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Grêmio em desvantagem, mas favorito em Porto Alegre

(Reprodução/SporTV)
(Reprodução/SporTV)

Quando vi Dida sentado no gramado sinalizando para o árbitro, pensei que estivesse apenas demonstrando sua experiência, seu talento ‘copero’ e justificando a decisão de Vanderlei Luxemburgo de torná-lo titular e ignorar toda a qualidade demonstrada por Marcelo Grohe nas últimas duas temporadas. Infelizmente não se tratava apenas disto. Dida estava mesmo lesionado, e acabou deixando o campo.

A entrada de Grohe não seria motivo para preocupação dos gremistas, pelo contrário. Mas sempre dá um friozinho na barriga ver um goleiro entrar na partida em razão de uma emergência (goleiros sempre entram por emergências) em momento tenso de uma partida.

Faltou um pouco de malandragem da parte do Grêmio. A substituição foi rápida demais. Marcelo deveria ter levado mais tempo para entrar no jogo, deveria ter aquecido mais  e, ao mesmo tempo, dado tempo para que a LDU esfriasse um pouco. O adversário viu, na entrada de um goleiro frio, a oportunidade perfeita para tentar fazer um gol ‘na marra’.

Grohe não teve tempo, nem teve chance. Alguns segundos em campo e já estava sendo alvo do primeiro chute à queima-roupa. Fez uma grande defesa, mas a bola foi no travessão e, na sequência, veio o segundo chute violento. Milagroso, Marcelo salvou mais uma vez. Porém, o terceiro chute indefensável veio no instante seguinte. Marcelo nada pode fazer.

Dida não teve culpa da lesão, é óbvio, mas a verdade é que, na prática, acabou deixando o Imortal na mão. Marcelo Grohe, o cara que quase todo gremista queria (e ainda quer) ver como titular, entrou apenas para levar o gol. Circunstâncias de um jogo. Azares de um atleta profissional.

A metade da decisão se foi. O Imortal deixou de vencer um jogo que poderia merecidamente ter vencido e agora está em desvantagem. Tem a volta, na Arena ou seja lá aonde for, e acho muito justo acreditar, pelo que vimos ontem, especialmente no início da segunda etapa, que o Tricolor tem todas as condições de vencer pelo placar necessário.

Foi uma pena que aquele ímpeto e aquela qualidade demonstrados na volta do intervalo não tivessem se estendido por mais tempo, não tivessem redundado em gol. Acredito que, se o Grêmio tivesse aberto o placar, se tivesse largado na frente, e até teve chances para isso, teria vencido naturalmente a partida de ontem.

(Foto: Diego Vara/Agência RBS)
(Foto: Diego Vara/Agência RBS)

Vargas fez ótima estreia confirmando as expectativas de todos. Habilidade, inteligência, velocidade e disposição. Faltou chutar a gol, isso ele não fez. Mas já tá muito bom para alguém que chegou da Europa, assinou contrato e imediatamente viajou a Quito para fazer a estreia em uma equipe que ele jamais tinha visto. Vargas não deve saber nem mesmo os nomes de alguns caras que estavam jogando com ele ontem. O cara foi pro jogo, não teve aquilo de adaptação e outras ladaias que se usam para tentar explicar porquê alguns ‘grandes jogadores’ chegam por aqui e ficam uma temporada inteira sem demonstrar o futebol que se esperava demonstrassem. Vargas é foda. Se ficar por aqui vai formar boa dupla com Kléber, com Lucas Coelho, William José ou algum outro. Qualquer um que não seja Marcelo Moreno, esse é muito ruim, muito frio, muito playboyzinho. Marcelo Moreno não tem ganas de vencer. Moreno não serve pra nós.

Mas Marcelo Moreno, no entanto, não foi a minha grande decepção, eu não esperava mesmo quase nada dele. Decepcionante para mim foi Elano, não por sua atuação, que, se não foi espetacular, também não foi ruim. Elano teve  atuação bem razoável, podemos até dizer que foi bem. Mas o que decepciona, o que frustra e esfria meu ânimo de torcedor é ver que Elano, depois de um mês de férias, depois de uma pré-temporada perfeita e depois de todos os cuidados que mereceu da equipe de preparação física, ainda não é capaz de permanecer em campo por 90 minutos. Isso me decepcionou muito.

