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Vasco 3×3 Grêmio – O grande treinador

Confesso que ontem, quando o Vasco marcou seu terceiro gol, e com isso abriu vantagem de dois sobre o Grêmio, eu não cheguei nem sequer a imaginar que tudo estivesse perdido. Fiquei preocupado, é verdade, mas continuei acreditando que o Imortal ia dar um jeito naquilo. Não acho que eu tenha sido o único. Na verdade creio que a grande maioria dos gremistas sentia-se como eu naquele momento. No Grêmio  de hoje a gente pode acreditar. E toda essa credibilidade tem nome e tem sobrenome, chama-se Renato Portaluppi.

Foto: Gilvan de Souza

Gremistas da minha idade já sabiam, pois já o tinham assistido dentro de campo, os gremistas mais jovens, que apenas tinham ouvido falar, agora estão tendo a prova de que Renato é absolutamente maluco. O jogador habilidoso, irreverente, por vezes até indisciplinado, que só sabia atacar, que se recusava a perder, tornou-se treinador. Treinador de verdade. Um grande treinador. Parece que, tal qual já havia ocorrido com alguns como Valdir Espinosa, Felipão, Tite e, mais recentemente, com Mano Menezes, que após belas passagens pelo Imortal Tricolor, acabaram reconhecidos como bons profissionais, Renato Portaluppi será mais um treinador a alcançar a consagração treinando o grande Grêmio.

A vitória de ontem – na verdade um empate, mas que tem o valor de uma vitória – deve ser creditada inteiramente à ousadia de Renato, ao talento de Jonas, ao esforço de todos os atletas e à saída de Meira. Afinal, como as coisas melhoraram no vestiário tricolor a partir da chegada de Alberto Guerra. Estou enganado? Como é bom não ter um diretor de futebol que só atrapalha a cada entrevista que dá, antes e depois de cada rodada. Não creio que seria apropriado, nesta postagem, ficar querendo explicar que o Imortal não fez uma grande partida (grande coisa!), querer ficar criticando (pela enésima vez) a atuação de Fábio Santos, ou dizer que Rafael Marques, Lúcio e André Lima não jogaram tanto quanto em outras ocasiões (grande coisa!). É normal que seja assim, nem sempre vamos fazer grandes jogos, nem sempre todos vão estar nos seus melhores dias. O que vale, ao menos para mim, é aquilo que eu já conhecia do velho Grêmio de Felipão e que, tomara, parece estar voltando a surgir no Grêmio de Portaluppi: a não aceitação da derrota. O Grêmio de Portaluppi não gosta de perder, não quer perder, não aceita perder, recusa-se terminantemente a desistir de tentar e, o que é o melhor de tudo, não perde mesmo.

Obrigado, Renato, grande treinador.

Foto: Ricardo Duarte

Em 2008, o ano em quase conseguimos, ficou bem claro que se tivéssemos um treinador menos ruim do que Celso Roth e alguém que fosse artilheiro de verdade, alguém menos ruim que Peréa, Reinaldo ou Marcel, provavelmente não tivéssemos ficado só no ‘quase’. Se tivéssemos contado com Renato – que era só convidar que ele vinha -, se tivéssemos contado com Jonas – que estava emprestado à Lusa – e certamente o São Paulo, a CBF, o Tardelli e a Madonna não teriam comemorado aquela conquista.

Naquela oportunidade o presidente era Paulo Odone, o mesmo que assumirá em janeiro. Acho que ele deve ter aprendido essa lição. Em 2011 nosso time começa por Victor, o goleiro ninja; Jonas, o artilheiro que dança e chora e, fundamentalmente, por Renato Portaluppi, o grande treinador.

Sobre a eleição

Assim como vem ocorrendo há bastante tempo na mídia, serrista desde criancinha, vozes oportunistas surgem na atual situação do clube para ‘lamentar’ o fato de que o presidente tenha sido eleito sem a necessidade da participação dos torcedores. Lamentam, agora que lhes convém, a tal cláusula de barreira, a mesma que a atual situação, no passado, não aceitava nem discutir. De minha parte não acho que o presidente, caso houvesse votação dos sócios, seria outro. Lamento por Cacalo e pelo dr. Koff, mas a verdade é que a gestão que eles juraram apoiar, mas que, na prática, só apareceram no dia da votação, foi lamentável em atos, palavras e omissões.

Avaí 0x3 Grêmio – Menos mal

Ao fim e ao cabo o último parágrafo do post do dia dois de setembro acabou sendo meio que confirmado nas últimas atuações do Imortal longe do Rio Grande do Sul.

Era de se prever, ou ao menos de se esperar, que o Imortal, apesar da enorme falta de capacidade de presidir demonstrada – e até assumida – por seu presidente, Duda ‘pinta de playboy’ Kroeff, estivesse chegando, pela estrela vencedora de seu treinador Renato Portaluppi e por sua própria grandeza, ao momento em que iria começar a vencer jogos fora de casa. É verdade que o Grêmio não chegou a vencer o Botafogo, apenas empatou, mas a maneira como conseguiu chegar ao empate se assemelhou muito a uma vitória. Saindo de dois a zero contra e conseguindo chegar a um dois a dois, e com um homem a menos, o Grêmio arrancou, lá no Engenhão, um empate que teve o efeito moral e psicológico de uma vitória, de uma grande vitória, quase uma façanha. Depois disto, ganhar do Corinthians em São Paulo e golear, ontem, o Avaí em Floripa foi apenas uma questão de autoconfiança. O Grêmio de Portaluppi acredita em si mesmo, ignora o fator local e não se deixa abater pela aura derrotista de seu presidente. O Grêmio de Portaluppi está no caminho certo… ou quase. Afinal, ainda falta readiquirir a força que demonstrava ter na temporada passada. Caso readiquira essa força, aí sim, estaremos, como acredita Renato, disputando vaga à Libertadores 2011.

