Arquivo da tag: Paulo Odone

Cabrito não estreia, mas Mamute marca o seu (‘Facinho’ o São José)

Não há muito o que dizer sobre a partida de ontem, foi um passeio, um desfile gremista em sua velha casa.

Por cinco vezes o Monumental testemunhou o fenômeno gremista conhecido como avalanche. Nenhum incidente. Será que é mesmo necessário acabar com essa consagrada coreografia criada pela torcida tricolor. Claro que não.

Oportunista, Yuri Mamute fez o seu na goleada de ontem sobre o São José(Foto: Fernando Gomes/Agencia RBS)
Oportunista, Yuri Mamute fez o seu na goleada de ontem sobre o São José
(Foto: Fernando Gomes/Agencia RBS)

Em dia de Cabrito, Pará até cruzamento acertava ontem. Zé Roberto, inspirado, parecia um craque de verdade.

Muito fácil ganhar do São José, ainda mais no Monumental. Muito fácil fazer gol na defesa ‘imbatível’ deles, até o Mamute fez; e Bertoglio, que não jogava há quase um ano, fez o seu também.

Só mais um joguinho de Gauchão.

Mas as facilidades encontradas ontem não devem ser desperdiçadas, sempre que houver possibilidade deve-se utilizar time titular no Campeonato Gaúcho. Ainda que a competição não tenha grande valor, goleadas como a de ontem fazem bem ao grupo, trazem alegria, confiança, adoçam os ânimos. Grupos alegres e confiantes tendem a superar com mais naturalidade as dificuldades que se imponham no futuro. E elas virão, tenham certeza.

Não há muito o que dizer sobre a partida de ontem, foi um passeio, um desfile gremista em sua velha casa.

Por cinco vezes o Monumental testemunhou o fenômeno gremista conhecido como avalanche. Nenhum incidente. Será que é mesmo necessário acabar com essa consagrada coreografia criada pela torcida tricolor? Claro que não. Mas os ‘especialistas’ da mídia não veem a hora de comemorar sua extinção, para isso contam com o apoio importante do atual presidente gremista, que, desconfio eu, também não tem grande apreço pela avalanche e pela Geral. O presidente Koff parece não conseguir dissociar essas duas marcas gremistas de seu histórico desafeto Paulo Odone.

Pra terminar

Ainda tem pelo menos mais um jogo, contra o Santa Cruz, marcado pra Azenha, mas creio que ontem teria sido a oportunidade perfeita para se encerrar, de uma vez por todas, as atividades no Olímpico. O velho estádio já teve abraço e despedida, lágrimas e homenagens, algum dia vamos ter mesmo que parar de atuar por lá. E o jogo de ontem, reunindo os dois clubes mais respeitáveis de Porto Alegre, teria sido o final ideal para o encerramento da gloriosa história de nosso Monumental.

___

Leia mais

Up dated com gols

Goleada contra o limitado São José não omite deficiências do Grêmio

Goleada e grande autação contra o São José. Tricolor aplicou 5 a 1 no melhor time do campeonatomelhor time do campeonato

Por que não devemos jogar com os titulares

Campeonato para enganar bobo?

Gauchão 2013: tem que jogar “à vera” lá de vez em quando

Ao natural

Gauchão – Grêmio 5×1 São José

Anúncios

Luxemburgo e “a crise no Grêmio”

 (Foto: Vitor Rodriguez/Grêmio FBPA)
(Foto: Vitor Rodriguez/Grêmio FBPA)

O Grêmio tá com cara de crise. Não dá pra negar, mesmo sendo muito gremista, que o clube demonstra fortes sintomas de crise.

Se a gente for pensar, as raízes destas coisas ruins que vêm acontecendo ultimamente já são bastante antigas. O Grêmio vem vivendo ‘em estado de crise’ desde os tempos do mal explicado ‘Caso ISL’. Essa associação mal-sucedida levou o Tricolor a um estado de semi-falência, jogou o clube (mais uma vez) na Série B e provocou uma divisão que julgo deva ser eterna entre os caciques do clube. Odone/Guerreiro de um lado, Fábio Koff de outro.

