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A voz do Brasil

A vontade de ver o ex-presidente morto é tanta que, a princípio, foi até difícil disfarçá-la. A alegria de certas pessoas com o diagnóstico as fazia parar de pensar e elas, eufóricas, exultavam nos microfones das rádios, nas colunas de jornais ou diante das câmeras de TV, fascinadas pelo câncer na laringe do Lula. Pareciam estar pensando: “Na laringe, que ótimo! São duas chances, se ele escapar com vida ao menos perde a voz”. Alguns mais apressados até já demonstravam sua decepção com a opção dos médicos pelo tratamento quimioterápico. Queriam logo a cirurgia. Queriam que se cortasse ‘o mal’ pela raiz. Queriam a extirpação completa, não do câncer, mas das cordas vocais do ex-retirante e ex-presidente. Queriam o Lula morto, mas, se isso não fosse possível, aceitariam um Lula mudo.

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Por Alves Rodrigues

Desde que foi tornado público o diagnóstico de câncer de laringe do ex-presidente Lula, setores mais radicais do PIG pareceram tomados de verdadeira euforia. Subitamente jornalistas e opinadores políticos e econômicos se deixaram tomar por uma espécie de excitação adolescente ante a possibilidade iminente (eles acreditavam) da morte do presidente mais popular da história.

Não devemos duvidar de que o PIG está repleto de ‘profissionais’ ansiosos por verem publicados seus trabalhos sobre a morte do ex-presidente. Quase certo que já tem muita gente preparando (por via das dúvidas) programas especiais contando a trajetória do operário-sindicalista-político, o nordestino retirante que, mesmo que o máximo de estudo que tenha conseguido tenha sido “um cursinho do SENAI”, ainda assim se tornou presidente da República. Um dos maiores, se não o maior, presidentes do Brasil. Um vencedor “como nunca antes na história deste país”.

Ao longo de seu governo, Lula cativou e conquistou, em definitivo, mais de 80% da população brasileira, por seus méritos, por sua obra. Isso, porém, em vez de amolecer um pouco o coração dos pouco mais de 10% que ainda hoje o desaprovam, ao contrário, endureceu mais ainda a falta de sensibilidade dessas pessoas que, por cultura, ideologia, preconceito ou simplesmente maldade mesmo, não gostam dos humildes. Mais do que simplesmente desaprovar os métodos e/ou decisões do ex-presidente, grande parte dessas pessoas desenvolveu um verdadeiro ódio à pessoa de Lula, não o ex-presidente, mas o cidadão Luis Inácio Lula da Silva, é a ele que elas odeiam. A razão deste sentimento pode muito bem estar no próprio sucesso do nordestino de Garanhuns, no acerto de suas políticas, no status de grande estadista que o retirante alcançou mundo a fora. Essas pessoas não odeiam ao Lula porque ele afundou o Brasil em crises, porque ele entregou o país ao FMI ou porque aprofundou mais ainda a miséria dos miseráveis. Não, nada disto. Elas o odeiam exatamente porque ele não fez nada disto. Odeiam-no porque foi um grande presidente, infinitamente melhor do que preconizavam os ‘especialistas’ em política e economia, tão abundantes no PIG. Odeiam ao Lula porque o invejam, porque ele foi melhor, muito melhor do que eles jamais poderiam supor que seria, e, muito especialmente, porque ele foi melhor, muito melhor, do que qualquer um destes ‘especialistas’ jamais poderia ser. Elas o odeiam pelo reconhecimento internacional que o ex-presidente alcançou, demonstrado na infinidade de prêmios que já recebeu e ainda hoje recebe. Por isso odeiam Lula. No fundo, tudo não passa de pura dor de cotovelo.

