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León de Huánuco (PER) 1×1 Grêmio–O Grêmio que esperamos e o que vemos

 

Carlos Alberto marcou um lindo gol, a comemoração, porém, foi de gosto duvidoso.

A distância entre o Grêmio que vemos em campo e aquele que esperamos ver é muito grande, e parece que a cada partida essa diferença aumenta ainda mais.

O ponto conquistado contra o León, no Peru, praticamente classifica o Imortal, desde que não invente de ser derrotado no Monumental, em sete de abril, é claro. Mas a forma como o Tricolor conquistou esse ponto é extremamente preocupante. O Grêmio de 2011 não se parece em nada com o de 2010, aquele que jogou o melhor futebol do returno do Campeonato Brasileiro, e nos encheu de esperança quanto às nossas possibilidades nessa Libertadores.

Aquele time tinha Jonas e André Lima, hoje não tem mais, é verdade. Lúcio e Douglas estavam voando ao final de 2010, hoje não conseguem repetir nada nem parecido, também é verdade. Tudo isso contribui, e muito, para a queda de rendimento da equipe e a consequente reversão de expectativa da torcida Imortal. Mas não é só isso, tem o Renato, também. Renato está diferente. Virou teimoso, insiste em valorizar seus amiguinhos e com isso só consegue prejudicar a equipe e a si mesmo.

>>> Assista os melhores momentos de León de Huánuco 1×1 Grêmio

Escudero, que não sei se é bom ou ruim, deveria ter jogado contra o León. Não há desculpa. Gilson não tem condições de ser titular do Grêmio. Não há desculpa. Depois de ter inventado um time que não tinha a menor chance de não perder para o Cruzeiro no Olímpico, desperdiçando uma das poucas chances que os associados têm de assistir o Imortal nos primeiros meses do ano, Renato ficou devendo ao torcedor. Particularmente, acreditei que o treinador tivesse compreendido isso e que fosse fazer seu time esmagar o fraco adversário que enfrentou no Peru. Era o mínimo que se poderia esperar. Concentração total, inteira dedicação ao jogo da Libertadores, afinal, foi essa a razão da escalação daquele time ridículo contra o Cruzeiro. No entanto, não foi o que aconteceu. Renato foi ao Peru brincar de passar trotes, falou o que não devia, perturbou ainda mais um ambiente que já não andava tranquilo, perdeu o foco. E foi desfocado e pouco sério que o Grêmio atuou durante quase toda a primeira parte do jogo de ontem. O gol ao final do primeiro tempo foi um castigo merecido para um grupo de onze homens dispersos e desconcentrados, que não poderiam ser considerados uma equipe.

Carlos Alberto marcou o gol de empate, e segue sendo o melhor amigo do chefe. (Foto: Reuters)

No segundo tempo o Imortal melhorou um pouco. Carlos Alberto fez o gol de empate. Um golaço. Mas isso não apaga o fato de que teve, mais uma vez, uma atuação pálida e apagada.

Não vencemos o jogo. Não poderemos, quase com certeza, alcançar a primeira colocação do Grupo 2 da Libertadores. Não parece, a julgar pelas atuações que tivemos até agora, que estamos realmente na briga pelo título da Copa. Porém, ainda não estamos completamente fora dela. Nas fases mata-mata, decidindo em casa ou não, Renato vai saber o que fazer. Se ainda estiver por aqui, é claro.

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Grêmio 0x2 Cruzeiro-POA–É brincadeira!

 

