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O que esperar de um governo que mente?

O mais interessante é que todos já sabiam. Até eu que nada sei, disso já sabia. Não havia quem não concordasse com a necessidade de se fazer algo pela melhoria do funcionamento da Fase (Fundação de Atendimento Sócio-Educativo),que não concordasse que não havia como ignorar a precariedade da situação em que se encontram os menores internos da Fundação.

Todos sabem disso.

Porém, todos sabem também, que não é lá muito correto que um governo, seja ele qual for, independente de partido ou ideologia, pretenda resolver seu problemas de gestão a partir da venda de parte do território de uma cidade. Honestamente, essa proposta chegava a ser ridícula – para não dizer coisa ainda pior. Todos já sabiam que os recursos para o custeio da tal descentralização da Fase deveriam, por questão de lógica e honestidade, saírem dos cofre do governo estadual. Os moradores do Morro Santa Tereza sabiam disso, assim como os moradores de toda a Capital e da Região Metropolitana, até mesmo os moradores do interior do estado sabiam disso, os meninos internos da Fase e alguns vereadores de oposição também sabiam disso.

Até bem pouco tempo os únicos que pareciam não saber que o PL388/2009 não passava de apenas mais uma grande e desnecessária trapalhada do atual governo tucano eram os senhores ‘especialistas em todos os assuntos’ que habitam a mídia oficial e o próprio governo gaúcho. Pois agora nem mesmo eles. Pelo menos o governo já confessou que não acredita mais nesta bobagem. Pior ainda, reconheceu que jamais acreditou, que sempre soube que a alienação do morro e a descentralização da Fase nunca estiveram, na verdade, relacionadas. Tudo não passou de um embuste, ou melhor, de uma fracassada tentativa de embuste. Mais um dos tantos fracassos políticos deste governo marcado por trapalhadas grotescas e escândalos mal esclarecidos.

Então por quê tudo isso? Por quê tentar enganar a sociedade com uma mentira tão facilmente percebida? Que tipo de governo é esse que tentou usar das dificuldades que ele mesmo ajudou a criar para os menores, com o único intento de convencer a sociedade a autorizá-lo a vender um dos últimos espaços ainda preservados da capital? Com que intenção queria, então, vender o morro, se sabia que não precisaria do dinheiro de sua venda? Será que pretendia ficar com o dinheiro? Será que gostaria de usá-lo na campanha?

Sei lá, de um governo que mente assim tão descaradamente, creio que se pode esperar qualquer coisa.

E agora quem poderá nos defender?

Na noite de domingo, 25, um taxista de Canoas foi assassinado em Barra do Ribeiro, cidade distante cerca de 50 km de Porto Alegre. Mais um trabalhador vítima de latrocínio. Mais um número nas estatísticas da Secretaria de Segurança Pública. Apenas mais um taxista morto. Nenhuma novidade. Tudo normal.

Quase tudo.

Embora o caso não tenha tido grande repercussão, a verdade é que ele se constitui num exemplo do descaso com que os cidadãos gaúchos têm sido tratados nos últimos tempos. Depois de ter-se adonado das telhas que deveriam ter sido entregues às vítimas dos vendavais da última primavera no interior do estado, depois de ter assegurado um aumento substancial a seus oficiais, depois de ter assassinado um membro do MST em São Gabriel, depois de tanto fazer o que não deveria, desta vez a Brigada Militar inverteu o procedimento e acabou deixando de fazer exatamente aquilo que é sua função primordial: prestar assistência à população.

O que teria pensado o taxista canoense quando conseguiu enviar um pedido de socorro aos policiais que avistara tão próximos? Por certo acreditou que o socorro viria, que seu táxi seria abordado por uma viatura policial, que os assaltantes seriam detidos e que sua féria e sua vida seriam salvas. Deve ter sido isto o que pensou. Mas e os policiais pensaram o quê? Que era uma brincadeira? Será que acharam que, por ser uma noite de domingo, merecessem um pouco mais de sossego e ficar abordando táxis ocupados por supostos latrocidas seria esforço demais? Será que queriam assistir o Fantástico? Será que ainda estariam fazendo piadinhas sobre o Gre-nal?

E o que vai acontecer agora?

"Se confirmada essa denúncia, os dois devem ser punidos. Considero o fato muito grave" – declarou o comandante do 31º BPM.

O fato não é apenas grave, é inaceitável. Por omissão, os policiais acabaram sendo co-autores do assassinato. Ora, eles tiveram a chance de salvar uma vida, o que aliás é sua obrigação, é o motivo pelo qual a sociedade lhes paga salário, porém decidiram não fazê-lo. Isso é hediondo. O que resta então aos cidadãos gaúchos se aqueles que têm o poder e a missão de promover a segurança pública vão agora se dar o direito de escolher quando o farão? A quem recorrer na hora da necessidade, às orações? Parece que é isso. Parece que o jeito será apenas rezar para não morrer, ou então morrer rezando que é para ao menos tentar ir pro céu.