A vontade de ver o ex-presidente morto é tanta que, a princípio, foi até difícil disfarçá-la. A alegria de certas pessoas com o diagnóstico as fazia parar de pensar e elas, eufóricas, exultavam nos microfones das rádios, nas colunas de jornais ou diante das câmeras de TV, fascinadas pelo câncer na laringe do Lula. Pareciam estar pensando: “Na laringe, que ótimo! São duas chances, se ele escapar com vida ao menos perde a voz”. Alguns mais apressados até já demonstravam sua decepção com a opção dos médicos pelo tratamento quimioterápico. Queriam logo a cirurgia. Queriam que se cortasse ‘o mal’ pela raiz. Queriam a extirpação completa, não do câncer, mas das cordas vocais do ex-retirante e ex-presidente. Queriam o Lula morto, mas, se isso não fosse possível, aceitariam um Lula mudo.

Durante muitos anos Luis Inácio foi a voz dos metalúrgicos do ABC, uma voz combativa e produtiva, que elevou essa categoria de trabalhadores paulistas ao patamar dos mais altos pisos salariais do país. Mais tarde, depois de fundado o Partido dos Trabalhadores, Lula passou a ser a voz da esquerda brasileira, e foi a partir daí que começou a ganhar ainda muitos mais inimigos no PIG, esse poder paralelo, neoliberal, elitista e antidemocrático, que não convive com pensamentos divergentes, que não tolera crítica à propaganda capitalista que faz e à qual dá o nome de ‘jornalismo isento’. Mais tarde, depois de finalmente ter sido eleito presidente, Lula, o mestre da oratória, passou a ser a própria voz do Brasil. A voz do Brasil que era ouvido, não daquele Brasil de antes, ao qual ninguém dava importância. A voz rouca do ex-presidente tornou-se a voz do Brasil que era, agora sim, claramente ouvido no mundo. A voz capaz de interessar a americanos e iranianos, palestinos e israelenses. Lula, ao criar e efetivar suas políticas de inclusão e complementação de renda, tornou-se a voz dos miseráveis, dos famintos, dos excluídos, a voz dos brasileiros que não tinham direito ao Brasil próspero há tanto tempo prometido pelo neoliberalismo excludente e discriminador e descrito pelo PIG como “o único caminho”. Ao promover um efetivo combate à fome e à miséria, Lula justificou seus mandatos, destruiu toda a contrapropaganda do PIG e atraiu um novo olhar da comunidade internacional sobre o Brasil. Agora o mundo tem interesse em ouvir o que o Brasil tem a dizer, e o que o PIG não suporta é que isso seja dito pelo Lula, que já não é mais presidente, mas que nem por isso tornou-se menos importante. Hoje, quem quiser ouvir a opinião do Brasil poderá falar com a presidenta Dilma, ou então fale com Lula que, goste ou não o PIG, continua sendo o grande nome do PT, o grande nome brasileiro no cenário político internacional. Queiram ou não, gostem ou não, Lula ainda é a voz do Brasil. E deverá continuar sendo por ainda algum tempo mais, depois do sucesso da quimioterapia.

É que quando Lula fala, o mundo inteiro ainda para para ouvir. Na ONU, na Casa Branca, em Davos ou em Havana, no Haiti ou na Suécia, na China e no Tibet, todos querem ouvir o que o Brasil tem a dizer. Todos ainda querem ouvir o Lula, “o cara” que colocou o Brasil no cenário da diplomacia mundial. Ainda nos dias de hoje todos querem ouvir o Lula, a voz do Brasil. Isso é fato. Isso dói no PIG, que o quer morto ou pelo menos mudo.

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Nota: Eu sei que esta postagem nada mais é do que pura e escrachada propaganda lulista e que o autor (eu mesmo, no caso) em nenhum momento demonstra a isenção que cobra dos profissionais do PIG. Porém, é preciso que eu, em minha defesa, diga que este é um blog pessoal, que não retrata a opinião de um jornalista profissional formador de opinião e que, como deixo bem claro aqui, sou uma pessoa extremamente cética quanto à isenção das opiniões da mídia. Particularmente não consigo acreditar na imparcialidade ou isenção de ninguém, nem mesmo na minha. Afinal, concordem vocês ou não, no fundo Somos Todos Torcedores. Eu torço abertamente por Lula, e assumo isso, o problema é com as pessoas que mentem, disfarçam e não têm a honestidade de assumir que estão torcendo pelo câncer.

