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A Arena é nova para todos, sem exceções

Vamos parar de dar munição aos ‘especialistas isentos’ que ocupam quase todos os espaços da mídia esportiva falando mal do Imortal e de nossa colossal Arena. Vamos parar de choradeira, parar de lamentar migalhas, e vamos começar a agir como gremistas de fé. A Arena é nossa e ponto final. E a vaga também será, se a gente se concentrar apenas no jogo, se deixarmos todos os outros problemas pra lá e, na base do grito, empurrarmos o Tricolor ao destino que merece, a Libertadores 2013.

Foto: Site Oficial do Grêmio
Foto: Site Oficial do Grêmio

Falou-se muito pouco em futebol. Santa Maria é o assunto dominante desde o amanhecer do último domingo, e nem poderia ser diferente. Esfriou-se um pouco o ânimo para o jogo de hoje. Mas isso é natural e acredito que as coisas ainda vão mudar bastante até a noite quando a bola rolar pra valer pela primeira vez na Arena.

O Grêmio precisa vencer, e mais do que isto, precisa vencer por diferença maior ou igual a dois gols para não correr o risco de uma eliminação nos pênaltis.

Diferentemente da partida anterior, em Quito, quando eu imaginava, antes do jogo, que o Grêmio tinha boas chances de vencer – e, embora não tenha vencido, até jogou suficiente para merecer mesmo a vitória – hoje não sei o que pensar.Como eu disse, falou-se pouco de futebol. O clima no Rio Grande não foi de Libertadores, de decisão, o clima foi diferente.

Do pouco que se informou sobre a decisão de logo mais, quase tudo se referia às dificuldades dos sócios em conseguirem seus ingressos.

A Arena é um novo conceito de estádio, algo nunca experimentado antes no Brasil e, diferentemente do Olímpico, onde se adquiria um espaço no estádio e, mediante a liberação da catraca pelo uso da carteirinha de associado, entrava-se no estádio e ficava-se em qualquer local escolhido, na Arena cada um adquire um local específico, um assento numerado. Portanto, a necessidade do bilhete físico, que identifique o assento comprado, me parece deverá ser uma constante daqui para frente. Devemos nos acostumar.

No Olímpico, os gremistas podiam se encontrar no portão do estádio e assistirem ao jogo juntos se quisessem. A partir de agora, se quisermos estar na companhia de nossos amigos, teremos que nos organizar na compra de ingresso, para que nao acabe indo um pra cada lado e se encontrando apenas na saída.

Sei lá, as coisas mudaram, os preços mudaram, os descontos foram reduzidos. A Arena não é o Monumental, não se parece com ele. É maior, mais bonita, mais moderna e, obviamente, mais cara. A Arena é a evolução do Olímpico. A princípio seu funcionamento parece ser mais complicado, mas acho que ninguém ainda está autorizado a falar sobre o bom ou mal funcionamento de nosso novo templo. Afinal, ninguém ainda sabe como ela realmente funciona, pois ela nunca funcionou antes, hoje será a nossa verdadeira primeira vez na Arena. A Arena é nova para todos, sem exceções.

Com o tempo a gente irá se acostumando, cada coisa irá pro seu lugar naturalmente. Não consigo acreditar que vejo tantos gremistas, por ingenuidade ou intolerância, ajudando a mídia a ter aquilo que ela mais gosta: matéria para criticar nossa nova Arena. Eles adoram achar defeitos naquilo que, qualquer um pode ver, é o mais belo e moderno estádio privado do Brasil. Construído pelo Grêmio, por seu próprio esforço e (quase) sem nenhum dinheiro público. Bem diferente de outros estádios que estejam sendo construídos ou reformados no país, todos eles ajudados de alguma forma pelo Estado, e, em um caso ou outro, com a intervenção pessoal da própria presidenta da República, a Arena é coisa do Grêmio. Uma parceria de um clube privado e uma empreiteira. Nosso estádio é nosso e, quando tivermos quitado o financiamento, algo natural, que não sei por que tem merecido tão severas críticas, não estaremos devendo nada a ninguém, nem dinheiro, nem favores, nem ligações presidenciais no meio da noite para ‘agilizar a assinatura do contrato’.

