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De repente Renato

renato O Grêmio chegou, no sábado (24), à sua quarta vitória consecutiva, três delas fora da Arena. De repente todos começam a descobrir Renato como ‘grande treinador”.

Tenho que rir desses caras. Oportunistas que nada sabem e ainda recebem salário pelas opiniões que emitem. Tenho que rir desses caras, deles e de quem os paga. Deles, de quem os paga e de quem ainda acredita em suas baboseiras.

Renato, no começo de sua carreira como treinador, só era lembrado pelos clubes (cariocas, diga-se de passagem) no momento em que a água já lhes alcançava as sobrancelhas. Quando percebiam que estavam por se afogar, quase irremediavelmente rebaixados, lembravam do nome do Gaúcho. Renato sabia o remédio e várias vezes livrou os cariocas do rebaixamento. Renato era um salvador. A exceção foi o Vasco. Toda regra necessita de exceção, né mesmo.

Antes de chegar ao Grêmio em 2010 e fazer aquela campanha espetacular no returno do Campeonato Brasileiro, Renato já havia conquistado a Copa do Brasil e chegado à final da Libertadores como treinador do Fluminense. A LDU tirou o título do Flu, mas chegar à final eliminando clubes como São Paulo e Boca Jrs. não é tarefa para times que não tenham treinador.

Todas as coisas que lembro agora (e que são, para mim, provas definitivas de que Renato tem plenas condições de ser um treinador vitorioso), não são nenhuma novidade, todo mundo já sabia disso.

Então como é que só agora alguns ‘especialistas’ começam a ‘descobrir’ a qualidade do nosso treinador?

Depois ainda ficam por aí toda hora a chamar o torcedor de “passional” (leia-se irracional). Irracionais são eles e os que ainda os levam a sério.

Será que um cara que conseguiu estabelecer um recorde de pontuação em um turno do Brasileirão treinando um time que tinha ‘talentos’ como Gabriel, Paulão, Diego Clementino, Vilson, Júnior Viçosa e Gilson ainda pode ser questionado quanto à sua capacidade?

Ah, pelo amor de Deus, um cara que transforma Viçosa e André Lima em goleadores só pode ser um treinador. E mais: o que dizer de um cara que transforma Diego Clementino em arma secreta? Bom. esse só pode ser gênio.

O Grêmio tem um ótimo treinador, o melhor que poderia ter. Sei disso desde 2010 e não preciso de nenhum profissional ‘isento’ e oportunista pra me dizer isso.

Luxemburgo e “a crise no Grêmio”

 (Foto: Vitor Rodriguez/Grêmio FBPA)
(Foto: Vitor Rodriguez/Grêmio FBPA)

O Grêmio tá com cara de crise. Não dá pra negar, mesmo sendo muito gremista, que o clube demonstra fortes sintomas de crise.

Se a gente for pensar, as raízes destas coisas ruins que vêm acontecendo ultimamente já são bastante antigas. O Grêmio vem vivendo ‘em estado de crise’ desde os tempos do mal explicado ‘Caso ISL’. Essa associação mal-sucedida levou o Tricolor a um estado de semi-falência, jogou o clube (mais uma vez) na Série B e provocou uma divisão que julgo deva ser eterna entre os caciques do clube. Odone/Guerreiro de um lado, Fábio Koff de outro.

Não vejo nenhuma possibilidade de reaproximação entre estes grupos, e isso ficou ainda mais claro quando do dia da posse de Fábio Koff, ao final de 2012. O clima de inimizade era indisfarçável. Mais tarde, a maneira como Fábio Koff se referiu à Arena, uma realização do Grêmio, mas que Paulo Odone fez questão de personalizar, deixa clara a guerra de egos existente entre esses dois gremistas ilustres. Há uma disputa de beleza que, julgo eu, jamais chegará ao fim. As vaidades de Odone e Koff, a mim parece, tão grandes se tornaram que já não cabem mais em um mesmo clube. Ainda que o Grêmio mantivesse os dois estádios, Monumental e Arena, ainda assim não haveria espaço suficiente para abrigar dois egos tão agigantados.

A gente deveria estar falando sobre Eduardo Vargas, que amanhã desembarca no Salgado Filho, para assinar com o Imortal e ser fotografado pela primeira vez com a sagrada camisa tricolor. No entanto, a notícia relevante da Azenha (ou seria do Humaitá?) é a crise. Não dá, desta vez, para querermos responsabilizar a mídia, não dá para acusá-la de estar tentando criar a crise. Os fatos ocorrem, a mídia os repercute e assim expõe a crise. Crise que parece até já ter um responsável. Para muitos senhores ‘especialistas’ o responsável pelas más notícias vindas do Imortal é um só: Vanderlei Luxemburgo.