Não vejo nenhuma possibilidade de reaproximação entre estes grupos, e isso ficou ainda mais claro quando do dia da posse de Fábio Koff, ao final de 2012. O clima de inimizade era indisfarçável. Mais tarde, a maneira como Fábio Koff se referiu à Arena, uma realização do Grêmio, mas que Paulo Odone fez questão de personalizar, deixa clara a guerra de egos existente entre esses dois gremistas ilustres. Há uma disputa de beleza que, julgo eu, jamais chegará ao fim. As vaidades de Odone e Koff, a mim parece, tão grandes se tornaram que já não cabem mais em um mesmo clube. Ainda que o Grêmio mantivesse os dois estádios, Monumental e Arena, ainda assim não haveria espaço suficiente para abrigar dois egos tão agigantados.

A gente deveria estar falando sobre Eduardo Vargas, que amanhã desembarca no Salgado Filho, para assinar com o Imortal e ser fotografado pela primeira vez com a sagrada camisa tricolor. No entanto, a notícia relevante da Azenha (ou seria do Humaitá?) é a crise. Não dá, desta vez, para querermos responsabilizar a mídia, não dá para acusá-la de estar tentando criar a crise. Os fatos ocorrem, a mídia os repercute e assim expõe a crise. Crise que parece até já ter um responsável. Para muitos senhores ‘especialistas’ o responsável pelas más notícias vindas do Imortal é um só: Vanderlei Luxemburgo.

Mundstock e Selaimen

Cá estamos ainda em janeiro. A nova gestão não tem mais do que três semanas, no máximo. Dois dos principais nomes escolhidos pelo presidente Koff já foram incinerados.

Fábio Mundstock e “o segredo do cofre”

Fábio Mundstock foi a primeira demonstração de que a crise era real, e não uma conspiração da mídia imparcial para desestabilizar a nova direção e seu projeto de reconquistar a América.

Numa atitude amadora, inesperada, incompreensível e imperdoável, o dr. Mundstock, tomou a iniciativa de mandar email para um jornal gaúcho expondo a intimidade do clube. Fez acusações ao treinador e equivocadamente afirmou que Luxemburgo houvesse feito campanha em favor do ex-presidente Odone. Não me pareceu que o tivesse. Segundo o email de Mundstock, que mereceu resposta de Luxemburgo em seu blog, o grande ‘nome do cofre’ seria o do zagueiro uruguaio Lugano, que só não teria sido contratado porque ‘o treinador não aprovou’. É possível que Luxemburgo tenha mesmo vetado a contratação, eu sei lá, o que sei é que já faz alguns anos que o Grêmio, assim como outros grandes clubes brasileiros, vem ameaçando contratar Lugano mas ninguém o contrata de fato. Lugano não veio em 2013 da mesma forma que não tinha vindo em tantas outras temporadas anteriores, quando Vanderlei ainda não estava aqui. Mundstock fez aquilo que não devia e acabou demitido pelo presidente que o convidara a participar da gestão do clube. De quem é a responsabilidade, de Luxemburgo?

Omar Selaimen e a “experiência decepcionante”

Omar Selaimen não precisou ser demitido, ele mesmo tomou a iniciativa de se demitir. A versão que dá a respeito de sua decisão de demitir-se, portanto a versão oficial, é de que foi movido inteiramente por razões particulares. Não houve, segundo o próprio Selaimen, nenhum atrito com qualquer pessoa do clube, da direção ou da comissão técnica. Não houve, afirma ele, divergências ou incompatibilidade com o treinador. Omar Selaimen diz que foi surpreendido pelo que viu à sua frente, que as coisas não eram como imaginava que fossem e que se deparou diante de situações com as quais não saberia lidar. Decidiu sair. Por amor ao clube, Omar Selaimen abriu mão do cargo que ocupava há tão pouco tempo. De quem é a responsabilidade, de Luxemburgo?

