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Grêmio se rende à Globo

 

Todos os jogos do Grêmio, desde que se iniciou a fase de grupos da Libertadores, têm ocorrido em dias e horários que não permitem o televisionamento por TV aberta. Claro que isso não vem ocorrendo por coincidência ou má sorte. As coisas são assim porque assim atendem os interesses da Rede Globo.

Grêmio acerta com a Rede GloboNós, gremistas, somos cerca de cinco milhões apenas, pouco mais, pouco menos. A marca Grêmio, reconheçamos, tem apelo estritamente regional. Essa marca está restrita ao Rio Grande de Sul e a algumas pequenas localidades de colonização gaúcha espalhadas pelo oeste brasileiro. O Flamengo, detentor da maior torcida do mundo, e o Corinthians, detentor da quarta maior, constituem a maior parte dos torcedores brasileiros, os consumidores do produto que o Clube dos 13 tentava negociar com as televisões. Quando estes dois clubes anunciaram que não iriam mais reconhecer o Clube dos 13 como legítimo representante na negociação com as emissoras de tv, então era hora de parar. O Clube dos 13 sem os dois maiores clubes do Brasil passava a ser uma coisa sem sentido. Talvez fosse melhor se o doutor Fábio Koff tivesse achado um jeito de cancelar ou postergar a concorrência entre as emissoras. Quando a Rede Globo anunciou que não participaria da concorrência não havia como seguir com ela. Dr. Koff, no entanto, não tomou nenhuma providência, manteve a data, e seguiu como se nada estivesse acontecendo. Parecia, ao menos para mim, que o único interesse do ex-presidente gremista era acabar com o nefasto monopólio global. É um propósito nobre, reconheço, mas um negociador não pode ser movido por motivações pessoais, e era essa a impressão que eu tinha, de que o doutor Koff tinha motivos pessoais para não querer mais a Globo.

Embora eu reconheça que a ideia de negociações individuais deva ser extremamente prejudicial ao Tricolor, não posso deixar de reconhecer o direito de Corinthians e Flamengo tentarem ganhar mais, ganhar aquilo que acham justo devido a brutal diferença no número de torcedores que conquistaram ao longo das décadas.  É claro que a grande exposição que esses clubes conseguiram na mídia, o Flamengo mais no passado, o Corinthians mais recentemente, muito contribuiu para que essa diferença aumentasse cada vez mais. Não acho que isso vá mudar. Pior ainda, isso só vai se agravar mais e mais. No entanto, eles têm o direito de querer fazer valer a força de suas marcas. Direitos são para ser reconhecidos e respeitados, eu acho.

O Grêmio cedeu seus direitos à Globo, ao que sei foi o primeiro clube a fechar contrato. Via Twitter e Facebook só vejo gremistas criticando o acordo acertado pela administração Paulo Odone. Não sei se estão certos ou não, na verdade desconfio de que talvez não tenham pleno conhecimento do assunto sobre o qual opinam. Perdoem-me, mas é o que penso. Meu desamor por essa emissora, já o expressei várias vezes. Aqui neste post, caso queiram conferir, deixo isto muito claro. Eu por muitos motivos, entre eles o futebol, gostaria de ver a Globo perdendo seu reinado para alguma concorrente. Não entendo, porém, que o Grêmio fosse merecer melhor tratamento do que o que recebe da Globo. Sei lá quantos interesses podem estar abrigados à sombra de uma negociação deste tipo. Não são poucos, com toda a certeza. Não me cabe, ainda assim, criticar ou elogiar uma coisa da qual não tenho suficiente conhecimento. Eu confio no presidente Paulo Odone. Mesmo que o ano de 2011 tenha sido, até agora, marcado por uma série de trapalhadas, confio no presidente Paulo Odone. No deputado não, neste eu jamais desperdiçaria um voto, mas o gremista Paulo Odone, e eu tenho inteira certeza disto, jamais faria um negócio que fosse prejudicial ao Imortal da Azenha.

