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Sobre "Os jogadores de Paulo Odone"

Segundo o Blog Grêmio Acima de Tudo, a gestão Duda Kroeff é, até o momento, a recordista em número de atletas utilizados em um biênio: 63. E aponta que a atual gestão já se aproximou perigosamente deste número, mesmo faltando ainda bastante tempo   para o final do mandato. Segundo o blog, 61 atletas já vestiram a camisa tricolor desde o início da gestão Odone. Não há dúvidas de que o recorde indesejável de Duda Kroeff será superado em breve. Particularmente espero que seja o mais breve possível. Precisamos de dois zagueiros de qualidade e pelo menos mais um jogador de meio-campo, um armador. Sendo assim, se o fato de fazer uso de tantos atletas diferentes em tão curto espaço de tempo já é algo a ser lamentado, não quebrar esse triste recorde, deixar as coisas como estão e seguir em frente com o que temos, seria ainda muito pior. Então, quebremos logo essa porcaria de recorde!

O Grêmio Acima de Tudo enumera algumas hipóteses que teriam levado a gestão atual a esse número exagerado e propõe que cada gremista reflita sobre isso e que tire suas próprias conclusões.

Pois foi bem isso o que fiz, e as conclusões a que cheguei após ter refletido (um pouco) sobre o assunto exponho abaixo:


Da falta de planejamento

Ronaldinho Gaúcho não veio, o plano infalível falhou.

Que se saiba, a gestão Odone iniciou com um ‘grande plano’, não com um bom planejamento. O tal grande plano era infalível, não tinha como dar errado. Mas, tal como os planos infalíveis imaginados por Cebolinha para derrotar a Mônica, falhou, deu tudo errado. Estou falando da contratação de Ronaldinho. Prometido, assegurado e anunciado na Azenha, Ronaldinho acabou aninhado na Gávea. Toda a estratégia de marketing que supostamente seria lançada a partir de sua chegada foi pelo ralo. Renato Portaluppi, o motivo de milhares de novas associações, foi esquecido, abandonado, rejeitado e, às vezes me parece, até boicotado.

Nada mais funcionou dali pra frente. O fiasco em que se converteu o festejado repatriamento de Ronaldinho desencadeou uma interminável sucessão de erros primários, verdadeiramente amadores, por parte do então vice-de-futebol Antônio Vicente Martins. Foi um erro após o outro, um fiasco em cima de outro. Tudo era feito às pressas, sob pressão, sem convicção e sem resultado.

Penso que nada, a partir da decepção gerada pelos irmãos Assis, chegou mesmo a fazer parte de algo planejado, de algo que tivesse suas consequências avaliadas de antemão. Antônio Vicente Martins nunca teve um plano. O Grêmio, portanto, não tinha planejamento.

AVM se foi, para substituí-lo Paulo Odone trouxe um outro Paulo, o Pelaipe, velho conhecido, companheiro de campanhas ‘quase’ vitoriosas em 2007 e 2008. Pelaipe, porém, não veio para ajudar o Grêmio, não veio por voluntarismo, Pelaipe chegou cobrando salário, um alto salário. Chegou na emergência, na necessidade, e na necessidade saiu contratando. Das contratações que fez, Júlio César foi a única que surtiu efeito positivo, as outras não passaram de perda de tempo e desperdício de dinheiro. Mas 2011 acabou. Sem títulos, sem glórias, sem nem mesmo uma vaga na Libertadores. Era hora de planejar 2012, o último ano do Monumental.

Ainda antes da chegada do novo ano a direção começou a se agitar. Kleber foi contratado. Depois de muitas idas e vindas, muitas afirmações desmentidas e muita secação da imprensa imparcial, Kleber finalmente acertou com o Imortal. E assim o Gladiador foi apresentado – para alguns poucos privilegiados – na Arena.