(Foto: Diego Vara/Agência RBS)
(Foto: Diego Vara/Agência RBS)

Terminada a primeira parte do duelo Grêmio x LDU estamos atrás.  Agora é ir à forra em Porto Alegre. Para fazer os gols que necessitamos teremos Vargas melhor ambientado e jogando durante todo o tempo. Para garantir que nada de mal nos aconteça teremos Cris, outro excelente estreante, e possivelmente a volta de Grohe à titularidade. Teremos o grito e os cantos da torcida. Espero que tenhamos Elano e Zé Roberto mais eficientes e decisivos do que foram ontem e, quem sabe até tenhamos algum gol de Marcelo Moreno.

O Imortal, por circunstâncias alheias a qualquer planejamento, volta derrotado de Quito (veja os melhores momentos aqui), ferido, é verdade, mas inteiramente vivo ainda no duelo. Não tenho a menor dúvida de que, pelo que viu ontem, a LDU sabe que terá um grande adversário pela frente na próxima semana. Eles vêm apostar no empate. Não tem como ganharem a aposta, no primeiro grande jogo da Arena (claro que vai ser na Arena) o vencedor tem que ser o Grêmio, não interessa como.

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Humilde, dedicado e competente. Grohe deveria ser o titular, mas…

Se eu achava que Victor deveria ser reserva de Grohe, por quê eu acharia, agora, que Grohe devesse ser reserva de Dida?

Por mérito e justiça, Marcelo deveria ser o titular do gol do Grêmio. Se eu fosse o treinador, é claro que ele seria.

Mas eu não sou o treinador, Luxemburgo que é, e Luxemburgo parece mesmo decidido a deixar Marcelo Grohe no banco.

Não acharia errado, não mesmo, se Grohe decidisse, confirmada sua condição de reserva, deixar de vez o clube. Sinceramente, se Grohe mais uma vez perder injustamente a condição de titular, acredito ser seu pleno direito procurar algum outro clube.

Humilde, Grohe já foi reserva de muita gente na Azenha. Dedicado, ele seguiu treinando e lutando para conseguir seu espaço. Competente, ele provou, em campo, que tem plenas condições de ser o goleiro titular do Imortal, mas…

(Fotos: Wesley Santos/PressDigital)
(Fotos: Wesley Santos/PressDigital)

Eu não apostaria, não ainda, que Dida vá ser o titular na estreia do Tricolor na pré-Libertadores contra a LDU. Lá na sua montanha a LDU é quase imbatível. Cada chute deles, de qualquer distância, se torna um grande perigo. O ar rarefeito da altitude torna a  bola mais veloz e seu curso se torna (mais ou menos) imprevisível. (Quem não lembra de como a LDU ganhou do Fluminense na final da Libertadores?).  A estreia do Grêmio é um jogo de alto risco, especialmente para o goleiro. Sei lá, Luxemburgo é malandro demais, não tô acreditando que ele vai arriscar a permanência de Dida, uma indicação sua, logo de cara, logo numa partida tão difícil, logo num palco tão desfavorável ao goleiro.

Acho que Luxemburgo ainda não se decidiu. Ainda há chances de Grohe preservar sua condição de titular.

De qualquer forma, e deixadas de lado todas as birras e carinhas emburradas, não acho que o Tricolor tenha errado na contratação de Dida.

Quem quer ser campeão precisa de grupo. Ter Dida e Grohe, independentemente  de quem seja o titular, é ter grupo. Um grande goleiro em campo e outro do mesmo nível no banco. Isso é muito bom para o Grêmio. Escolher o titular é prerrogativa do treinador. Luxemburgo é o treinador, ele que escolha.

E, honestamente, aquele que Luxemburgo escolher terá todo o meu apoio, toda a minha torcida.

Vamos lá, gremistada, vamos parar de falar mal do Grêmio. Pra isso a mídia já tem um monte de gente.

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A gente tem dois goleiros

(Fotos: Wesley Santos/PressDigital)
(Fotos: Wesley Santos/PressDigital)

Não é de hoje que defendo a titularidade de Marcelo Grohe. Já escrevi sobre isso ainda em 2011.

De lá para cá, nada ocorreu que me fizesse mudar de ideia. Achava que Marcelo merecia ser titular e ainda acho.

Luxemburgo, no entanto, dá indícios de pensar diferente. Daí eu penso: quem sou eu pra ficar duvidando das escolhas de Luxemburgo?