Vamos parar de dar munição aos ‘especialistas isentos’ que ocupam quase todos os espaços da mídia esportiva falando mal do Imortal e de nossa colossal Arena. Vamos parar de choradeira, parar de lamentar migalhas, e vamos começar a agir como gremistas de fé. A Arena é nossa e ponto final. E a vaga também será, se a gente se concentrar apenas no jogo, se deixarmos todos os outros problemas pra lá e, na base do grito, empurrarmos o Tricolor ao destino que merece, a Libertadores 2013.

Depois que o Grêmio passar pela LDU e entrar de vez na Libertadores vai ficar cada vez mais comum frequentar a Arena, cada vez mais fácil adaptarmo-nos a ela. Daí, todo mundo adaptado e satisfeito, a mídia vai ter que inventar suas próprias críticas, pois já não seremos mais nós, os gremistas, que estaremos mandando emails e sms para as redações ou criticando publicamente o Tricolor nas redes sociais.

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A melhor maneira de lidar com a morte é seguir vivendo

lutoCerta vez um presidente norteamericano, não lembro qual, diante de um episódio trágico que abalou a nação inteira, também não vou lembrar do episódio, assim teria dito: “Enterrem os mortos e alimentem os vivos”. Falou isso… ou algo muito parecido.

Podem dizer que sou cruel, e talvez eu até seja mesmo, mas não achei correta a iniciativa do Grêmio de tentar adiar o confronto contra a LDU pela  pré-libertadores.

Por mais comoventes e trágicas que tenham sido as mortes das dezenas de jovens que bebemoravam na boate de Santa Maria (e não vou tratar deste assunto aqui, pois minha visão da tragédia já externei aqui neste outro espaço), a vida não pode ser adiada. É preciso seguir em frente.

Não, não vamos permanecer aqui indiferentes, como se nada tivesse acontecido. Não, nada disto, mas também não vamos parar pra chorar e pretender deixar tudo pra depois.

A vida precisa seguir acontecendo. O Grêmio precisa seguir na Libertadores, e deixar pra depois o que precisa ser feito agora, sob o pretexto da dor, que é real e justificada, não é a melhor maneira de lidar com a tragédia das mortes.

A vida é um romance que sempre acaba em morte. Morrer é um destino inevitável. Querermos enlutar-nos e ficar adiando as coisas não me parece o mais correto agora,  é meio querer ficar adiando a vida, evitando de viver.

A melhor maneira de lidar com a morte, acredito, é seguir vivendo.

Cruel isso? Pode ser. Mas acho que deve funcionar.

Vamos jogar, de luto, mas não vamos desistir de jogar, não vamos começar a agir como se estivéssemos pretendendo parar de viver.

Grêmio em desvantagem, mas favorito em Porto Alegre

(Reprodução/SporTV)
(Reprodução/SporTV)

Quando vi Dida sentado no gramado sinalizando para o árbitro, pensei que estivesse apenas demonstrando sua experiência, seu talento ‘copero’ e justificando a decisão de Vanderlei Luxemburgo de torná-lo titular e ignorar toda a qualidade demonstrada por Marcelo Grohe nas últimas duas temporadas. Infelizmente não se tratava apenas disto. Dida estava mesmo lesionado, e acabou deixando o campo.

A entrada de Grohe não seria motivo para preocupação dos gremistas, pelo contrário. Mas sempre dá um friozinho na barriga ver um goleiro entrar na partida em razão de uma emergência (goleiros sempre entram por emergências) em momento tenso de uma partida.

Faltou um pouco de malandragem da parte do Grêmio. A substituição foi rápida demais. Marcelo deveria ter levado mais tempo para entrar no jogo, deveria ter aquecido mais  e, ao mesmo tempo, dado tempo para que a LDU esfriasse um pouco. O adversário viu, na entrada de um goleiro frio, a oportunidade perfeita para tentar fazer um gol ‘na marra’.