Da Arena

Arena, a nova casa do Imortal

Não cabe aqui falar muito sobre a Arena. Nossa futura casa está sendo erguida aqui bem pertinho da minha – que pena que ela já não fosse aqui desde a minha adolescência. A obra avança a ritmo acelerado, alucinado, impressionante. Paulo Odone (malandro) até tentou fazer da Arena sede da Copa das Confederações. Malandrinho. Sabe que não cola. Jogou pra torcida. Pra iludir gremistas distraídos e alfinetar amargos coirmãos. Mas isso não importa, o que importa é que a Arena se converteu no único plano gremista em curto prazo, curtíssimo prazo. Só ela interessa e só ela importa. Só nela o presidente pensa e só sobre ela ele fala. Tudo o que vier a acontecer de bom ao Grêmio, pensa e deseja o presidente, será a partir de sua mudança de endereço. O Grêmio não planeja ser campeão brasileiro em 2012, jamais planejou. O Imortal planeja ser tri campeão da América em uma final disputada na Arena. É isso o que Pelaipe e Odone planejam. É com isso que sonham. Claro que isso pode acontecer. Tomara que aconteça mesmo. Mas não convém esquecer que para ganhar a Libertadores é preciso disputá-la. Talvez devêssemos ter planejado conquistar a Copa do Brasil, mas acho que Pelaipe não pensou nisto, pois, se tivesse pensado, não teria ficado tão desatento ao setor defensivo do Tricolor.


Da falta de capacidade na avaliação dos atletas

Sorondo?? Pô, Pelaipe!!

Paulo Pelaipe, o executivo remunerado, é tido por todos como um profundo conhecedor do mercado de jogadores. Dizem que sabe muito bem quem é quem no mundo da bola, quem está disponível e quem é ‘viável’ de ser contratado. Eu mesmo cheguei a acreditar nisto. Mesmo que, ao chegar, em meados do ano passado, Pelaipe tenha trazido algumas ‘preciosidades’ como Brandão, por exemplo, eu achava mesmo que Pelaipe fosse bom nas suas avaliações. Esse meu pensamento mudou, porém, quando da contratação de Sorondo. Agora o que penso é que Pelaipe entende muito pouco de jogador de futebol e que entende menos ainda de zagueiros. Não critico a contratação de Sorondo pelo fato dele ter-se machucado logo em seus primeiros dias no clube, por ter-se lesionado antes mesmo de ter chegado a entrar em campo. Critico sua contratação pelo simples fato de que todos já sabiam que era exatamente isto que iria acontecer. Todos não, quase todos. Paulo Pelaipe, o executivo remunerado, parecia não saber. Contratou, deu no que deu.

O caso, é claro, ganhou mídia internacional, mais um fiasco provocado por um dirigente gremista. Com a intenção única de abafar a história, de dar outro assunto aos ‘especialistas isentos’ que assombram a mídia esportiva gaúcha, Pelaipe saiu para comprar um zagueiro. Aliás, nem saiu. Comprou por telefone. Ou pela internet. Pelaipe comprou a primeira coisa que achou e fez o povo mudar de assunto. Mas só que a primeira coisa que achou foi Naldo, não o verdadeiro, o genérico. Naldo, como era de se esperar quando as coisas são feitas às pressas, sem planejamento, sem estudo das consequências, não deu certo, já foi até dispensado. Não sei se não foi reintegrado também. Dispensa e posterior reintegração de atletas, aliás, tem sido mais uma das características preocupantes da gestão Odone-Pelaipe.

Enfim, Pelaipe não sabe contratar? Sei lá, eu pensei que soubesse, mas agora já não tenho certeza. Será que ele aceita ou se vê obrigado a aceitar imposição de empresários, essas famigeradas hienas que rondam famintas os vestiários de todos os grandes clubes brasileiros? Bom, aí é que não sei mesmo. Porões, submundo do futebol? Dessas coisas eu não entendo. Meu negócio é o jogo. Da arquibancada ou diante da tv. Meu negócio é assistir à partida. Entendo quase nada de futebol, de suas ‘periferias e adjacências’, daí é que não sei nada mesmo.