Gremista, eu fico aqui assistindo a todas essas coisas e tentando entender por quê elas ocorrem. Como podem ter durado tão pouco tempo essas duas escolhas do experiente e competentíssimo Koff? Já tinha escrito que estranhava as escolhas. Se é mesmo verdade que Koff quis ‘homenagear’ Omar Selaimen e Fábio Mundstock com estes cargos como forma de reconhecimento aos relevantes serviços prestados durante sua campanha à presidência do Tricolor no biênio 13/14, então fica fácil identificar o responsável por essa crise de autoridade agora instalada no clube. E esse cara não é o Luxa.

Vilson e Gabriel

Por atos de indisciplina, durante e após treinamento no Equador, Vilson acabou afastado do time que enfrentará a LDU na estreia gremista na pré-Libertadores 2013. Há muitas versões que tentam acusar o treinador de falta de tato e abuso de autoridade. Se Vilson deu demonstrações de instabilidade emocional durante um simples jogo treino, o que esperar na hora que fosse uma partida oficial valendo a continuidade na Libertadores? Se Vilson se recusou a retomar um trabalho que ainda não havia se encerrado – em síntese, se ele se recusou a trabalhar -, então não  deve haver condescendência. Vilson deu piti e foi acertadamente afastado.

Não vou aqui discutir as qualidades de Vanderlei Luxemburgo como treinador. Ele se tornou reconhecido no mundo inteiro, cada um que faça seu próprio juízo a respeito do trabalho do Vanderlei. O que não dá para discutir é a autoridade de um treinador, essa tem que ser acatada e ponto final. Exemplos do mal que a falta de autoridade de um treinador pode fazer em um grupo temos visto aos montes na beira do rio dos últimos tempos.

Gabriel está deixando o Grêmio. Finalmente. Gabriel, na relação custo-benefício, só se justificou durante 2010. Encostado lá na Azenha há dois anos, Gabriel tornou-se um peso morto, um desperdício de dinheiro bastante ironizado por alguns ‘especialistas isentos’.  Possivelmente o lateral de valor discutível permaneça em Porto Alegre. Provavelmente, se for contratado pelo clube da beira do rio, até mesmo faça um bom campeonato gaúcho. E paramos por aí. Embora já haja quem queira debitar a saída deste atleta também na conta de Vanderlei Luxemburgo, não devemos esquecer que ele só foi titular durante a permanência de Renato no Grêmio. E entre a saída de Renato e a chegada de Luxemburgo muitos outros treinadores tiveram a chance de escalar Gabriel no time titular, nenhum o fez. Gabriel não joga nada há dois anos por culpa única e exclusiva dele mesmo. Nada a ver com Luxemburgo.

 ___

Outras opiniões

Torpedos para a imprensa e as falsas crises

A crise no Grêmio é eterna

Chega de MIMIMI

Grohe ou Dida, Monumental ou Arena. A gente tá podendo escolher

A gente tem dois goleiros

(Fotos: Wesley Santos/PressDigital)
(Fotos: Wesley Santos/PressDigital)

Não é de hoje que defendo a titularidade de Marcelo Grohe. Já escrevi sobre isso ainda em 2011.

De lá para cá, nada ocorreu que me fizesse mudar de ideia. Achava que Marcelo merecia ser titular e ainda acho.

Luxemburgo, no entanto, dá indícios de pensar diferente. Daí eu penso: quem sou eu pra ficar duvidando das escolhas de Luxemburgo?

Embora muitos não queiram aceitar, e até mesmo tentem desmentir, o fato é que o Tricolor tem mesmo uma escola de goleiros. Historicamente o clube tem formado goleiros titulares da primeira divisão do futebol nacional. Não é por acaso que o goleiro titular do campeão mundial 2012, o Corinthians, é oriundo da base gremista. O Grêmio forma bons goleiros, isso é um fato. Marcelo Grohe é apenas mais um dos bons produtos da marca Grêmio. Ninguém tem o direito de se surpreender. Outros grandes goleiros vieram antes dele, outros tão grandes ou até maiores ainda virão.