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2010, o ano da Fúria. (Será? Tomara!)

Foto: Reuters

Pra não variar adivinhei tudo errado de novo. Todo aquele meu papo furado de que os campeões das Copas do Mundo são sempre os mesmos, agora é que furou de vez. Brasil, Argentina e Alemanha ficaram de fora, Gana, minha aposta de zebra – na verdade era mais um desejo do que um palpite –, não conseguiu passar nem pelo Uruguay, também ficou no caminho.

Holanda e Espanha farão a final de domingo que vem. Nenhum dos dois já foi campeão antes, então minha teoria de que as Copas nunca nos trazem novidades acaba de ser derrubada.

Os times pelos quais torci foram caindo um a um ao longo da Copa. Para que não me comparem a Mike Jaeger preciso dizer que estava torcendo para a Espanha na semifinal de hoje à tarde, portanto nem sempre o time pelo qual torci saiu derrotado. Na grande final de domingo estarei ainda torcendo pela Fúria.

Futebol por futebol, a Fúria me parece que demonstrou mesmo o melhor entre todos os participantes da Copa da África, então, se ganhar, o título será merecido. Embora o excesso de toques na bola, a grande capacidade de desperdiçar gols e uma certa aversão por chutar a gol, especialmente por parte de Xavi e Iniesta, ainda acredito que desta vez a Fúria vai se livrar da fama de time do quase, de time que muitas vezes chega como favorito, mas que sempre acaba sendo mero coadjuvante. De time que a cada Copa joga como nunca, mas perde como sempre.

Já tinha escrito, no dia em que Dunga anunciou sua lista de convocados, que eu entrava na Copa do Mundo com trinta e uma chances de sair campeão. Não me deixei seduzir e não passei para seu lado apenas causa de sua birrinha com a Rede Globo. Isso não me comoveu, para mim foi apenas mais uma demonstração de sua faceta de ditador, só isso. Isso significa que o que mais me importava já aconteceu. A teimosia, a arrogância e a falta de conhecimento do treinador brasileiro já foram punidos. Qualquer um que ganhar está bom para mim, mas ainda assim eu prefiro que seja a Espanha.

Era ‘coerência’ demais, não podia dar certo

 

 

A vitória da Holanda e a consequente eliminação do Brasil na Copa da África deixou, por certo, milhões de brasileiros desapontados. Não creio, porém, que alguém tenha ficado surpreso. Embora Dunga, por conta de seus problemas com a rede Globo tenha, subitamente, conquistado uma imensa legião de fãs de última hora, a verdade é que ninguém tinha o direito de esperar muito da Seleção Brasileira nesta Copa, não depois das escolhas que Dunga fez.

Não lembro de ter ouvido muitos elogios ao treinador brasileiro, e, honestamente, não acho que ele merecesse mesmo. O máximo de referência elogiosa que alguém conseguia fazer à convocação feita por Dunga é de que ele "havia sido coerente".

Sei lá, não penso assim. Acho que Dunga acabou sendo mesmo foi teimoso. Quando Dunga justificou a não-convocação de Ganso e Neymar alegando "falta de experiência" pelo fato de eles jamais terem sido convocados anteriormente, Dunga foi no mínimo injusto, afinal, quem nunca havia antes convocado os dois atletas santistas fora o próprio Dunga. Não acho ‘coerente’ não convocar alguém sob a alegação de que esse alguém jamais foi convocado. O nome disso é burrice.

O que Dunga fez com Victor, goleiro do Grêmio, foi ainda pior. Depois de tê-lo convocado por seguidas vezes e jamais ter-lhe dado a chance de jogar sequer alguns minutos, Dunga cortou o goleiro gremista, deixou-o fora do grupo que disputou a Copa, e justificou-se dizendo que o cortara porque ele jamais havia jogado um jogo sequer pela Seleção. Ora, como poderia ele, Victor, ter jogado, se foi o próprio Dunga quem o impediu de fazê-lo? Como poderia Victor atuar com a camisa da Seleção Brasileira se o treinador jamais permitiu que ele entrasse em campo? Será que Dunga esperava que Victor, em alguma partida, invadisse o gramado, expulsasse Júlio César do gol e assumisse seu lugar? Será que era isso?