Das constantes trocas de treinadores

Vanderlei Luxemburgo, um nome à altura do Grêmio

Quem contrata mal logo acaba tendo que contratar outra vez. Isso é a coisa mais natural do futebol. Odone, ao chegar ao clube em 2011, nem precisou se preocupar em encontrar um treinador. Já tínhamos um: Renato Portaluppi, o melhor que passou pela Azenha desde que Tite saiu. Mas, vaidoso, egocêntrico e rancoroso, Odone não conseguiu conviver muito tempo com Portaluppi. Odone desde que chegou (e talvez mesmo antes disso) passou a sonhar com a saída de Renato. Passou a trabalhar por ela. Tanto criticou, tanto atrapalhou, tanto boicotou, sabotou e perseguiu, que Renato acabou saindo. O sonho do presidente era ver Celso Roth, seu eterno ídolo, treinando o Tricolor. A vinda de Julinho Camargo foi despiste, engodo, ilusão. Paulo Odone não é bobo. Sabia que Renato não poderia sair (e saiu aclamado e aplaudido) por uma porta e, no dia seguinte, o velho perdedor Celso Roth entrar por essa mesma porta. A torcida – ao menos boa parte dela – não suportaria quieta tão grande deboche. Roth veio. Convenientemente veio para substituir Julinho e não Renato. Cá para nós: acabar a temporada treinado pelo velho Roth é o quê? Além de burrice e falta de vontade de vencer, é também pura falta de planejamento. Celso Roth só se justifica quando tudo está indo completamente mal, quando todo o trabalho está fracassando e o resultado escorrendo pelo esgoto das derrotas e más atuações. E isso, via de regra, acontece pela falta de planejamento e capacidade de avaliação.

Bom, contratar Roth, um perdedor, é contratar mal, e, como já dissemos antes, contratar mal é criar a necessidade de logo ter que contratar de novo. Daí os caras vão e trazem Caio Jr., um aprendiz… Ora, o Imortal só é chamado de Imortal por sua enorme grandeza. Aprendizes não são os mais indicados para um vestiário como o do Grêmio.

Há os que tenham feito a comparação de Caio Jr. com Tite e Felipão, treinadores considerados modestos que alçaram voo a partir de suas conquistas no Olímpico. Mas a comparação não me serve. Tanto Tite quanto Felipão já haviam provado suas capacidades com a conquista de títulos antes de chegarem à Azenha. Ambos já haviam sido campeões, ambos em finais contra o próprio Grêmio. Portanto Caio Jr. ainda tem muito a crescer antes que possamos incluí-lo no rol dos candidatos a treinador do Grêmio. Daí que os caras tiveram que trocar de treinador outra vez.

Luxemburgo. Agora sim. Esse é um nome que me dá confiança. Não sei se vamos ganhar dez campeonatos nos próximos dez anos. Não sei se Luxemburgo vai ser treinador do Tricolor por uma década inteira, mas sei que Vanderlei Luxemburgo é um dos poucos que tem tamanho compatível com o de nosso enorme amado Grêmio. Eu confio no Vanderlei. Agora temos treinador e não vamos precisar discutir esse assunto outra vez tão cedo.


Da pressão pelo jejum de títulos

Sobre "Os jogadores de Paulo Odone"

Pois é, tem essa história aí da gente não ganhar nada relevante há dez anos – agora indo pra onze. Mas quem é que está contando? Nas décadas de 80 e 90 só o Grêmio conseguia ‘feitos relevantes’. O clube da beira do rio ficou 27 anos se alimentado de alguns magros Gauchões, mas não lembro que alguém contasse os anos.

Só os ‘isentos’ é que se importam realmente com isso. Quando falam sobre o assunto o fazem com ar de preocupação, como se estivessem realmente interessados no sucesso do Grêmio. Como se quisessem mesmo ver o Grêmio comemorando um título nacional. Querem nada! Querem é irritar a torcida, alfinetar o Clube, criar uma pressão capaz de gerar ansiedade.