Nada mal. Excelente recuperação para um time que até algumas rodadas – eu mesmo afirmava – deveria se dar por satisfeito caso não fosse rebaixado.

Essa mudança tão radical não foi, porém, fato do acaso. Renato tem grande responsabilidade nisto. A substituição do chatíssimo Meira por Alberto Guerra tem também, eu creio, bastante peso nisso.

Porém, a maior de todas as mudanças se chama Douglas. Como escrevi, neste mesmo post do dia dois, faltava a Douglas realizar uma sequência de boas atuações, as boas atuações de nosso armador haviam sido muito esparsas, esporádicas. Douglas, após uma boa partida, jogava muitas partidas apenas regulares alternadas com outras até mesmo bem ruins. Renato falou sobre Douglas aos torcedores, disse o que pretendia para ele e o que esperava que ele fizesse dentro de campo. Mais do que isso, Renato deve ter falado de Douglas para o próprio Douglas. Craque com craque se entende. Douglas entendeu – e atendeu – as expectativas do treinador. Douglas está jogando bem uma atrás da outra, voltou a jogar muito na noite de ontem e o resultado é esse que vemos: o Tricolor de Portaluppi é bem diferente do que vinha sendo até alguns dias. O Imortal não está apenas pronto para vencer fora de casa, ele agora está vencendo mesmo.

Infelizmente o caso de Souza permanece inalterado. Souza, que nunca joga bem, continua o mesmo: uma decepção.

Pena foi o tropeço diante do Palmeiras. Pena mesmo – e bem no dia do aniversário. Mas isso não deve nos desmotivar, o Grêmio do returno tem se mostrado imbatível. Dentro ou fora do Estádio Olímpico, o Grêmio de Portaluppi, neste segundo turno, tem sido imbatível para todos os adversários. Todos menos um: o grande Felipão, mestre dos mestres.

Menos mal que foi assim.

ninguemnacional 0x0 Grêmio – Campeonato Brasileiro 2010

A décima oitava posição não é uma colocação merecida para um clube das grandeza e tradição do Imortal Tricolor, porém não podemos considerar surpresa que um clube dirigido por uma dupla despreparada e pouco capaz como a formada pelos doutores Duda e Meira esteja nesta colocação. É merecido. A verdade é que o doutor Meira  está virando piada, o rádio esportivo gaúcho está se enchendo de ‘humoristas’ que o imitam em suas tristes entrevistas e ele, e por extensão o Grêmio, estão virando piada.

O Tricolor apenas conseguiu quatro pontos nas últimas cinco rodadas, faz uma campanha capaz de levá-lo mais uma vez à série B e nosso querido Meira fica achando que a culpa é da imprensa, ironizando a torcida que comemorou o título do Gauchão e afirmando que “o Grêmio deveria ter vencido” tanto o Gre-nal quanto o jogo passado, contra o Cruzeiro. Pode até ser, mas é aí que está o problema. A exata razão de o Tricolor ter sido rebaixado em 2004 foi porque “deveria ter vencido” um monte de jogos que não venceu. É verdade que a arbitragem foi muito ruim, que não marcou dois pênaltis claros, que foi muito mais rigorosa nos cartões com o Grêmio, mas a maior de todas as verdades, a que fica e que importa, é que o Imortal não venceu, não somou pontos e permanece entre os últimos do campeonato.

Não dá pra desconsiderar também o fato já sabido e aceito de que o atual presidente Duda Kroeff é da mesma linhagem e “perfil” do ex-presidente Flávio Obino, e até agora não demonstrou um pingo a mais de capacidade do que Obino demonstrou em 2004, então não temos o direito de duvidar de que um trabalho tão incrivelmente parecido acabe nos trazendo um resultado exatamente igual. Esse negócio de ser imortal é muito bom e até muito bonito, mas o Tricolor não tem o direito de querer ficar brincando de Imortal, caindo toda hora. Uma hora a torcida pode cansar e as reações são imprevisíveis.

Eu sei que ainda parece cedo para começar a falar em rebaixamento, mas essa é uma preocupação que tenho desde meados de 2008, quando Duda Kroeff foi eleito. E, além do mais, é melhor pecar por excesso do que por omissão, ainda mais quando se torce por um clube que é presidido, dirigido e aconselhado por um grande número de omissos.

Quanto ao Gre-nal propriamente, até concordo que o Grêmio tenha jogado melhor e merecido a vitória. Mas que diferença faz? O Grêmio não venceu. Silas escalou os jogadores que tinha e fez as alterações que podia. Todas as alterações foram para deixar o time mais defensivo, um absurdo para quem necessitava urgentemente de vitória. Mas como fazer diferente? Afora Jonas e Borges, que outras opções tem o treinador para tornar o ataque eficiente? Só uma discordância: continuo achando que Maylson é muito ruim e que não merece ser titular do time de Silas, mas penso que sua saída, para a entrada de Edilson, foi um grande erro, Ferdinando é quem deveria ter sido substituído. Afinal, o que pretendia o treinador quando, ao fim do jogo, tinha em campo um time com três volantes, três meias e apenas um atacante? Será que ele pretendia fazer um gol e vencer?

Só se fosse por sorte.