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O Brasil pode mais (e a Globo pensa que pode tudo)

Ainda que eu não seja um cara muito inteligente, e não sou, ou mesmo que eu fosse um cara muito ingênuo, coisa que, definitivamente, eu não sou, ainda assim eu jamais seria capaz de acreditar que a toda poderosa Rede Globo fosse capaz de criar alguma coisa que não tivesse sido muito bem planejada antes. Não há como eu acreditar que a Rede Globo seja capaz de não ter uma intenção muito bem definida por trás de cada pequena coisa que leva ao ar.

Que oportuna conversa essa de “… muito mais vontade de querer ainda mais qualidade…, todos queremos mais educação, saúde…, Brasil muito mais, é a sua escolha que nos satisfaz…”.


Só se eu fosse muito tolo para achar que isso é apenas uma coincidência, para que eu não percebesse que a velha e pouco confiável Rede Globo ligou de vez a sua máquina de construir  campanhas e a colocou definitivamente a serviço de Serra e seus ideais liberais.

Quando a vinhetinha se encerra com o símbolo da Globo coladinho naquele enorme número 45 eu não sei se rio ou choro – se bem que eles podem dizer que isso é apenas uma ‘coincidência’, já que estão mesmo comemorando 45 anos. Mas sabemos que para a perversidade também é preciso ter talento, saber tirar proveito das coincidências não deixa de ser talento também.

Felizes e ignorantes

O que os olhos não veem, o coração não sente. Tanto mais feliz se julgará o homem, quanto mais ignorante for das injustiças cometidas  por e contra  seus semelhantes. Saber é igual (ou quase) a sofrer. Ninguém irá chorar a morte de um ente querido até que alguém lhe venha noticiar o óbito. Quem seria capaz de lamentar a ocorrência de uma tragédia que desconhece? Talvez algum médium, alguém com poderes premonitórios, mas pessoas assim geralmente não sofrem, pois estão  – ou acreditam estar – acima das outras pessoas comuns. Porém o fato de o ignorante julgar-se feliz não significa que ele realmente o seja, pois devemos considerar que, uma vez que ele desconhece a verdade, seu julgamento pode estar equivocado – e provavelmente estará mesmo.

Assim sendo, o segredo da felicidade estaria na informação. De posse da informação poderia o homem julgar com clareza o mundo em que vive, situar-se nele e, de acordo com alguns valores adquiridos através da educação familiar, de preceitos religiosos, influências do meio e da escola, além da pressão da mídia, descobrir se vive num mundo que o faz feliz ou não.

Aos governantes tiranos, a quem nada mais importa senão o poder, a informação é algo a que o povo não pode, de jeito algum ter acesso. É preciso que o povo seja mantido ignorante de tudo o que ocorre, custe o que custar. A informação, mesmo a mais inocente, deve ser tratada como segredo de Estado e mantida fora do alcance da população. Mas como fazer com que o povo fique longe, muito longe da verdade? Como conseguir que a população seja tão influenciada a ponto de acreditar mais na imagem mostrada na propaganda do que na do produto que adquiriu e está diante de seus olhos, dentro de sua casa? Isso não se consegue com candidatura ou eleição. Isso não é serviço para políticos. Isso é coisa para repórteres, jornalistas e, sobretudo isso é coisa para donos de grandes grupos midiáticos.

Das muitas coisas que se diz sobre Abraham Lincoln, diz-se também que ele acreditava ser impossível enganar a todos durante todo o tempo. Esse pensamento o confortava e o fazia feliz. Porém Mr. Lincoln, que enganou a muitos durante muito tempo, não proferiria tal frase nos dias de hoje. Não se ele conhecesse o Jornal Nacional, a Zero Hora ou o alienante, emburrecedor e ‘disseminador da ignorância’ que leva o nome de  Diário Gaúcho, entre outros. Essa gente, não sei como, tem conseguido enganar a praticamente todos durante praticamente o tempo todo. Raros são aqueles que conseguem escapar da força de suas propagandas.