O Brasil, embora a falha gritante de Júlio César no primeiro gol da Holanda, não foi eliminado pela ausência de Victor. Não, não foi. Mas talvez o tenha sido pela ausência de opções como Neymar,  Ganso e/ou Ronaldinho Gaúcho.

Quem sabe Hernanes pudesse ter jogado contra a Holanda?

Não se pode lamentar o fato de que Felipe Melo tenha sido expulso. Desde 2009 tenho ouvido vários críticos esportivos ‘adivinharem’ que isso iria acontecer. Mas Dunga, que certa vez havia gostado de uma atuação de Felipe Melo em jogo amistoso contra a Itália, insistiu em convocá-lo, em fazer dele seu titular. Felipe Melo, que foi expulso contra a Holanda, já havia escapado de sorte igual em duas oportunidades, contra Costa do Marfim e Portugal. Uma hora isso haveria de acontecer. Aconteceu nas quartas-de-final. Uma pena. Ainda mais porque o Brasil havia jogado um belíssimo primeiro tempo. Creio que não exageraria se dissesse que o Brasil, até iniciar a segunda etapa, estava realizando sua melhor atuação na África do Sul. Uma pena.

Porém, um castigo merecido para quem já começou errando desde a convocação. Nomes como Grafite, Josué e Júlio Batista nada têm a ver com Seleção. São apenas jogadores de clubes. Nada têm de especial. Tanto isso é verdade que só estiveram na África para assistirem a Copa. Úteis mesmo talvez só para comporem o time reserva durante os treinamentos secretos do time de Dunga, o ‘coerente’. Júlio Batista até esteve em campo contra a Seleção Portuguesa, mas jogou tão pouco que a possibilidade de fazer dele uma alternativa durante o segundo tempo do jogo contra os holandeses nem deve ter passado pela cabeça de Dunga, o teimoso.

Não acho que o Brasil tenha sido eliminado da Copa neste jogo contra a Holanda. Na verdade o próprio Brasil começou a eliminar-se quando deram a Dunga autonomia suficiente para por em prática sua desastrosa ‘coerência, sua ineficiente ‘convicção’ e sua irritante teimosia.

O Brasil que saiu da Copa do Mundo 2010, não saiu de cabeça erguida como o de 1982, que mostrou talento, que encantou o mundo, que perdeu no detalhe, que manteve intacta a tradição brasileira de ser ‘o país do futebol’. Não, não saiu assim. O Brasil que saiu da Copa do Mundo 2010, saiu merecidamente derrotado, superado amplamente pela Holanda. O Brasil saiu da Copa sem fazer nenhuma grande exibição, sem mostrar futebol, sem demonstrar superioridade sobre nenhum dos adversários que enfrentou, exceto o Chile. Nem mesmo à valente Coréia do Norte o Brasil conseguiu ser realmente superior. Ganhou da Costa do Marfim muito em razão do gol cheio de erros de arbitragem que Luís Fabiano marcou logo no início da segunda etapa e ‘matou’ qualquer possibilidade de reação africana.

O Brasil saiu da Copa sem jogar, sem brilhar e sem ter do que reclamar. Saiu sem merecer ficar. No futuro nenhum jogador será lembrado por essa Copa, só Fábio Melo.

Quanto a Dunga, capitão do tetra, que já foi responsabilizado pelo fracasso brasileiro em 1990, na Itália, agora terá de assumir a culpa por mais esse fracasso. E desta vez eu acho que os críticos têm razão. O Dunga é mesmo o culpado de tudo.