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Brigadiano pode protestar, gremista não

“Bem-vindo a Porto Alegre, a capital onde os policiais militares ganham o pior salário do Brasil. A Brigada vai parar!”, era o que se podia ler  nas faixas e nos cartazes apresentados pelos trabalhadores da Brigada Militar quando em campanha por melhores salários. Tinha de tudo, tinha pneu, tinha fogo, tinham explosivos, tinha boneco fardado de brigadiano e com corda no pescoço, tinham até faixas e cartazes.

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Por Alves Rodrigues

Não faz muito tempo que o pessoal da Brigada Militar do Rio Grande do Sul esteve em campanha por merecido reajuste salarial. Brigadianos são, no fim das contas, trabalhadores como quaisquer outros brasileiros e sua categoria, como qualquer outra, tem o direito de mobilizar-se por melhores salários e condições dignas de trabalho. Esta mobilização pode se dar, inclusive, na forma de protestos, que foi exatamente o que aconteceu na ocasião da campanha salarial dos briosos brigadianos gaúchos.

Embora historicamente intolerantes e pouco compreensivos com os protestos dos trabalhadores de outras categorias, os brigadianos gaúchos foram bastante radicais na forma que escolheram para protestar em favor de sua própria categoria. Protegidos pela escuridão da noite, atearam fogo a barricadas erguidas com pneus nas ruas da Grande Porto Alegre e do Interior do estado. Num protesto anônimo, que não expunha propostas e nem pretendia diálogo, pois não havia alguém com quem dialogar, chegaram mesmo a levar material explosivo para as proximidades do Palácio Piratini, numa clara ameaça à pessoa do governador Tarso Genro.

Por mais que se esforçasse, o comado da corporação não conseguiu conter os manifestantes, não conseguiu identificar os autores dos protestos incendiários e eles não foram interrompidos até que um acordo fosse conseguido entre o governo estadual e a categoria. Mais tarde alguns militares de baixa patente foram acusados pelos atos e, provavelmente, devem estar respondendo a inquérito. Como a coisa vai terminar, se alguém vai ser responsabilizado ou punido, é coisa que ainda não sei dizer. E, falando sério, pouco me importa, pois achava, e ainda acho, bastante justas as reinvindicações destes trabalhadores. Não condeno seus protestos nem sua forma de protestar, que, ao fim e ao cabo, não resultaram em nenhum grande dano nem a civis, nem a autoridades.

“Bem-vindo a Porto Alegre, a capital onde os policiais militares ganham o pior salário do Brasil. A Brigada vai parar!”, era o que se podia ler  nas faixas e nos cartazes apresentados pelos trabalhadores da Brigada Militar quando em campanha por melhores salários. Tinha de tudo, tinha pneu, tinha fogo, tinham explosivos, tinha boneco fardado de brigadiano e com corda no pescoço, tinham até faixas e cartazes.

Minha dúvida é: se até alguns dias atrás tudo isso podia acontecer livremente no estado, se as faixas e os cartazes não estavam proibidos, então por que agora estão? Por que os gremistas não podem fazer um protesto pacífico e justificado contra um atleta sem coração e sem caráter que tem um longo histórico de prejuízos ao clube?

Com que autoridade a Brigada Militar se arvora no direito de proibir a torcida livre e trabalhadora do Grêmio de dizer a Ronaldinho o quanto o despreza? Brigadiano existe para promover o cumprimento da lei. A Brigada não tem o direito de legislar, de impor proibições, especialmente quando essas atentam tão autoritariamente contra o direito de expressão daqueles que, por tanto desejo de demonstrarem seu amor ao Grêmio, apenas querem expressar seu desprezo pela figura patética do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho, hoje no Flamengo.

A Brigada não tem o direito de probir aquilo que a Constituição Federal assegura: o livre direito de manifestação.

A ficha do jogo: Flamengo 2×0 Grêmio–30/jul/2011

 

Flamengo 2×0 Grêmio

Flamengo: Felipe; Léo Moura, Welinton, Ronaldo Angelim e Junior Cesar; Willians, Airton (Fierro), Renato e Thiago Neves (Jael); Ronaldinho Gaúcho e Deivid (Bottinelli). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Grêmio: Victor; Mário Fernandes, Saimon, Rafael Marques e Lúcio; Gilberto Silva, Adilson (Mithyuê), Fábio Rochemback e Escudero (Marquinhos); Leandro (Lins) e André Lima. Técnico: Julinho Camargo.

Gols: Thiago Neves, aos 28 minutos do primeiro tempo, e Ronaldinho Gaúcho, aos 28 minutos do segundo.

Cartões amarelos:  Welinton, Willians (Fla); Saimon, Fábio Rochemback (Gre).

Local: Estádio do Engenhão – Data: Sábado, 30 de julho de 2011, às 18:30 hs.