É claro que todo torcedor quer ver seu time conquistando taças e dando voltas olímpicas. Mas eu quando vou ao estádio ou sento diante da TV não fico lembrando o jogo passado, do ano passado, do título que escapou nas últimas rodadas do ano dois mil e não sei quanto. Eu quero ganhar o jogo de hoje, o campeonato deste ano, o que ainda está em disputa. Vanderlei Luxemburgo não estava por aqui nestes últimos dez anos, nenhum dos atletas estava, também, por aqui. Eles não têm que se sentir pressionados, não foram eles que perderam todos estes campeonatos. Eu não me sinto pressionado. Eu me sinto desencantado, é verdade, sético em relação às verdadeiras possibilidades do Grêmio em 2012. Louco pra ganhar, mas sei que tudo virá a seu tempo. Não estou ansioso. O Grêmio ainda é muito grande. Tudo virá a seu tempo. Lembrando sempre, é claro, que em futebol, quem faz o seu tempo é aquele que tem o melhor planejamento.


Meu pequeno Grêmio

Tarde demais para lamentar, cedo demais, porém, para que se percam todas as esperanças. Neste momento, a busca por culpados não ajuda em absolutamente nada. A busca por culpados, aliás, é uma inversão de prioridades muito comum entre nós, muito comum e extremamente nociva, pois bem mais proveitoso seria se, ao invés de gastarmos tempo e neurônios na tentativa inútil de descobrir de quem é a culpa, estivéssemos todos empenhados em encontrar alguma solução. Deve haver uma. Não ajuda em nada quando a atual direção gremista vem, através de Antônio Vicente Martins e, mais tarde, do presidente Paulo Odone, gritar aos microfones de todas as rádios que “a culpa foi do contrato mal feito pela gestão Duda Kroeff”. De nada nos adianta que o ex-presidente Duda ‘pinta de playboy’ Kroeff venha tentar nos convencer de que “era o máximo que se podia fazer naquele momento, que podia ter sido pior”. Ainda que tudo isto seja verdadeiro. não vai adiantar nada o senhor Duda Kroeff lamentar o fato de ter sido obrigado a desfazer-se de Réver ou Felipe Mattioni, por exemplo, em razão de erros da gestão que o antecedeu, no caso o mesmo atual Paulo Odone. Dividir alegrias, repartir os méritos de uma conquista, compartilhar campanhas bem sucedidas, tudo isso é muito bom. Dividir forças, porém, é extremamente danoso ao clube. Além de comprometer o futuro do Imortal. Já era hora de todos sentarem à mesa e fumarem o cachimbo da paz. Pelo bem do Grêmio.

Desde tenra idade aprendi a fumar o cachimbo da paz. É bem legal, embora digam que faz mal ao corpo, ao espírito faz um imenso bem. Querer o bem do Grêmio, no entanto, é coisa que comecei a fazer muito antes disso .Eu não fui como a maioria dos meninos que, lá pelos cinco a oito anos, influenciada por pai, padrinho, vizinho ou sei lá o que, opta por torcer por um clube. Eu nunca tive opção, eu jamais pude escolher. Tenho certeza de que já nasci Tricolor. As lembranças mais remotas de minha infância são de uma época de enchente no Bairro Mathias Velho, aqui em Canoas, e de estar escutando, pouco depois desta enchente, um jogo do Grêmio contra não-sei-quem em um pequeno rádio de pilhas. Espinosa e Loivo são os únicos nomes que lembro da escalação do Grêmio neste jogo ocorrido há tantos anos. Ironicamente, não guardo qualquer lembrança do heptacampeonato conquistado pelo Grêmio em 1968, nem de nenhum outro campeonato conquistado antes disto. A primeira vez que pude comemorar um título conquistado por nosso clube foi em 1977, quando eu já tinha quatorze anos. Portanto, toda a minha infância e parte da adolescência foi vivida sob o jugo do inimigo. Eles ganhavam tudo, nós não conseguíamos nada. Eles iam para as ruas desfilar em seus carros, fazer barulho com suas buzinas e seus foguetes. Eu não. Eu ficava em casa. Eu e o meu pequeno Grêmio. Mas mesmo assim eu sabia, bem no fundo eu sabia, que tudo aquilo era passageiro, que o Grêmio, embora todos me quisessem fazer crer o contrário, era muito grande, era maior do que todos, e que apenas ainda não havia chegado o momento. Um dia o mundo inteiro haveria de conhecer a grandeza do Grêmio, um dia. Nada perdi por esperar. Da geral eu vi, em 1981, Paulo Isidoro fazer dois gols, virar o jogo sobre o São Paulo, e abrir o caminho para a conquista do nosso primeiro Brasileiro que viria alguns dias depois no Morumbi. Da geral eu vi Renato, em 1983, embretado emum pequeno canto do gramado, fazer algumas embaixadas e, tal qual o mago que tira coelhos de uma cartola, tirar do nada um passe mágico que César transformou em gol. Um gol de título. Um gol de Libertadores. Um gol que me libertou. Libertou-me de tudo, dos risos, das ironias, das flautas de mau gosto, da mania que eles tinham de dizer que o meu time era menor que o deles. Não era. O campeão da América era o Grêmio. O Grêmio era, definitivamente, inquestionavelmente, o maior clube do sul do Brasil. O nosso Grêmio. Mais tarde o Grêmio ganhou também o mundo (isso eu não vi da geral, isso eu vi na RBS mesmo). Isso foi há muito tempo, muitas outra coisas eu vi da geral neste tempo todo e entre tombos e reerguimentos, sucessos e insucessos, a verdade é que eu sempre fui muito feliz, pois agora todos, e não apenas eu e alguns poucos, sabiam que o Grêmio era grande, muito grande, muito, muito grande.