Carlos Alberto jogou pouco e ainda acabou expulso Foto Agência Estado

Que o Renato é um cara malandro, não há quem discorde. Que o cara é muito foda, todos concordam e o próprio Fábio Rochemback testemunhou ao final da partida contra o Caxias. Mas há limite para tudo. Por mais fã que eu seja do Renato, por mais que eu seja um puxa-saco do Portaluppi, hoje não tem como aliviar. Faltou um pouquinho de inteligência ao Renatão.  Nem estou me preocupando tanto com a derrota de hoje, não é isso. Ainda que eu me inclua entre aqueles gremistas que realmente acreditam que treino é jogo e jogo é guerra, e ver o Grêmio escalado deliberadamente para perder, como foi o caso de hoje à tarde, me irrite profundamente, não acho que isso seja o mais importante. Quero ganhar o Campeonato Gaúcho, quero ganhar tudo e, especialmente, quero ver o Grêmio ganhar a Libertadores. O argumento, ou pretexto, de Renato para [tentar] justificar a equipe escalada para enfrentar o Cruzeiro-POA foi exatamente a necessidade de poupar forças para a Libertadores. Isso não está totalmente errado. Porém, essa não é a melhor estratégia. Se o Grêmio pretende mesmo chegar “com tudo” até a final da Libertadores, não deveria, então, descuidar-se da Taça Farroupilha. Que melhor maneira encontraria o Imortal de chegar completamente inteiro até as fases decisivas da Libertadores da América, do que ganhando a Taça Piratini e evitando, assim, o desgaste de duas partidas extras para a decisão do desvalorizado Gauchão 2011?

>>> Veja os gols de Grêmio 0x2 Cruzeiro-POA

Todo gremista recorda a campanha ‘quase’ vitoriosa de Renato e seu Fluminense na Libertadores de 2008. O que talvez alguns tenham esquecido é a declaração dada pelo Portaluppi de que iria “ganhar a Libertadores e apenas brincar no Campeonato Brasileiro”. Todos sabem o que aconteceu. O Fluminense não ganhou aquela Libertadores e de tanto brincar no Brasileirão quase acabou rebaixado. Renato perdeu o emprego e foi parar no Vasco, onde foi realmente rebaixado. E tudo começou numa simples brincadeira.

Mudar a cor do cabelo não deu mais futebol a Carlos Alberto Foto

Não estou dizendo que é isso o que vai acontecer com o Tricolor. Não, claro que não, não queremos isso. O que estou dizendo é que escalar o time de hoje foi brincadeira, sacar Mário Fernandes no intervalo e permitir que Carlos Alberto seguisse em campo foi brincadeira, tomar as dores do amigo e ser expulso por causa das bobagens do cara de cabelo azul já é mais do que brincadeira, isso já chega a ser molecagem. Chegar ao final do jogo perdendo por dois a zero, dentro do Monumental, e com Clementino de capitão, daí é overdose. Muita brincadeira numa tarde só, e tudo bricadeira sem graça, de mau gosto.

Pare com essas coisas, Portaluppi. Quer brincar? Então brinque de ganhar, meu velho. É muito mais divertido.

A quarta-feira do Grêmio não foi de cinzas, foi de glória

 

Victor Taça Piratini 2011 Foto Jefferson Botega clicRBSEm cada canto, cada esquina, cada grotão deste país enorme, o dia de ontem não escapou de ser apenas a famosa, conhecidíssima e monótona Quarta-feira de Cinzas. Mas não na Azenha. Aqui no Rio Grande não. A grande e valorosa tribo dos Imortais, a imensa maioria dos habitantes deste pago, viveu uma noite de guerra, de loucura e de glória. O Rio Grande anoiteceu em festa, e entre choros e lamúrias dos poucos representantes (cerca de 35% da população estadual) da amarga tribo vermelha, conhecida como Os Filhos de Mazembe, a madrugada foi de comemorações, espocar de foguetes e cerveja gelada. Não houve cinzas, pois mais uma vez, como sempre se repete, das cinzas se ergueu o Imortal, aos 50 minutos do segundo tempo, empatou o jogo, colocou justiça no placar e foi buscar a glória da vitória nos pênaltis. Bye, bye, Caxias, parabéns pelo esforço.