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O "fracasso" de Cuba no Pan Americano

Na verdade, uma eventual superioridade esportiva do Brasil sobre Cuba nem deveria ser usada como propaganda, isso deveria ser considerado quase como uma obrigação. O Brasil é o Estado mais rico e populoso da América Latina, infinitamente mais rico e muito populoso que a diminuta Cuba, superá-la, então, no número de medalhas deveria ser a consequência natural das coisas. Só não o é, no entanto, pelo louvável esforço e pela admirável capacidade de Cuba, seu povo e seus governantes.


Por Alves Rodrigues

O jornalismo produzido pelo Grupo RBS, afiliada gaúcha da Globo, não é pior ou melhor que aquilo que fazem os outros grandes grupos jornalísticos do Brasil. É a mesma coisa. Elogiam ou criticam pessoas, países, governos, políticas ou movimentos de acordo com seus próprios interesses.

Quando a RBS não gosta de algo ou alguém não poupa críticas, não desperdiça nenhuma oportunidade de ataque.

É óbvio que esta empresa não gosta de gente como Chávez, Fidel, Raúl e Ahmadinejad. Ditadores inimigos da democracia é o que são, segundo a definição do grupo jornalístico gaúcho e eu concordo que sejam. No entanto, nem sempre a RBS combateu os ditadores. Na verdade, o que ela sempre fez, e ainda faz, é escolher o ditador que lhe serve, que lhe convém. Fã da ditadura militar no Brasil, a qual apoiou e da qual colheu benefícios, do que o Grupo RBS não gosta realmente é de ditaduras não alinhadas ao imperialismo americano. Ignora o que acontece em Honduras. Não aprofunda a discussão sobre o terrorismo fascista e genocida do poderoso Israel contra a injustiçada Palestina. Não discute a ditadura dos Saud, mas, oportunista, demonizou a ditadura não-alinhada de Kadafi no momento em que o Pentágono e a Casa Branca decidiram que ela não lhes era mais útil.  Fez o mesmo com Saddam Hussein, caçado pelos americanos após este ter perdido a utilidade na guerra dos ianques contra os aiatolás do Irã. A RBS não tem nada contra os ditadores do mundo inteiro, apenas o que ela não suporta, não tolera e não admite são os inimigos do capitalismo colonizador proposto pelos – no passado ricos e poderosos – americanos e europeus , e que o milionário grupo capitalista gaúcho considera o mais perfeito dos modelos econômicos. Ora, deve ser muito fácil louvar o capitalismo quando se é tão capitalizado!

Na América Latina ninguém se contrapõe mais à política imperialista de Washington do que a Venezuela, de Chávez, e a pequena Cuba, de Fidel e Raúl. Fica fácil, por isso, entender a razão pela qual os jornalistas assalariados do Grupo RBS, tão aguerridos defensores da causa do ‘antissocialismo’, não perderam a oportunidade, desde os primeiros dias do Pan Americano de Guadalajara, de forçarem comentários – na verdade, mais comemorações pessoais do que comentários críticos – sobre um suposto fracasso cubano no México e a "evidente decadência da prática esportiva" no país de Fidel.

Logo no segundo ou terceiro dia dos jogos, quando o Brasil, com nove medalhas de ouro, nadava de braçada nas piscinas mexicanas, e deixava bem para trás a "fracassada" Cuba, com apenas uma medalha de ouro, começaram a surgir comentários deste tipo. E eles apareciam, via de regra, nos espaços políticos e não apenas nos esportivos, o que deixa ainda mais claro que essas ‘opiniões isentas’ não passavam de puro ‘lobby’ antissocialista, nada a ver com o esporte, nada a ver com os Jogos Pan Americanos propriamente, nada a ver com o espírito de integração entre os povos, que é, afinal, o objetivo do evento Pan Americano. Pan Americano que, aliás, o Grupo RBS, por ser afiliado à Globo, também ajuda a boicotar e, afora alguns pequenos boletins recheados com algumas dessas ‘pérolas’, pouco ou nada expõe ao público gaúcho.