Um dia algo aconteceu. O que terá sido? De repente uma interminável sucessão de gestões desastradas e/ou predatórias começou a desfazer tudo o que havia sido construído ao longo de quase um século de árdua luta de dirigentes, jogadores e, sobretudo, de abnegados torcedores. Nunca mais um título. Dívidas, protestos, penhoras. Tudo errado. A humilhação do segundo rebaixamento. A falta de grandeza para alcançar a conquista de algum título realmente importante. Dois vice-campeonatos que outra coisa não são senão um sinal de que estava começando a faltar-nos a velha grandeza comum aos verdadeiros campeões. Tudo errado.

Eu tinha certeza de que Odone daria um jeito nisto, ainda mais depois de 2010 ter terminado da forma como terminou. Nenhum outro ano havia, há muito tempo, se apresentado tão promissor a uma retomada de rumo como este ano de 2011. Só mesmo um gremista muito pessimista pensaria o contrário, especialmente entre a semana do Natal e o sábado do triste fim da “novela Ronaldinho”. Eu nunca vi uma reversão de expectativa tão grande assim. Estava tudo tão certo… Mudou tudo e agora dá tudo errado. Quem viria não vem mais, quem chegou a vir e até treinar teve de ser devolvido, e até mesmo aquele que já estava aqui e era das maiores esperanças agora vai-se embora. Quase de graça. Adeus, Mestre Jonas. Tudo errado.

Ao Mestre, com carinho, dediquei a imagem do cabeçalho do blog. Logo depois do fim da partida, logo depois do Mestre ter feito os dois gols da vitória sobre o São José, de virada, a primeira vitória do Imortal dentro de nosso sagrado e monumental estádio neste 2011, logo depois dos inesperados chiliques do próprio Jonas e de parte da torcida presente. Tirei a foto da bandeira do Grêmio, que há mais de ano ilustrava o cabeçalho do Somos Todos Torcedores. Queria homenagear o Mestre, queria me solidarizar com sua dor. Queria que ele ficasse aqui. Não sou tão burro ou tão radical para chegar ao ponto de taxar o artilheiro Jonas de mercenário, traidor ou coisa parecida, como estão fazendo alguns, mas também não consigo aceitar que é tudo tão normal, tão ‘profissional’, como afirmam outros. Eu não consigo compactuar da ideia de que ganhar dinheiro é a única coisa que dá sentido à vida de um homem e que acumular riqueza deva ser sua obstinada tarefa durante todo o tempo compreendido entre o primeiro e o último dias de sua vida. Em poucos lugares andei nesta minha pacata e monótona vida de trabalhador de baixa renda, mas em cada um deles eu encontrei muitas coisas de grande beleza, bem maior que a beleza triste e enganosa dos cifrões. Acho que era esse desapego ao vil metal que me fazia crer que Jonas renovaria. Deu tudo errado.

