinerados.

Fábio Mundstock e “o segredo do cofre”

Fábio Mundstock foi a primeira demonstração de que a crise era real, e não uma conspiração da mídia imparcial para desestabilizar a nova direção e seu projeto de reconquistar a América.

Numa atitude amadora, inesperada, incompreensível e imperdoável, o dr. Mundstock, tomou a iniciativa de mandar email para um jornal gaúcho expondo a intimidade do clube. Fez acusações ao treinador e equivocadamente afirmou que Luxemburgo houvesse feito campanha em favor do ex-presidente Odone. Não me pareceu que o tivesse. Segundo o email de Mundstock, que mereceu resposta de Luxemburgo em seu blog, o grande ‘nome do cofre’ seria o do zagueiro uruguaio Lugano, que só não teria sido contratado porque ‘o treinador não aprovou’. É possível que Luxemburgo tenha mesmo vetado a contratação, eu sei lá, o que sei é que já faz alguns anos que o Grêmio, assim como outros grandes clubes brasileiros, vem ameaçando contratar Lugano mas ninguém o contrata de fato. Lugano não veio em 2013 da mesma forma que não tinha vindo em tantas outras temporadas anteriores, quando Vanderlei ainda não estava aqui. Mundstock fez aquilo que não devia e acabou demitido pelo presidente que o convidara a participar da gestão do clube. De quem é a responsabilidade, de Luxemburgo?

Omar Selaimen e a “experiência decepcionante”

Omar Selaimen não precisou ser demitido, ele mesmo tomou a iniciativa de se demitir. A versão que dá a respeito de sua decisão de demitir-se, portanto a versão oficial, é de que foi movido inteiramente por razões particulares. Não houve, segundo o próprio Selaimen, nenhum atrito com qualquer pessoa do clube, da direção ou da comissão técnica. Não houve, afirma ele, divergências ou incompatibilidade com o treinador. Omar Selaimen diz que foi surpreendido pelo que viu à sua frente, que as coisas não eram como imaginava que fossem e que se deparou diante de situações com as quais não saberia lidar. Decidiu sair. Por amor ao clube, Omar Selaimen abriu mão do cargo que ocupava há tão pouco tempo. De quem é a responsabilidade, de Luxemburgo?

Gremista, eu fico aqui assistindo a todas essas coisas e tentando entender por quê elas ocorrem. Como podem ter durado tão pouco tempo essas duas escolhas do experiente e competentíssimo Koff? Já tinha escrito que estranhava as escolhas. Se é mesmo verdade que Koff quis ‘homenagear’ Omar Selaimen e Fábio Mundstock com estes cargos como forma de reconhecimento aos relevantes serviços prestados durante sua campanha à presidência do Tricolor no biênio 13/14, então fica fácil identificar o responsável por essa crise de autoridade agora instalada no clube. E esse cara não é o Luxa.

Vilson e Gabriel

Por atos de indisciplina, durante e após treinamento no Equador, Vilson acabou afastado do time que enfrentará a LDU na estreia gremista na pré-Libertadores 2013. Há muitas versões que tentam acusar o treinador de falta de tato e abuso de autoridade. Se Vilson deu demonstrações de instabilidade emocional durante um simples jogo treino, o que esperar na hora que fosse uma partida oficial valendo a continuidade na Libertadores? Se Vilson se recusou a retomar um trabalho que ainda não havia se encerrado – em síntese, se ele se recusou a trabalhar -, então não  deve haver condescendência. Vilson deu piti e foi acertadamente afastado.

Não vou aqui discutir as qualidades de Vanderlei Luxemburgo como treinador. Ele se tornou reconhecido no mundo inteiro, cada um que faça seu próprio juízo a respeito do trabalho do Vanderlei. O que não dá para discutir é a autoridade de um treinador, essa tem que ser acatada e ponto final. Exemplos do mal que a falta de autoridade de um treinador pode fazer em um grupo temos visto aos montes na beira do rio dos últimos tempos.

Gabriel está deixando o Grêmio. Finalmente. Gabriel, na relação custo-benefício, só se justificou durante 2010. Encostado lá na Azenha há dois anos, Gabriel tornou-se um peso morto, um desperdício de dinheiro bastante ironizado por alguns ‘especialistas isentos’.  Possivelmente o lateral de valor discutível permaneça em Porto Alegre. Provavelmente, se for contratado pelo clube da beira do rio, até mesmo faça um bom campeonato gaúcho. E paramos por aí. Embora já haja quem queira debitar a saída deste atleta também na conta de Vanderlei Luxemburgo, não devemos esquecer que ele só foi titular durante a permanência de Renato no Grêmio. E entre a saída de Renato e a chegada de Luxemburgo muitos outros treinadores tiveram a chance de escalar Gabriel no time titular, nenhum o fez. Gabriel não joga nada há dois anos por culpa única e exclusiva dele mesmo. Nada a ver com Luxemburgo.

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Outras opiniões

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2 opiniões sobre “Luxemburgo e “a crise no Grêmio””

  1. Aguardemos a morte destes Srs., que são tão mortais como todos nós e neste momento irá abrandar ao menos a divisão existente, o único imortal é o nosso TRICOLOR. Já o Luxa tem os dias contados no Grêmio, podem escrever pois não fará nada que preste de novo, está de dono, por falta de pulso do Sr. Koff.

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