Arquivo da tag: CBF

E eis que Dunga virou herói nacional

Nas décadas de setenta e oitenta, quando o Brasil ainda praticava aquilo que ficou conhecido como "futebol arte" que deu ao país a fama que ainda mantém, mas que talvez já não mais mereça, não lembro que houvessem brasileiros que torcessem por outras seleções. E isso nada tinha a ver com a ditadura militar. Os brasileiros daquele tempo eram realmente apaixonados por nosso futebol e nossa Seleção. Apaixonados por jogadores como Pelé, Gérson, Rivelino, Zico, Falcão, Reinaldo, Éder, Ademir da Guia e tantos outros. No entanto, ainda assim, naquele tempo criticar o treinador da Seleção era prática comum. Zagalo e Telê não tiveram vida fácil na Seleção.

Na década de noventa, porém, a qualidade do futebol brasileiro e da própria Seleção começou a cair rapidamente, começaram a surgir jogadores absolutamente comuns como Mazinho, Silas, Muller e até o próprio Dunga vestindo a consagrada camisa Canarinho. O nível das Copas caiu bastante. Começaram a surgir aqueles que torciam por seleções de outros países e não mais pela brasileira. Nada mais normal então, que as críticas aos treinadores destas seleções ficassem cada vez mais ferozes e cada vez mais corriqueiras. O interesse despertado pela Seleção Brasileira  é hoje, incomparavelmente menor do que já foi em outros tempos.

Ora, a Rede Globo, detentora exclusiva dos direitos de imagem do time de Ricardo Teixeira – cedidos, em parte, à Rede Bandeirantes – não tem o hábito de desfazer do produto que está tentando nos vender. A Rede Globo, ano após ano, dia após dia, se desmancha em elogios ao produto ‘Seleção Brasileira’. Goste ou não do tal produto, a Rede Globo não se cansa jamais de elogiá-lo. Tudo para nos fazer crer que estamos diante de um grande time, capaz de realizar inesquecíveis atuações e que portanto seria muita estupidez de nossa parte se deixássemos de assistir a algum dos tantos jogos que a Seleção Brasileira realiza ao longo de cada ano.

Ninguém mais dá muita importância para a Seleção Brasileira, ninguém mais está muito interessado em assistí-la. Nosso interesse tem, ultimamente, se restringido ao período da Copa do Mundo ou, eventualmente, algum clássico contra a Argentina ou alguma grande seleção européia. Fora disso não nos interessamos demais.

Porém há algo que não mudou quase nada em relação aos tempos em que os brasileiros eram apaixonados por nossa Seleção: a aversão ao treinador. Dunga nunca foi exceção e até bem poucos dias atrás sua popularidade era baixíssima. Contudo algumas outras coisas andaram mudando também por aqui nestas últimas duas décadas. O brasileiro parece gostar cada vez menos de televisão, especialmente, parece gostar cada vez menos da Rede Globo. Parcela significativa do povo brasileiro simplesmente odeia essa emissora. Motivos existem em grande número. A Rede Globo tem muitos defeitos, pouca ou nenhuma credibilidade, além de um histórico de apoio explícito à ditadura. A Rede Globo faz um jornalismo tendencioso e descompromissado da verdade que não respeita nem mesmo as próprias fronteiras do país, ataca todo e qualquer líder político de esquerda em qualquer canto do mundo como se ainda vivêssemos no tempo da caça aos "comunistas". Então odiar, quando o objeto alvo do ódio é a famigerada Rede Globo, não pode ser considerado um defeito, até ao contrário, pode e deve, nesse caso, ser considerado virtude.

Mas onde entra o Dunga nesta história? Dunga resolveu ‘desacatar’ às ordens da Rede Globo. Pois é, por incrível que possa parecer, a Rede Globo, por acordo com Ricardo Teixeira, tem poderes para dar ordens aos integrantes da Seleção Brasileira. Dunga não gostou disto, não aceitou isto, e resolveu afrontar os poderosos e enfrentar o monstro Global.

Dunga virou herói nacional.

De onde teria vindo esse súbito ataque de insubordinação do ‘coronel’ Dunga? Logo ele, o Dunga, que sempre foi tão amigo do chefe, que sempre valorizou em seu grupo a amizade ao chefe, muito mais até do que a qualidade individual dos componentes do grupo. Será que o Dunga teria se rebelado contra o padrão Globo? Será que ele teria percebido que a Rede Globo trata-se apenas de uma emissora que tenta conduzir o comportamento popular para modelos de sociedade que ela mesma cria baseada unicamente em seus interesses? Será que Dunga se deu conta que a Rede Globo tenta induzir a população a votar em determinados candidatos que julga lhe serão mais convenientes e/ou generosos e considerou que isso é antidemocrático? Será que Dunga se importa com isso? Logo ele que disse não ter opinião sobre a ditadura militar, que disse não ser capaz de julgar se o período da escravidão havia sido algo bom ou ruim, que declarou não ter opinião a respeito do apartheid.