Público: 28.793 (24.467 pagantes) – Renda: R$ 780.450.00

Árbitro: Sálvio Espínola (FIFA/SP) – Auxiliares: Marcelo Carvalho Van Gasse (SP) e Vicente Romano Neto (SP).

Flamengo 2×0 Grêmio, mas Odone vê "evolução tática"

 

Há bastante tempo já, e até um pouco após a partida contra o Flamengo, sentia uma profunda raiva de nosso presidente Paulo Odone. As horas, porém, foram passando e o sentimento acabou se transformando. Já não sinto mais raiva, começo a sentir pena do velho. Juro.

Paulo Odone, em sua entrevista pós-jogo, só fez confirmar a impressão de que está entrando na fase da senilidade. Suas declarações não tinham o menor o sentido. Em sua incompreensível necessidade de alfinetar o antigo treinador a cada vez que se aproxima de um microfone, Paulo Odone disse que viu “evolução tática” na equipe que enfrentou o Flamengo. Só ele viu. E viu apenas porque seus olhos estão cegos pela inveja que sentia – e que ainda sente – de Renato Portaluppi. Sua voz chorosa e cansada, como se fosse a de uma pessoa com mais de noventa anos, suas ideias tão distanciadas do que foi a realidade do jogo, seu ressentimento incontrolável com o treinador que já se foi, sua falta de capacidade para reassumir o controle do grupo visivelmente rebelado contra seu comando, as visíveis demonstrações de que está perdido e já não sabe o que fazer, enfim, tudo isso faz de Paulo Odone uma pessoa digna de pena.

Tudo bem, Paulo Odone jamais foi o maior de todos os presidentes da história gloriosa do Grêmio, longe disso, nomes como os de Fábio Koff e Hélio Dourado ainda estão milhões de anos-luz à sua frente, no entanto, Odone nunca foi, nem ninguém jamais acreditaria que viesse a se tornar, essa desastrosa incompetência ambulante que parece ter se tornado de repente, assim de uma hora para outra, sem mais nem menos. O que houve? De onde vem tanta capacidade de errar? De onde saiu esse desconhecido talento para o equívoco? Como é possível que uma pessoa possa, subitamente, começar a passar sucessivos e quase diários atestados de burrice e incompetência? De onde vem essa insuspeita aptidão para o erro?

Será que Paulo Odone se deixou abater assim tão inexoravelmente apenas porque perdeu Ronaldinho para o Flamengo de Patrícia Amorim?

Será que o deputado reconhecidamente elitista e reacionário, que sempre fez uso do mandato em defesa dos interesses da elite abastada do estado, que sempre lutou pelas privatizações, que sempre deixou transparecer (ao menos aqueles que não se deixam enganar) que não está interessado em políticas públicas que favoreçam os mais fracos, que acredita que lugar de pobre é na pobreza e que quem tem que comandar são eles, os privilegiados detentores do capital, não consegue superar o trauma de ter sido derrotado por uma mulher? Será que nosso querido presidente, além de tudo isso, é também um sexista?

Coincidência ou não, o presidente Paulo Odone só mergulhou nesse abismo existencial e passou a ser essa figura humana irreconhecível, patética, caquética e digna de dó após o fracassado episódio da contratação de Ronaldinho, “a maior de todos os tempos no futebol brasileiro”, segundo palavras de sua própria diretoria. Ledo engano. A história acabou se constituindo, isso sim, no maior mico de todos os tempos. Contratação anunciada por mais de uma vez, discurso no vestiário para conscientizar os atletas de que Ronaldinho “estava chegando” para ajudar, caixas-de-som no gramado, torcida convocada, tudo pronto para a chegada daquele que nunca veio. Odone perdeu Ronaldinho para o Flamengo, que não tem um presidente, mas sim uma presidenta. Odone foi derrotado por uma mulher. Isso já é demais para um velho caudilho reacionário da velha direita gaudéria. Odone sucumbiu, entrou em uma crise da qual não saiu até hoje. Afundou-se nela e está afundando consigo o nosso Grêmio. Será que ele não vê o que está fazendo? Ninguém vai dizer para ele que o fracasso absoluto em que tem se constituído cada uma de suas escolhas ao longo deste ano ainda vão acabar nos levando de volta à Série B?

Eu não lembro se Flávio Obino cometia tantos erros e tão rapidamente como Odone vem cometendo em 2011, não lembro mesmo. Eu acho que nunca vi tantas asneiras em sequência. E olhem que ainda não estou considerando o anúncio da contratação de Wellington Paulista. Vou esperar a segunda-feira.

Odone precisa se resolver, se reencontrar com sua racionalidade, parar de se preocupar em tentar deslustrar o brilho de velhos e eternos ídolos que já nem estão mais no clube, assimilar o fato de que foi superado por uma mulher, procurar um geriatra, um psiquiatra, sei lá. Ou então se declarar impossibilitado e, para o bem do Tricolor, antes que seja tarde demais, deixar vago o cargo de presidente.