É preciso por um fim nisto. O direito à informação tem de ser respeitado. A propaganda político-partidária disfarçada de notícia precisa ser tratada como crime. Ou então será melhor que se fechem de vez jornais, telejornais, rádios e revistas, que cada cidadão seja restringido a um mundo apenas alcançável por seus próprios olhos e que viva feliz – ou não – em sua própria ignorância.

Falklands são ofensa à toda a América Latina.

 

 

 

O ano da graça de 1833 estava sendo mesmo um ano muito chato. Ninguém ainda havia tido a ideia de inventar o futebol  e nem a TV por assinatura. Não tinha Premier League e nem Champions League para assistir. Nada. Aquele papo de comadres durante o chá das cinco já estava mais que saturado. Entediada, entre um e outro ‘scotch’, Sua Majestade convocou o comandante de Sua Esquadra Real e assim a ele ordenou:

Meu filho, hoje eu não tô boa. TPM é foda, na minha idade então, mais foda ainda. Tô precisando desestressar. Cá entre nós, – disse a rainha em  tom mais baixo – só sei desestressar de um jeito: colonizando. Eu adoro colonizar. Bem que cê podia me dar uma mão nisso, né?

Pois não, Majestade. Sou um seu escravo. Mandai e eu obedecerei – disse o bravo comandante inglês.

Faz o seguinte então. Pega dois dos meus barcos, quaisquer dois, pode escolher, eu tenho um monte, e sai aí nesse marzão. Vê se me ‘descobre’ – e ela,  nesse momento,  soltou um risinho sarcástico – um pequeno país, um arquipélago, até uma ilhota que seja. Alguma coisa. Me ‘descobre’ algo que eu possa colonizar. Eu ando bem ‘crazy’ pra colonizar alguma coisa.

Pois não, Alteza. Seu desejo é uma ordem – disse o valente comandante e começou a se retirar.

Ah, última coisa, vai pro Sul. Acho que ainda não ‘descobrimos’ – novamente o risinho – nada lá naquela tal de América do Sul. Vai pra lá. ‘Descobre’ lá.

Imediatamente o audacioso, audaz, intrépido e corajoso navegador inglês partiu rumo às geladas águas do Atlântico Sul. Sem muitas opções e concluindo que Fernando de Noronha não era suficientemente ao Sul e que, por isso mesmo, talvez não resolvesse o problema da TPM Real, o incansável capitão, famoso ‘descobridor’ de terras já habitadas, acabou ‘indo dar’ nas Malvinas.

Não deve ter sido nem um pouco difícil expulsar os poucos habitantes das ilhas, todos eles argentinos. Fácil também foi cravar na terra turfosa uma bandeira britânica e uma plaquinha onde se lia: Falkland Islands, sob nova direção.

Isso ocorreu há quase dois séculos, mas acho que nem por isso legitima a posição do governo britânico de se proclamar dono do arquipélago. Não importa quantos anos ainda passem, a verdade é que as ilhas pertenceram primeiro aos argentinos. A ocupação das ilhas por britânicos se deu por meio de uma invasão injustificável, inaceitável e ilegítima.

A exploração de petróleo no leito do oceano que circunda as ilhas seria uma nova agressão à soberania argentina. Uma agressão que não se restringe apenas a nossos hermanos, mas que ofende (ou deveria ofender) toda a América Latina.

O que não me surpreende, porém ainda assim me entristece, é o tipo de cobertura que a mídia profissional faz do assunto. Qualquer brasileiro que leia, ouça ou assista matéria produzida no Brasil sobre este tema terá, muito provavelmente, a impressão de que as Malvinas são e sempre foram território da rainha, que os argentinos é que estão querendo invadir um território estrangeiro e que o presidente Lula é louco (ou burro) ao solidarizar-se com nossos vizinhos castelhanos.

O mundo nunca será justo e pacífico enquanto houverem povos que por terem mais dinheiro, mais armamento e menos humildade que outros, acreditarem que podem ser donos de tudo que veem, de tudo que tocam, de tudo que desejam, acreditarem que podem ser donos de tudo, até dos países dos outros.