Mundstock e Selaimen

Cá estamos ainda em janeiro. A nova gestão não tem mais do que três semanas, no máximo. Dois dos principais nomes escolhidos pelo presidente Koff já foram incinerados.

Fábio Mundstock e “o segredo do cofre”

Fábio Mundstock foi a primeira demonstração de que a crise era real, e não uma conspiração da mídia imparcial para desestabilizar a nova direção e seu projeto de reconquistar a América.

Numa atitude amadora, inesperada, incompreensível e imperdoável, o dr. Mundstock, tomou a iniciativa de mandar email para um jornal gaúcho expondo a intimidade do clube. Fez acusações ao treinador e equivocadamente afirmou que Luxemburgo houvesse feito campanha em favor do ex-presidente Odone. Não me pareceu que o tivesse. Segundo o email de Mundstock, que mereceu resposta de Luxemburgo em seu blog, o grande ‘nome do cofre’ seria o do zagueiro uruguaio Lugano, que só não teria sido contratado porque ‘o treinador não aprovou’. É possível que Luxemburgo tenha mesmo vetado a contratação, eu sei lá, o que sei é que já faz alguns anos que o Grêmio, assim como outros grandes clubes brasileiros, vem ameaçando contratar Lugano mas ninguém o contrata de fato. Lugano não veio em 2013 da mesma forma que não tinha vindo em tantas outras temporadas anteriores, quando Vanderlei ainda não estava aqui. Mundstock fez aquilo que não devia e acabou demitido pelo presidente que o convidara a participar da gestão do clube. De quem é a responsabilidade, de Luxemburgo?

Omar Selaimen e a “experiência decepcionante”

Omar Selaimen não precisou ser demitido, ele mesmo tomou a iniciativa de se demitir. A versão que dá a respeito de sua decisão de demitir-se, portanto a versão oficial, é de que foi movido inteiramente por razões particulares. Não houve, segundo o próprio Selaimen, nenhum atrito com qualquer pessoa do clube, da direção ou da comissão técnica. Não houve, afirma ele, divergências ou incompatibilidade com o treinador. Omar Selaimen diz que foi surpreendido pelo que viu à sua frente, que as coisas não eram como imaginava que fossem e que se deparou diante de situações com as quais não saberia lidar. Decidiu sair. Por amor ao clube, Omar Selaimen abriu mão do cargo que ocupava há tão pouco tempo. De quem é a responsabilidade, de Luxemburgo?

Gremista, eu fico aqui assistindo a todas essas coisas e tentando entender por quê elas ocorrem. Como podem ter durado tão pouco tempo essas duas escolhas do experiente e competentíssimo Koff? Já tinha escrito que estranhava as escolhas. Se é mesmo verdade que Koff quis ‘homenagear’ Omar Selaimen e Fábio Mundstock com estes cargos como forma de reconhecimento aos relevantes serviços prestados durante sua campanha à presidência do Tricolor no biênio 13/14, então fica fácil identificar o responsável por essa crise de autoridade agora instalada no clube. E esse cara não é o Luxa.

Vilson e Gabriel

Por atos de indisciplina, durante e após treinamento no Equador, Vilson acabou afastado do time que enfrentará a LDU na estreia gremista na pré-Libertadores 2013. Há muitas versões que tentam acusar o treinador de falta de tato e abuso de autoridade. Se Vilson deu demonstrações de instabilidade emocional durante um simples jogo treino, o que esperar na hora que fosse uma partida oficial valendo a continuidade na Libertadores? Se Vilson se recusou a retomar um trabalho que ainda não havia se encerrado – em síntese, se ele se recusou a trabalhar -, então não  deve haver condescendência. Vilson deu piti e foi acertadamente afastado.

Não vou aqui discutir as qualidades de Vanderlei Luxemburgo como treinador. Ele se tornou reconhecido no mundo inteiro, cada um que faça seu próprio juízo a respeito do trabalho do Vanderlei. O que não dá para discutir é a autoridade de um treinador, essa tem que ser acatada e ponto final. Exemplos do mal que a falta de autoridade de um treinador pode fazer em um grupo temos visto aos montes na beira do rio dos últimos tempos.