Grohe não teve tempo, nem teve chance. Alguns segundos em campo e já estava sendo alvo do primeiro chute à queima-roupa. Fez uma grande defesa, mas a bola foi no travessão e, na sequência, veio o segundo chute violento. Milagroso, Marcelo salvou mais uma vez. Porém, o terceiro chute indefensável veio no instante seguinte. Marcelo nada pode fazer.

Dida não teve culpa da lesão, é óbvio, mas a verdade é que, na prática, acabou deixando o Imortal na mão. Marcelo Grohe, o cara que quase todo gremista queria (e ainda quer) ver como titular, entrou apenas para levar o gol. Circunstâncias de um jogo. Azares de um atleta profissional.

A metade da decisão se foi. O Imortal deixou de vencer um jogo que poderia merecidamente ter vencido e agora está em desvantagem. Tem a volta, na Arena ou seja lá aonde for, e acho muito justo acreditar, pelo que vimos ontem, especialmente no início da segunda etapa, que o Tricolor tem todas as condições de vencer pelo placar necessário.

Foi uma pena que aquele ímpeto e aquela qualidade demonstrados na volta do intervalo não tivessem se estendido por mais tempo, não tivessem redundado em gol. Acredito que, se o Grêmio tivesse aberto o placar, se tivesse largado na frente, e até teve chances para isso, teria vencido naturalmente a partida de ontem.

(Foto: Diego Vara/Agência RBS)
(Foto: Diego Vara/Agência RBS)

Vargas fez ótima estreia confirmando as expectativas de todos. Habilidade, inteligência, velocidade e disposição. Faltou chutar a gol, isso ele não fez. Mas já tá muito bom para alguém que chegou da Europa, assinou contrato e imediatamente viajou a Quito para fazer a estreia em uma equipe que ele jamais tinha visto. Vargas não deve saber nem mesmo os nomes de alguns caras que estavam jogando com ele ontem. O cara foi pro jogo, não teve aquilo de adaptação e outras ladaias que se usam para tentar explicar porquê alguns ‘grandes jogadores’ chegam por aqui e ficam uma temporada inteira sem demonstrar o futebol que se esperava demonstrassem. Vargas é foda. Se ficar por aqui vai formar boa dupla com Kléber, com Lucas Coelho, William José ou algum outro. Qualquer um que não seja Marcelo Moreno, esse é muito ruim, muito frio, muito playboyzinho. Marcelo Moreno não tem ganas de vencer. Moreno não serve pra nós.

Mas Marcelo Moreno, no entanto, não foi a minha grande decepção, eu não esperava mesmo quase nada dele. Decepcionante para mim foi Elano, não por sua atuação, que, se não foi espetacular, também não foi ruim. Elano teve  atuação bem razoável, podemos até dizer que foi bem. Mas o que decepciona, o que frustra e esfria meu ânimo de torcedor é ver que Elano, depois de um mês de férias, depois de uma pré-temporada perfeita e depois de todos os cuidados que mereceu da equipe de preparação física, ainda não é capaz de permanecer em campo por 90 minutos. Isso me decepcionou muito.

(Foto: Diego Vara/Agência RBS)
(Foto: Diego Vara/Agência RBS)

Terminada a primeira parte do duelo Grêmio x LDU estamos atrás.  Agora é ir à forra em Porto Alegre. Para fazer os gols que necessitamos teremos Vargas melhor ambientado e jogando durante todo o tempo. Para garantir que nada de mal nos aconteça teremos Cris, outro excelente estreante, e possivelmente a volta de Grohe à titularidade. Teremos o grito e os cantos da torcida. Espero que tenhamos Elano e Zé Roberto mais eficientes e decisivos do que foram ontem e, quem sabe até tenhamos algum gol de Marcelo Moreno.

O Imortal, por circunstâncias alheias a qualquer planejamento, volta derrotado de Quito (veja os melhores momentos aqui), ferido, é verdade, mas inteiramente vivo ainda no duelo. Não tenho a menor dúvida de que, pelo que viu ontem, a LDU sabe que terá um grande adversário pela frente na próxima semana. Eles vêm apostar no empate. Não tem como ganharem a aposta, no primeiro grande jogo da Arena (claro que vai ser na Arena) o vencedor tem que ser o Grêmio, não interessa como.

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