“A torcida mais racista do Brasil”

(Foto: Gazeta Press)
(Foto: Gazeta Press)

Bah, que merda, meu! Eu nem faço ideia de quem seja Breiller Pires, o cara que assina essa matéria publicada no site da Placar. 

Bah, que raiva, meu! Eu nem fui na Arena ontem. Estava em casa ouvindo o jogo. Quando o Santos fez o segundo gol, em jogada irregular, eu podia ter procurado imagens do lance na internet. Mas não procurei. Deixa, eu pensei. Depois que o juiz não viu, não adiantam todas as imagens do mundo mostrar. Já era, pensei. Deixa pra lá. 

Bah, que pena, meu! Descobri que estou incluso no grupo de pessoas mais racistas do país. Eu não queria ser racista. Juro, não queria mesmo. Mas eu sou gremista, gremista desde os tempos em que morava em útero escuro e quentinho, então…

Bah, que inferno, meu! Não gosto de ver essa gente toda batendo no Grêmio. Mas fazer o quê? O Grêmio tá pagando o preço de suas escolhas.

Antes que o Peixe abrisse o placar o Grêmio poderia ter marcado um ou dois gols. Oportunidades não faltaram. O que faltou foi capacidade. Barcos necessita de quatro mil quinhentos e quarenta e oito chances para conseguir aproveitar uma delas só lá de vez em quando. Caras como Luan, Dudu e Alan Ruiz, esses nem de vez em quando. A bola fica à disposição de qualquer idiota que venha e apenas a coloque nas redes, mas não, no Grêmio ninguém é idiota o bastante pra fazer isso. As chances surgem mas o gol não sai, a gurizada enlouquece.

Daí o outro time aparece no segundo tempo com um goleiro que fica mais tempo deitado simulando lesão do que de pé jogando futebol. A gurizada enlouquece ainda mais. Impotente, a torcida quer agredir, quer ofender. 

Na metade do segundo tempo, ontem, comecei a lembrar da final da Taça Piratini 2011. Tudo o que o Caxias não queria naquela noite era enfrentar o Grêmio. Jogar era a última coisa que o time da Serra queria fazer. Foram seis minutos de acréscimos naquela segunda etapa. A esses seis, mais dois foram acrescidos em razão de uma briga a socos após o gol de Rafael Marques. Naquela noite Márcio Chagas teve muitos motivos para acrescer seis minutos ao tempo de jogo, um deles foi o fato do goleiro caxiense, assim como fez o santista ontem, passar mais tempo deitado que em pé. A torcida gremista odiou o goleiro do Caxias mais do que tudo naquela segunda etapa da final. E o xingou o mais que pode. E procurou os xingamentos e palavras que, imaginaram os torcedores, fossem os mais agressivos possíveis. André Sangali, naquela noite, deve ter sido chamado milhares de vezes de corno, viado, filho-da-puta e outras coisas assim. Ninguém, porém, pensou em chamá-lo de macaco. Por quê? Porque é branco. Brancos não são macacos, né?

Quando, ardilosamente, os então dirigentes do segundo maior clube do Rio Grande do Sul adotaram o macaco como símbolo do clube em substituição do Saci, estavam preparando a armadilha aos jovens incautos gremistas. Convidavam-nos a chamá-los de macacos. Quando colorados entoam: “Ah, eu sou macaco” é manifestação de torcida. Quando gremistas gritam: “Colorados macacos” é manifestação de racismo.

Bah, que porra, meu! Já não entendo mais nada. 

Não me sinto no direito de afirmar que a menina identificada pela TV seja realmente racista. Nem conheço a guria. Sua imagem tem sido amplamente divulgada. Sem nenhum cuidado, sem qualquer consideração. Já perdeu o emprego, dizem. Outras consequências ainda sofrerá. Mas por quê ela foi inventar de chamar o cara de macaco? Ah, porque ele é negro. E negros são macacos, né?

Bah, que nojo, meu! “Torcida mais racista do Brasil”. Sociedade hipócrita. Mídia irresponsável.

Quem é Breiller Pires? Por quê ele acha que tem o direito de escrever que eu sou racista? 

Gente é gente. É tudo igual. Brancos são negros que, por falha genética, nasceram com pouca melanina. Não tem nenhum macaco aqui. Gente é gente. É tudo igual. E ponto final.

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