Gabriel está deixando o Grêmio. Finalmente. Gabriel, na relação custo-benefício, só se justificou durante 2010. Encostado lá na Azenha há dois anos, Gabriel tornou-se um peso morto, um desperdício de dinheiro bastante ironizado por alguns ‘especialistas isentos’.  Possivelmente o lateral de valor discutível permaneça em Porto Alegre. Provavelmente, se for contratado pelo clube da beira do rio, até mesmo faça um bom campeonato gaúcho. E paramos por aí. Embora já haja quem queira debitar a saída deste atleta também na conta de Vanderlei Luxemburgo, não devemos esquecer que ele só foi titular durante a permanência de Renato no Grêmio. E entre a saída de Renato e a chegada de Luxemburgo muitos outros treinadores tiveram a chance de escalar Gabriel no time titular, nenhum o fez. Gabriel não joga nada há dois anos por culpa única e exclusiva dele mesmo. Nada a ver com Luxemburgo.

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Outras opiniões

Torpedos para a imprensa e as falsas crises

A crise no Grêmio é eterna

Chega de MIMIMI

Quando os dispensados viram solução…

Foto: Gazetapress
Foto: Gazetapress

Quem não tiver memória muito curta será capaz de lembrar da euforia que tomou conta de grande parte da torcida gremista logo no início deste ano, encantada com as contratações providenciadas por Pelaipe, iludida pelas promessas de Paulo Odone, como Giuliano, por exemplo, além de alguns nomes de grandes zagueiros, até o nome de Lugano foi especulado.

No twitter, postei que essa euforia toda apenas me fazia lembrar do início de algumas temporadas recentes. Que não estava vendo, na prática, nenhuma diferença entre o Grêmio que se preparava para 2012 e o Grêmio que se preparou para outros anos anteriores, pois, na prática, já que que não acho que Marcelo Moreno seja um matador de verdade (um grande goleador), o único grande reforço do Grêmio para 2012 foi mesmo Kleber. Pouca gente concordou comigo. Perdi alguns seguidores. Paciência!

Passados três meses, perdido já um turno do Gauchão e com o Tricolor demonstrando terríveis dificuldades para vencer adversários de quase nenhuma expressão, acho que o número de gremistas capaz de concordar comigo já deve ter aumentado bastante.

Não estou secando o nosso Grêmio. Sou gremista, ora. Eu não seco o Tricolor, eu apenas, enquanto torço por ele, o observo. Observar o Grêmio nestes últimos anos, outra coisa não tem sido senão observar defeitos. À exceção da segunda metade de 2010, quando o Imortal, treinado por Renato Portaluppi, passou a praticar o melhor futebol entre todos os times brasileiros, o resto destes últimos anos tem sido algo difícil de elogiar. Então, – o que vou fazer? – dê-lhe corneta.

Sempre sonhando que o Grêmio vai se acertar, que as coisas vão começar a correr bem e que tudo vai dar certo, anseio por boas notícias. Mas cadê que elas vem?

A grande dupla de ataque capaz de provocar toda aquela euforia de início de ano tombou. Kleber só volta depois do inverno. Marcelo Moreno deve parar por pouco tempo, apenas vinte dias é o que dizem, mas é lesão muscular, e lesão muscular a gente sabe como é, né?

Isso só já seria notícia ruim o suficiente, capaz de estragar a Páscoa de qualquer gremista bem menos ‘doente’ que eu (ou que nós, né?). Mas isso, porém, não é tudo, tem mais coisas a queimar meus poucos neurônios sobreviventes.

Leandro é uma decepção completa, não vai jogar, não tão logo. Facundo Bertoglio, um cara em quem eu tenho muita esperança (apesar de ser extremamente frágil), está demorando um pouco mais do que eu pensava que demoraria para se adonar da titularidade.

Já pensaram que droga isso? Será que vamos ficar nas mãos de Miralles e André Lima?

Ambos  foram dispensados  no início do  ano, um  por falta de qualidade, o  outro por falta de dedicação. Na verdade acho que a ambos faltam as duas coisas.

Que droga! Vamos ter que rezar, gente. Vamos ter que contar com o improvável… exatamente como nas temporadas passadas.

Sei lá, ainda bem que a gente é imortal, ainda bem que a gente nunca deixa de acreditar.

E vamos ter que acreditar mesmo muito, pois quando os dispensados passam a ser a solução…