Gustavo Bussato,  até agora, indica que seguirá por esse mesmo caminho trilhado por tantos outros. No entanto, não acho que o Grêmio devesse ir para uma Libertadores com Grohe em campo e Bussato no banco. Seria uma temeridade, uma imprevidência. Não duvido das qualidades de Bussato, mas não acho correto – nem mesmo justo – corrermos o risco de, em alguma emergência, vermos depositada sobre suas jovens e inexperientes mãos a responsabilidade de decidir a continuidade do Imortal na Libertadores 2013.

Então, nunca fui contrário à contratação do velho Dida. É claro que sempre acreditei que a intenção do Grêmio era contratar um reserva experiente e confiável para o titularíssimo Marcelo Grohe. Mas parece que mais uma vez eu estava enganado.

Não tem como não aceitar que a decisão de Vanderlei Luxemburgo de entregar a titularidade a Dida é das mais discutíveis, mas daí eu volto à pergunta que me fiz logo no início desta postagem: quem sou eu pra ficar duvidando das escolhas de Luxemburgo?

Juro que, a princípio, achei que isso era apenas uma baita injustiça perpetrada contra nosso ótimo jovem goleiro – mais uma, mas o tempo me fez perceber que talvez não se trate apenas disso. Sei lá, tô achando que Luxemburgo, que jamais ganhou uma Libertadores, tá com muita vontade de ganhar a primeira. Luxemburgo escolheu Dida por algum motivo e eu, honestamente, confio muito no Vanderlei.

Dida começa como titular e, para qualquer emergência, a gente tem o Grohe.

Ah, vamos combinar, a gente tem dois goleiros e pode se dar ao luxo de escolher. Não tem crise, o que tem é má vontade dos ‘especialistas’ da mídia.

A gente tem dois estádios

Monumental e ArenaAndo cada vez mais convencido de que cavalos têm chifres e que só não os veem quem não quer. Eu não consigo, por exemplo, ver problemas em o Imortal voltar a mandar alguns jogos no nosso velho e amado Monumental.

Tem um monte de gente dizendo que o Tricolor está pagando mico ao decidir iniciar o Gauchão 2013 no Olímpico. Mas onde está o mico?

Vamos aos fatos: a tabela do regional estabelece que o Grêmio detém os mandos de campo nos jogos contra Canoas e Santa Cruz. Isso significa que o Imortal escolhe onde esses jogos serão realizados. Nada há que obrigue o Tricolor a realizar essas partidas na Arena. Ora, se o Grêmio pode escolher, ele que escolha segundo suas próprias conveniências, que faça o que julgar melhor para si e para seus interesses. Quem quiser estranhar, estranhe. Ninguém, porém, tem o direito de achar que está errada a decisão, ninguém tem o direito de criticar uma escolha que pertence única e exclusivamente ao Grêmio.

Eu não vejo nenhum problema em voltarmos ao Monumental. Pra mim esse cavalo é mocho. Mas tem gente que insiste em ver as guampas do bicho.

(E espero que o ex-presidente Odone, que promete se pronunciar na segunda-feira, não seja tão infeliz quanto já foi o atual, Fábio Koff, na hora de falar sobre as coisas da Arena.)

Argumentam que o estádio já teve seu último jogo oficial, que já houve despedida e que muita gente até já chorou após o último Gre-nal. Verdade. Mas e daí? A gente vai no Olímpico ‘pela última vez’ mais algumas vezes. Sem problema. A gente se despede do velho casarão outra vez. Sem problema.

E se a gente tiver que chorar, a gente chora outra vez. Qual é o problema. Cadê o mico?

Mico é não ter estádio pra jogar. O que é exatamente o caso de um outro clube (metido a) grande de Porto Alegre.

Ah, vamos combinar, a gente tem dois estádios e pode se dar ao luxo de escolher. Não tem crise, o que tem é má vontade dos ‘especialistas’ da mídia.