Não tenho motivos para duvidar da Justiça, menos motivos tenho ainda para acreditar nela. Policiais Militares não são presos nem quando são os autores diretos da morte de algum cidadão, neste caso, onde o crime seria por omissão, por negligência, menos ainda se pode esperar que alguém vá parar na cadeia.

Curiosamente o site Zero Hora publica, hoje, matéria sobre o tema segurança. O título, que encheria de entusiasmo qualquer governante que estivesse em campanha por reeleição, é o seguinte:

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Violência em queda no RS: indicadores criminais despencam em abril

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Na matéria, o titular da Segurança Pública do estado afirma que cada um dos 3500 PMs trabalha quarenta horas semanais e comemora que o número de homicídios tenha sido reduzido de 156 em março par ‘apenas’ 105 em abril. Ora, senhor secretário, não sei como alguém pode ‘comemorar’ 105 assassinatos, e mais, se os PMs de Barra do Ribeiro estivessem efetivamente trabalhando na noite de domingo, este número seria ainda menor: 104.

42°C.

 

 

Sei que existem aqueles que não acreditam na existência de Deus. O quê dizer? Acreditar é pessoal e involuntário. Acreditar é como gostar, algo que não está em nós e não depende de nossas vontades. Gostamos das coisas que gostamos e acreditamos naquilo que cremos, simples assim, não é racional.

Falando em crença, eu acredito que as pessoas que dizem não crer em Deus ainda não tiveram tempo de pensar no verdadeiro significado desta palavra, ainda pensam em Deus em seu sentido bíblico. Deus não é assim, Deus não é aquele cara velho e barbudo que, tal qual um juiz de direito, fica sentado determinando o que é certo ou errado, decidindo quem é bom ou ruim.

Deus, em seu sentido religioso, é o criador de todas as coisas, onipresente, onipotente e onisciente.

Será que é tão difícil acreditar em algo assim?

Ora, quem pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo? Quem pode saber, sempre, o que é o certo? Quem é que pode tudo, absolutamente tudo, qualquer coisa mesmo?

Se a resposta tiver cunho religioso será Deus, ou Alah, Oxalá talvez. Porém se a resposta for verdadeira será a Natureza.

Ao que os religiosos chamam de Deus, qualquer um de nós pode perfeitamente chamar de Natureza. A Natureza é Deus. Não o Deus Criador e judicioso descrito na Bíblia, mas o Deus real, o Deus que existe de verdade e que não é o Criador, mas que é sim a própria criação.

Pois é, a coisa ficou bem feia aqui em Canoas hoje. Alguns minutos antes do início do jogo do Grêmio a temperatura chegou a passar um pouco dos 42°C. Ninguém vai negar que isso é calor. Mas vamos culpar a quem? Ao Deus dos católicos e evangélicos? Vamos culpar ao Alah muçulmano? Oxalá não culpemos aos Orixás do Candomblé. Talvez possamos culpar a raça humana e a essa sua mania de provocar o fenômeno midiático conhecido como ‘aquecimento global’.

Eu acho isso tudo tão natural. Acho que isso é simplesmente o Verão. Sei lá se o Verão foi criado por Deus (o Papai do Céu), que é o nome bíblico atribuído à nossa Mãe Natureza, mas acho que é infinitamente mais justo do que o Inverno. Especialistas afirmam que as altas temperaturas têm o poder de matar, hipertensos e cardiopatas seriam potencialmente mais sujeitos a ‘morrerem de calor’. Mesmo assim o número de gaúchos vitimados pelo calor é incomparavelmente menor do que o de vitimados pelo frio do Inverno. O calor só diferencia os ricos dos pobres quando estes estão em suas casas, quem sair às ruas no Verão sentirá, rico ou pobre, o mesmo calor. No Inverno é diferente, andar agasalhado pelas ruas de Canoas durante o Inverno não é o mesmo que andar sem camisa. Sei lá, acho que o Verão é socialmente mais justo.

42°C. Hoje estava lindo. A Rio Branco era puro sol, puro grito de crianças brincando. Cambacicas mergulhavam nas banheiras que improvisei com fundos de garrafas plásticas. Coitado do meu cachorro em sua infrutífera busca por algum lugar menos quente. Hoje estava lindo. Jamais trocaria o dia de hoje por sequer dez minutos de Inverno.

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Comovente, sem deixar de ser irritante, o esforço do Grupo RBS tentando explicar que o caos ocorrido esta tarde no sistema de sinaleiras de Porto Alegre, provocado pela queda de energia, na verdade era culpa de Deus, esse cara que inventou o Verão, e que a falta de investimentos na CEEE, em nome de um déficit zero que nada mais é do que a falsa propaganda de um governo injusto e fracassado, nada tinha a ver com o caso. O alegado déficit zero do governo Yeda parece não ter dinheiro para nada, exceto para os desvios e a publicidade.