>>> Veja os gols da partida

>>> Veja as cobranças de pênaltis

Rafael Marques Jefferson BotegaJogando no Monumental, alentado por mais de vinte mil torcedores, e podendo contar com quase todos os titulares – Lúcio, descontado, não tinha condições para noventa minutos –, não deveria, teoricamente, ser muito difícil vencer o Caxias e conquistar a Taça Piratini. Não deveria. Teoricamente. Na prática, a teoria funcionou completamente diferente e o primeiro tempo da partida foi um verdadeiro pesadelo para os fiéis adeptos da religião do gremismo incondicional. Um desacerto só. Nada funcionava. Só o Caxias jogava, só o Caxias criava e, para nossa sorte, desperdiçava chances muito claras de gol. O primeiro gol do Caxias até que demorou a acontecer, o time da Serra merecia ter marcado bem antes daquele chute perfeito de Itaqui, que roçou na barreira e foi na direção de Gílson que, assustado, defendeu-se da bola e deixou o caminho livre para que ela, em altíssima velocidade, chegasse ao gol de Victor. Não acho que Victor tenha falhado. Não deu tempo de chegar na bola. Ele tentou. Não deu. Paciência. Caxias um a zero. Aos 39 minutos da primeira etapa, já sem Carlos Alberto, que nem deveria ter começado o jogo, e com Bruno Collaço em seu lugar, o que foi uma substituição errada, o Caxias ainda fez outro gol. Mais uma vez Victor não falhou. Não impediu o gol, mas não falhou. Caxias dois a zero. Willian Magrão, de fraquíssima atuação, mostrou, como sempre, ser um verdadeiro Guerreiro Imortal, marcou, em belo tiro de fora da área, o primeiro gol da reação Tricolor, que só viria, de fato, na segunda etapa do jogo.

O Grêmio voltou do vestiário modificado, não na escalação, mas na determinação, na vontade. Disposto a tudo pelo gol do empate, o Imortal foi para o campo do adversário e ficou lá. Porém as chances de gol não apareciam. A mudança, de fato, só foi começar a ocorrer quando Renato, enfim, resolveu tirar Gílson do time. A entrada de Lúcio, no meio campo, ao lado de Douglas, e passando Bruno Collaço para a lateral, o lugar onde deve jogar realmente, não demorou nem um pouco para começar a surtir efeito. Bastaram poucos segundos em campo para que Lúcio ‘pifasse’ o atacante Borges, que, cara a cara com André Sangalli, perdeu um gol que não tinha o direito de perder. Mas o Grêmio, que já não tinha mais nada a perder, seguiu perdendo muitas coisas naquela segunda etapa, perdeu gols, perdeu tempo nas ‘malandragens’ bobas do adversário, perdeu André Lima, lesionado no joelho, perdeu a cabeça quando Rodolfo, desesperado pela ânsia do gol salvador, envolveu-se num empurra-empurra e acabou expulso de campo. Porém, em nenhum momento o Imortal perdeu a esperança, jamais pensou em desistir, em aceitar a derrota. Lutou até o fim do tempo regulamentar, e depois disto ainda lutou por mais longos e tenebrosos cinco minutos antes que o amado gol ocorresse. Rafael Marques, aquele que critiquei em post anterior, marcou, aos 50 minutos do tempo final, o gol que salvava o Grêmio, o gol que não deixava o jogo acabar.

A vitória não veio no jogo, mas nos pênaltis. Depois de ter defendido quatro penalidades contra o modestíssimo time do São José de Porto Alegre, André Sangalli, todos diziam, tinha dado provas de que a SER Caxias era uma equipe que tinha goleiro. Bah, que bobagem! Goleiro, amigos, quem tem é o Grêmio. Grande Victor, monstruoso Victor. O avalista da conquista da Taça Piratini..

O Renato… Bem, o Renato é o Renato. “Ele é muito foda”, disse Rochemback, que, aliás, foi o melhor em campo.

willian magrao Agência EstadoOntem foi noite de festa na Azenha, no Menino Deus, no Humaitá, no Beco dos Maias, na Vila Brasília, no Moinhos de Vento, na Bela Vista, na Chocolatão, na Vila dos Papeleiros. Ontem foi festa em Canoas, na Alvorada, em Cacequi, Capão da Canoa e Quintão, até em Caxias do Sul teve festa. Ontem foi noite de Carnaval. Um Carnaval Tricolor. Parecia que não ia dar certo, parecia que tudo já estava perdido, que Os Filhos de Mazembe iam, enfim, tentar descontar um pouco do fiasco proporcionado em Dubai. Parecia que o Imortal havia perecido ante o humilde e bravo Caxias. Parecia. Imortais não morrem. Nunca morreremos. Em dia nenhum, muito menos numa Quarta-feira de Cinzas, pois a Fênix Tricolor, amargos secadores, das cinzas sempre se reergue, sempre se reerguerá gloriosa, majestosa, imponente, invencível. Imortal. Tricolor.