Na verdade, uma eventual superioridade esportiva do Brasil sobre Cuba nem deveria ser usada como propaganda, isso deveria ser considerado quase como uma obrigação. O Brasil é o Estado mais rico e populoso da América Latina, infinitamente mais rico e muito mais populoso que a diminuta Cuba, superá-la, então, no número de medalhas deveria ser a consequência natural das coisas. Só não o é, no entanto, pelo louvável esforço e pela admirável capacidade de Cuba, de seu povo e de seus governantes.

Chego a sentir pena dessas pessoas pequenas capazes de comemorar o tal ‘fracasso’ cubano nos Jogos. Gente cega, incapaz de reconhecer que Cuba, por lutar há mais de cinco décadas contra um bloqueio econômico injusto e injustificável – condenado por todos e apenas mantido pela vontade assassina dos dois principais agentes do terrorismo mundial, EUA e Israel -, por não ter acesso a crédito no Banco Mundial ou no Banco Interamericano de Desenvolvimento, por não poder estabelecer relações comerciais com nenhuma empresa norte-americana, nem deveria, sejamos sinceros, figurar com destaque no ranking de medalhas de qualquer edição de Jogos Pan Americanos ou Olímpicos. Cuba, no entanto, é figura destacada dos Jogos. Seus atletas ganham medalhas em diversas modalidades esportivas, o que demonstra que a prática esportiva é incentivada na Ilha, que o esporte, em Cuba, é mais do que entretenimento, mais do que apenas um espetáculo midiático capaz de gerar ainda mais riqueza para quem já é tão rico, como parece ser a forma que Globo e RBS veem o esporte de uma forma geral. Em Cuba o esporte ainda é política de Estado. Mesmo após a queda do muro, mesmo que a guerra fria já tenha acabado e que a falecida União Soviética já não mais patrocine atletas cubanos como forma de promoção do comunismo.

O Pan Americano de Guadalajara ainda não se encerrou e não sei se Cuba se colocará à frente do Brasil ou não. Mas creio que todos já entenderam que considero Cuba como o grande vencedor desta e de muitas outras edições de Pan e de Olimpíadas. Por seu diminuto território, pelos ataques que sofre, enfim, por tudo, Cuba está muito além do que qualquer pequeno país capitalista neoliberal estaria, se enfrentasse as mesmas condições de bloqueio e perseguição política.

Bom seria, amigos, simpatizantes da Ilha ou  inimigos de Fidel, que nosso Brasil se espelhasse mais nos bons exemplos de Cuba no esporte, na saúde e na educação pública, e que nossos jornalistas se preocupassem mais com a informação e menos com o lobby capitalista.

Bom será quando o jornalismo brasileiro aprender a falar do Brasil, de Cuba, da Espanha, de Oman, do PT, do PSDB, de Hugo Chávez, de FHC, da Venezuela, da Arábia Saudita e da Colômbia com mais isenção.

Mais jornalismo e menos propaganda, mais consciência e menos lobby. Quem sabe com isso não formemos uma consciência social que produza melhores cidadãos, melhores atletas e, possivelmente,  conquistemos mais medalhas? Mais até do que a pequena e isolada Cuba. Quem sabe?


Nota: (extraída do Jornalismo B impresso)

Segundo a UNICEF, Cuba é vanguarda na América Latina nos cuidados com as crianças.

Com 43% da Câmara de Deputados e mais de 60% da força técnica profissional composta por mulheres, o Fórum Econômico Mundial declarou que Cuba é o país da América Latina que melhor defende a igualdade de gênero.