Algo de muito errado ocorreu um dia no Conselho do Grêmio. Aquele que souber o que ocorreu, provavelmente estará bem perto da solução. Então não será mais tão importante encontrar os culpados, afinal, ninguém é culpado, assim como também não há nenhum inocente. Hora de virar a página, esquecer as mágoas e as diferenças, depois de amanhã tem jogo de Libertadores. Quero de volta o Grêmio de minha juventude, o que ganhava Libertadores. O Grêmio atual, o Grêmio do terceiro milênio, não é grande. Perdoem-me por dizê-lo, mas a verdade é que não é. Tantas gestões equivocadas e contraproducentes, tantas más notícias, tantos erros de contratação, tantas dívidas, tantas falsas promessas, tantas coisas ruins e tudo ao mesmo tempo. Chega, por favor chega. Não diminuam ainda mais o nosso Grêmio.

Vi-me criança ao final da manhã de hoje. Outra vez eu estava nos fundos de um quintal muito plano, de terra preta, no Bairro Mathias Velho. Eu não estava só, comigo estavam uma velha bola de couro, ‘tamanho oficial’, e uma surrada camisa listrada em três cores. Eu estava feliz e não tinha nenhuma pressa. Eu sabia que logo iríamos crescer, eu e o meu pequeno Grêmio. Eu já não posso mais crescer, o Grêmio ainda pode. Por favor, cresça.

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O guri da foto sou eu, na década de sessenta, no Bairro Mathias Velho, que à época ainda não havia sido elevado à categoria bairro, ainda era a velha Vila Mathias Velho. O autor da foto, muito provavelmente, deve ser o meu pai, que nunca foi gremista.

O Grêmio de Portaluppi não tem nada de novo

Foto: Alexandre Alliatti / Globoesporte.com

Valente e vencedor o Grêmio sempre foi, mas como acontece com qualquer grande clube, alguns momentos não são dos mais felizes para seus torcedores. Nós, gremistas, passamos, nestes anos recentes, por momentos extremamente contraditórios. Tivemos picos de alegria e tristeza em simples piscar de olhos. O sofrimento do final de 2004, o misto de desespero, heroísmo, alegria e um imenso alívio vivido na Batalha dos Aflitos. A campanha surpreendente na Libertadores de 2007. O fracasso de Roth no Campeonato Brasileiro de 2008. A euforia do gol de Maxi López no gre-nal do centenário. Enfim, foram muitos altos e baixos. Altos muito altos e baixos muitíssimo baixos.

O ano de 2010 também vinha sendo mais ou menos assim. O Grêmio, enquanto foi treinado por Silas, alternou bons e maus momentos. Não tinha regularidade. Fez alguns grandes jogos, mas no final sucumbiu à falta de identidade. O ridículo torneiozinho caçaníqueis promovido pela RBS e ‘engolido’ pela atual direção do clube, a tal Copa da Hora, foi a gota d’água. A casa caiu,  Silas caiu, o assessor Meira caiu e, apenas um pouco mais tarde, o próprio Duda Kroeff caiu.

No entanto, o Grêmio atual não se parece em nada com o Grêmio de Silas. Na mão de Renato Portaluppi o Imortal readquiriu sua valentia, sua pegada, sua notória capacidade de vencer e, quando as coisas não estão dando muito certo, entra em cena sua imortal capacidade de lutar, de lutar sempre, até o último lance. O Grêmio de Portaluppi não tem nada de novo, bem pelo contrário, esse é o nosso velho Grêmio.

E é só por isso, e nenhuma outra razão, que acho que vamos vencer o jogo de amanhã.

Contra eles, contra Simon, contra quem quer que seja. Somos o Grêmio. Vamos vencer. Vamos pra cima deles, vamos apertá-los, amassá-los e depois descartá-los como… como…

Como bolinhas de papel.