Não, Dunga não pensou em nada disso. Dunga é teimoso, obstinado, convicto das coisas que quer. Dunga sabe o que quer. E o que Dunga quer é que seus atletas ganhem a Copa do Mundo. Não quer que riam, que brinquem, que dancem, que façam sexo, não quer nem mesmo que joguem futebol ou falem à Rede Globo, ele só quer que eles ganhem a Copa, só isso.

A atitude rebelde de Dunga nada teve de rebeldia ou indignação contra uma empresa poderosa e mal-intencionada como a Rede Globo. Tudo não passou de pura teimosia.

E foi por isso, por teimosia, que ele virou, de repente, herói nacional.

Talvez seja por isso mesmo que Dunga até ganhe a Copa da África, por teimosia. Afinal, agora ele teimou que vai ganhar.

A Pátria, a CBF e o time do Dunga

Há alguns anos atrás as manhãs de domingo eram as ocasiões em que nos lembrávamos de que éramos brasileiros, era nestas manhãs que exercitávamos todo o nosso patriotismo, e fazíamos isto torcendo por Ayrton Senna.

Não somos um povo guerreiro, não somos dados a conflitos, não temos inimigos e, embora o pré-candidato tucano tenha andado puxando briga com meio-mundo nos últimos tempos, a verdade é que não deveremos ter algum tão cedo. Até porque esse tal pré-candidato parece cada vez menos candidato e suas chances de se tornar presidente e colocar em prática sua política internacional de confrontação diminuem a cada pesquisa de intenção de votos.

Nossos confrontos contra outros países geralmente se dão no campo esportivo. A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos têm sido, desde que Rubinho Barrichello assumiu, ou tentou assumir, o lugar de Senna, nossas grandes chances de fazermos alguma demonstração de patriotismo. Não temos, graças a Deus, nenhum rei ou rainha que nos una, não estamos disputando a posse de nenhum território nem há ninguém que queira discutir conosco o nosso direito à soberania sobre nosso gigantesco país. Nada disso.

Que somos todos brasileiros é algo de que nos lembramos mesmo é na hora do jogo, na hora que algum atleta ou seleção brasileira está disputando uma medalha olímpica ou então, e principalmente, quando a Seleção Brasileira entra em campo. Nestes momentos todos nós nos unimos em torno de algo comum.

Todos nós?

A imensa maioria dos brasileiros estará torcendo pelo time de Dunga, a chamada Seleção Brasileira, nesta Copa. Alguns, porém, não o farão. Eu não farei. E pelos meus motivos.

A começar pelo fato de que a Copa do Mundo é, para mim, apenas um evento esportivo. Ganhar ou perder uma Copa não significa mais do que apenas ser bom ou ruim de bola. Ganhar uma Copa não torna um país ou um povo melhores por isso. Já pensaram se ganhar uma Copa significasse ser o melhor país do mundo? Imaginem. O Brasil já ganhou várias Copas. Se ganhar uma Copa significasse crescer como Nação seríamos a mais avançada do mundo.

Que motivos tinha eu para torcer pelo time de Dunga e da CBF na manhã de hoje? Assistir um enfrentamento entre Brasil e Zimbabwe e torcer pelo Brasil é, mesmo sendo brasileiro, imperdoável. Ainda mais em um jogo amistoso. É algo parecido com assistir o duelo entre Davi e Golias e torcer contra o Davi. É, mal comparando, ficar ao lado de Israel em sua luta eterna contra a Palestina. Imperdoável.

Se eu já não acho que futebol tenha algo a ver com Pátria, menos ainda acho que o jogo de hoje tinha algo a ver. Nenhum sentimento de patriotismo seria capaz de me fazer torcer pelos azuis no amistoso desta manhã. O time de Dunga e da CBF, que cobrou 1,3 milhão de euros dos impostos recolhidos pelo povo pobre do Zimbabwe apenas para ajudar na auto-promoção do regime do ditador Robert Mugabe, não estava ali para representar o Brasil, ele estava ali para engordar os cofres da entidade e para isso fez uso do nome do Brasil. Imperdoável.