Cuba tem cumprido quase todos os objetivos do milênio, já erradicou a desnutrição infantil e o analfabetismo, e assegura para 2015 cumprir todos os objetivos… apesar do bloqueio.

Não consumir, eis o próximo desafio

 

consumoNormalmente ouvimos falar em chuvas acima ou abaixo da média. Acostumamo-nos com isso já há bastante tempo. Já sabemos que a chuva é medida em milímetros e que, ao longo do tempo, os meteorologistas acabaram calculando médias históricas para cada um dos meses do ano, nos vários biomas e microclimas do nosso Brasil continental.

Sabemos que, por exemplo, no mês ‘x’ costuma chover a média de ‘y’ milímetros na localidade ‘z’. Ora, o mês ‘x’ pode variar em quantidade de dias, pode ter de 28 a 31 dias. Sabemos também que não é normal que todos os dias de um mês sejam chuvosos, ao contrário, o normal é que os dias chuvosos sejam minoria. Então, já devíamos ter aprendido que a média normal de chuva de um determinado mês não corresponde à quantidade de chuva que o solo irá receber ao longo do mês, não podemos imaginar que em algum mês de trinta dias, cuja a média histórica seja de 210 mm, vá chover 7 mm/dia. Não, não funciona assim. Esses 210mm cairão sobre a terra, os vales e as pessoas em apenas alguns poucos dias do mês, talvez em um único dia. A chuva de um mês inteiro pode, lá no passado [que é de onde vem a tal ‘média histórica’], ter-se precipitado em algumas poucas horas. Mas a ‘média histórica’ não leva isso em consideração. Para a ‘média’ o que vale é quociente obtido a partir da divisão do total dos milímetros de chuva precipitada pelo total dos dias do mês.

E então? Como ficamos? Obras estruturais para conter 210 mm de chuva ao longo de um mês podem ser as mesmas necessárias para conter 200 mm em, por exemplo, apenas seis horas? E vejam que ainda concedi 10 mm de desconto.

A natureza é onipresente e onipotente. O homem, ainda que se julgue o mais poderoso e adaptável dos seres deste planeta, não é tão potente assim ante as descomunais e incontroláveis forças da natureza, que costuma livrar-se [para sempre] de todo aquele que se mostra incapaz de adaptar-se a seus “caprichos”. A natureza não gosta de morros nus em latitudes tropicais, ventos e águas logo tratam de aplainar montanhas despidas de sua vegetação protetora. Pedras instáveis em encostas íngremes logo sofrem a ação da gravidade.

Parece estar havendo um grave conflito entre o homem e a natureza a partir das últimas cinco ou seis décadas. Aliás, não parece, está mesmo, e é bem visível. O homem insiste em tentar moldar a natureza aos seus desejos e necessidades. A natureza, porém, não é capaz de adaptar-se ao ser humano – nem sei como alguém possa imaginar que algo assim fosse possível – e responde à altura, com violência.

Não creio que a solução para problemas do tipo dos ocorridos recentemente na região serrana do estado do Rio de Janeiro passe apenas por obras estruturais de combate às enchentes e enxurradas. Precisamos aceitar que necessitamos de um novo modelo de desenvolvimento, precisamos criar um novo modelo de civilização.

Aprender a não consumir, ensinar a não consumir, eis o próximo desafio.

Do contrário, independente do quão corretos estejam os cálculos realizados a respeito da ‘média’ de chuvas, ou do quão bem intencionadas e perfeitamente executadas serão as obras que ora nos prometem, mas que na verdade nem temos a plena certeza de que algum dia sairão do papel, as coisas não irão mudar de verdade, e tudo o que poderemos fazer será calcular, resignados, a ‘média’ anual das vítimas causadas por eventos climáticos cada vez mais severos, cada vez mais fatais, cada vez mais corriqueiros e, o pior de tudo, cada vez mais explorados por uma mídia desumana e desonesta que outra coisa não faz senão antecipar sempre a próxima eleição.