Embora muitos não queiram aceitar, e até mesmo tentem desmentir, o fato é que o Tricolor tem mesmo uma escola de goleiros. Historicamente o clube tem formado goleiros titulares da primeira divisão do futebol nacional. Não é por acaso que o goleiro titular do campeão mundial 2012, o Corinthians, é oriundo da base gremista. O Grêmio forma bons goleiros, isso é um fato. Marcelo Grohe é apenas mais um dos bons produtos da marca Grêmio. Ninguém tem o direito de se surpreender. Outros grandes goleiros vieram antes dele, outros tão grandes ou até maiores ainda virão.

Gustavo Bussato,  até agora, indica que seguirá por esse mesmo caminho trilhado por tantos outros. No entanto, não acho que o Grêmio devesse ir para uma Libertadores com Grohe em campo e Bussato no banco. Seria uma temeridade, uma imprevidência. Não duvido das qualidades de Bussato, mas não acho correto – nem mesmo justo – corrermos o risco de, em alguma emergência, vermos depositada sobre suas jovens e inexperientes mãos a responsabilidade de decidir a continuidade do Imortal na Libertadores 2013.

Então, nunca fui contrário à contratação do velho Dida. É claro que sempre acreditei que a intenção do Grêmio era contratar um reserva experiente e confiável para o titularíssimo Marcelo Grohe. Mas parece que mais uma vez eu estava enganado.

Não tem como não aceitar que a decisão de Vanderlei Luxemburgo de entregar a titularidade a Dida é das mais discutíveis, mas daí eu volto à pergunta que me fiz logo no início desta postagem: quem sou eu pra ficar duvidando das escolhas de Luxemburgo?

Juro que, a princípio, achei que isso era apenas uma baita injustiça perpetrada contra nosso ótimo jovem goleiro – mais uma, mas o tempo me fez perceber que talvez não se trate apenas disso. Sei lá, tô achando que Luxemburgo, que jamais ganhou uma Libertadores, tá com muita vontade de ganhar a primeira. Luxemburgo escolheu Dida por algum motivo e eu, honestamente, confio muito no Vanderlei.

Dida começa como titular e, para qualquer emergência, a gente tem o Grohe.

Ah, vamos combinar, a gente tem dois goleiros e pode se dar ao luxo de escolher. Não tem crise, o que tem é má vontade dos ‘especialistas’ da mídia.

A gente tem dois estádios

Monumental e ArenaAndo cada vez mais convencido de que cavalos têm chifres e que só não os veem quem não quer. Eu não consigo, por exemplo, ver problemas em o Imortal voltar a mandar alguns jogos no nosso velho e amado Monumental.

Tem um monte de gente dizendo que o Tricolor está pagando mico ao decidir iniciar o Gauchão 2013 no Olímpico. Mas onde está o mico?

Vamos aos fatos: a tabela do regional estabelece que o Grêmio detém os mandos de campo nos jogos contra Canoas e Santa Cruz. Isso significa que o Imortal escolhe onde esses jogos serão realizados. Nada há que obrigue o Tricolor a realizar essas partidas na Arena. Ora, se o Grêmio pode escolher, ele que escolha segundo suas próprias conveniências, que faça o que julgar melhor para si e para seus interesses. Quem quiser estranhar, estranhe. Ninguém, porém, tem o direito de achar que está errada a decisão, ninguém tem o direito de criticar uma escolha que pertence única e exclusivamente ao Grêmio.

Eu não vejo nenhum problema em voltarmos ao Monumental. Pra mim esse cavalo é mocho. Mas tem gente que insiste em ver as guampas do bicho.

(E espero que o ex-presidente Odone, que promete se pronunciar na segunda-feira, não seja tão infeliz quanto já foi o atual, Fábio Koff, na hora de falar sobre as coisas da Arena.)

Argumentam que o estádio já teve seu último jogo oficial, que já houve despedida e que muita gente até já chorou após o último Gre-nal. Verdade. Mas e daí? A gente vai no Olímpico ‘pela última vez’ mais algumas vezes. Sem problema. A gente se despede do velho casarão outra vez. Sem problema.

E se a gente tiver que chorar, a gente chora outra vez. Qual é o problema. Cadê o mico?

Mico é não ter estádio pra jogar. O que é exatamente o caso de um outro clube (metido a) grande de Porto Alegre.

Ah, vamos combinar, a gente tem dois estádios e pode se dar ao luxo de escolher. Não tem crise, o que tem é má vontade dos ‘especialistas’ da mídia.