Já assisti muitas Copas e meu comportamento nesta próxima não deverá ser diferente daquele que venho demonstrando desde a Copa de 1986, vou estudar caso a caso. Vou estar torcendo por um time diferente a cada partida, sempre dando preferência aos países mais pobres. Nada impede que eu torça pelo Brasil em caso de termos que jogar contra a seleção de um rico país europeu ou contra os EUA, mas não creiam que eu vá torcer contra a Costa do Marfim. Isso é apenas mais uma Copa.

Sabemos que o Brasil, que sediará e provavelmente vencerá a Copa de 2014, não precisa de mais uma Copa. Sabemos que o Brasil sempre que entra em campo, ainda que não precise, conta com a simpatia da arbitragem. Sabemos o que significaria para a África se algum país africano conseguisse vencer esta Copa. Torcer pelo Brasil, que não precisa de outra Copa, seria torcer contra a África, a sofrida, a saqueada, a agredida e esquecida África. Seria torcer contra a  África, de quem os brancos, de tanto roubarem vidas e riqueza no passado e no presente, roubaram também o futuro. Imperdoável.

A Seleção do Zangado, quero dizer, Dunga

Zangado, o anão (intelectual) que treina a Seleção Brasileira e todos chamam de Dunga, fez as suas escolhas. Cabe a mim fazer as minhas.

O estúpido, quero dizer, o treinador, fez uma escolha tão ridícula, quero dizer, tão convicta, que me deixou cheio de opções. Eu tinha apenas um time para torcer antes deste descalabro, quero dizer, desta convocação, agora tenho trinta e um.

O Zangado, quero dizer, o Dunga, sempre foi péssimo com a bola. Eu vi o cara tentar jogar e posso testemunhar: ele não conseguia. Não havia motivo razoável para justificar que Zangado, quero dizer, Dunga, fosse jogador de futebol profissional. Que fosse jogador da Seleção Brasileira, isso então era a negação da racionalidade. Nenhuma seleção que tivesse o Zangado, quero dizer, o Dunga, poderia ser campeã de nada, a menos é claro, que tivesse uma dupla como Bebeto e Romário. Com uma dupla destas tudo o mais se tornava irrelevante.

Zangado, quero dizer, Dunga, foi o cara que ergueu a taça em 94, ele lembrou disso hoje. Não lembrou, é claro, dos verdadeiros responsáveis pela conquista daquela Copa que, digamos a verdade, o Brasil só ganhou porque alguém tinha de ganhar e porque Bebeto e Romário estiveram perfeitos. Não foi Romário quem ganhou aquela Copa, como dizem alguns e acreditam outros, foi a perfeição da dupla que fez a diferença.

Pois o Zangado, quero dizer, o Dunga, depois de ter demonstrado que não sabia jogar absolutamente nada, mas tinha a sorte de ver-se cercado por craques, ficou velho e virou treinador. A coisa mudou um pouco agora e estar ou não cercado de craques já não é mais uma questão de sorte, mas de opção. O treinador (ele é treinador, né?) fez as suas opções, não me parece que tenha optado pelos craques, que são, bem lá no final da história, aqueles que resolvem as coisas. Ao menos é assim que acontece na maioria das vezes, embora em algumas não pareça. Zangado, quero dizer, Dunga, fez a opção pelos ‘comprometidos’, leia-se ‘puxa-sacos do chefe’, que é o que afinal ele foi.

Dunga, quero dizer, Zangado – ah, não, desta vez estava certo –, foi muito mal nas escolhas, porém foi ainda pior nas justificativas. O momento mais lamentável da entrevista coletiva foi quando, tentando se utilizar de metáforas como muito bem o faz o presidente Lula, Zangado, quero dizer, Dunga, falou de escravidão e ditadura. Disse o atual treinador(?) que não tinha condições de julgar se a escravidão havia sido boa ou ruim, pelo simples fato de que ele não havia vivido o período da escravidão, da mesma forma, e pelos mesmos motivos, não poderia dizer se a Ditadura Militar havia sido boa ou ruim para o Brasil. Não estou inventando nada, ele disse mesmo isso.

Diante de tais declarações não tenho como ficar zangado (quero dizer… não, não quero dizer nada, agora tá certo) com o Zangado, quero dizer (agora sim), Dunga, o cara é incrivelmente burro, totalmente alienado e (posso dizer?) simplesmente desprezível. Deixa ele lá com o time dele. Fico eu cá com os meus trinta e um. E começo com a Costa do Marfim, de Drogba, e para o segundo lugar do grupo eu quero o Portugal, de Cris Ronaldo.