Arquivo da tag: Silas

Grêmio 3×1 Atlético-PR – Do Z ao G com “carinho e confiança”

 

Foto: Lucas Uebel/Portal Oficial do Grêmio

Até quase o final do primeiro turno a torcida gremista não tinha muito com o que sonhar e se contentaria simplesmente se o Imortal conseguisse uma vaga à Série A de 2011. Desanimado e desestruturado o time de Silas, que havia vencido o Gauchão e feito bela campanha na Copa do Brasil, estava afundando no Campeonato Brasileiro, e com ele afundava também o moral dos torcedores. O presidente Duda Kroeff, que não merece estar onde está, e seu fiel escudeiro Luis Onofre Meira inventaram de enfiar o Grêmio em um torneiozinho mixuruca promovido pela RBS lá em Santa Catarina e acabaram por comprar briga com o grupo de jogadores. Silas, que eu cansei de elogiar, ficou do lado da direção e o resultado foi que o time, depois de ser eliminado da Copa do Brasil, nunca mais conseguiu jogar bem. Algo precisava ser feito. Cabeças precisavam ser cortadas. A cabeça presidencial tem estabilidade conferida pelo mandato, então os cordeiros do sacrifício deveriam vir de outro lugar. Normalmente o treinador é o único sacrificado em ocasiões como esta, porém, no caso do Tricolor, cujo assessor de futebol, Meira, era por demais incompetente para a função, o sacrifício foi duplo. Meira e Silas foram demitidos, em seus lugares vieram Alberto Guerra, e isso foi muito bom, e Renato Portaluppi, isso foi perfeito.

O caminho para sair do  Z4 e chegar até o G4, impossível de ser percorrido por Silas e Meira, foi, com Renato e Guerra, feito com raça, amizade e pegada. Nas palavras de Renato: “Com carinho e confiança”. O Grêmio voltou a vencer fora de casa, o Grêmio voltou a reverter resultados aparentemente impossíveis, o Grêmio voltou a brigar por coisas grandes, enfim, o Grêmio de Portaluppi mudou, o Grêmio voltou a ser Imortal.

Foto: Portal Oficial do Grêmio

Eu sei que pode parecer pura babação querer jogar quase todo o mérito para Renato, mas pensem bem: o Grêmio começou o jogo de ontem com uma escalação que tinha Edilson, Paulão, Neutom, Fábio Santos, Rochemback, André Lima e Jr. Viçosa. Quem apostaria que um time pudesse ser vencedor com esse material humano? Só mesmo se tivesse um grande treinador, um cara genial, respaldado ainda por um preparador físico de altíssima qualidade, um goleiro que simplesmente não leva gols e mais dois canhotos, Douglas e Lúcio, que ontem foram simplesmente diabólicos.

O Imortal passou por cima da má arbitragem, venceu o tal de Furacão (na verdade pouco mais que um ‘ventinho’), tomou-lhe o quarto lugar e, ao menos até que o Botafogo vença a barbada que terá logo mais no Engenhão, está apto a ser, caso tudo dê certo, o sexto brasileiro na Libertadores 2011. Na verdade nem dá para saber se o quarto colocado irá mesmo para a Libertadores, mas isso já não nos importa, agora que o Imortal voltou a ser grande e vencedor, agora que o Portaluppi garantiu que continuará por aqui em 2011, agora que Paulo Odone foi eleito e que o Grêmio terá de novo um presidente de verdade, chegar à Libertadores passou a ser apenas uma questão de tempo.

E, não duvidem meus amigos, com a estrela de Renato brilhando assim tão intensamente, qualquer vacilo de Cruzeiro, Fluminense ou Corinthians pode acabar significando mais uma posiçãozinha na tabela…

O Grêmio no G3. Por que não?

O Grêmio de Portaluppi não tem nada de novo

Foto: Alexandre Alliatti / Globoesporte.com

Valente e vencedor o Grêmio sempre foi, mas como acontece com qualquer grande clube, alguns momentos não são dos mais felizes para seus torcedores. Nós, gremistas, passamos, nestes anos recentes, por momentos extremamente contraditórios. Tivemos picos de alegria e tristeza em simples piscar de olhos. O sofrimento do final de 2004, o misto de desespero, heroísmo, alegria e um imenso alívio vivido na Batalha dos Aflitos. A campanha surpreendente na Libertadores de 2007. O fracasso de Roth no Campeonato Brasileiro de 2008. A euforia do gol de Maxi López no gre-nal do centenário. Enfim, foram muitos altos e baixos. Altos muito altos e baixos muitíssimo baixos.

O ano de 2010 também vinha sendo mais ou menos assim. O Grêmio, enquanto foi treinado por Silas, alternou bons e maus momentos. Não tinha regularidade. Fez alguns grandes jogos, mas no final sucumbiu à falta de identidade. O ridículo torneiozinho caçaníqueis promovido pela RBS e ‘engolido’ pela atual direção do clube, a tal Copa da Hora, foi a gota d’água. A casa caiu,  Silas caiu, o assessor Meira caiu e, apenas um pouco mais tarde, o próprio Duda Kroeff caiu.

No entanto, o Grêmio atual não se parece em nada com o Grêmio de Silas. Na mão de Renato Portaluppi o Imortal readquiriu sua valentia, sua pegada, sua notória capacidade de vencer e, quando as coisas não estão dando muito certo, entra em cena sua imortal capacidade de lutar, de lutar sempre, até o último lance. O Grêmio de Portaluppi não tem nada de novo, bem pelo contrário, esse é o nosso velho Grêmio.

E é só por isso, e nenhuma outra razão, que acho que vamos vencer o jogo de amanhã.

Contra eles, contra Simon, contra quem quer que seja. Somos o Grêmio. Vamos vencer. Vamos pra cima deles, vamos apertá-los, amassá-los e depois descartá-los como… como…

Como bolinhas de papel.

ninguemnacional 0x0 Grêmio – Campeonato Brasileiro 2010

A décima oitava posição não é uma colocação merecida para um clube das grandeza e tradição do Imortal Tricolor, porém não podemos considerar surpresa que um clube dirigido por uma dupla despreparada e pouco capaz como a formada pelos doutores Duda e Meira esteja nesta colocação. É merecido. A verdade é que o doutor Meira  está virando piada, o rádio esportivo gaúcho está se enchendo de ‘humoristas’ que o imitam em suas tristes entrevistas e ele, e por extensão o Grêmio, estão virando piada.

O Tricolor apenas conseguiu quatro pontos nas últimas cinco rodadas, faz uma campanha capaz de levá-lo mais uma vez à série B e nosso querido Meira fica achando que a culpa é da imprensa, ironizando a torcida que comemorou o título do Gauchão e afirmando que “o Grêmio deveria ter vencido” tanto o Gre-nal quanto o jogo passado, contra o Cruzeiro. Pode até ser, mas é aí que está o problema. A exata razão de o Tricolor ter sido rebaixado em 2004 foi porque “deveria ter vencido” um monte de jogos que não venceu. É verdade que a arbitragem foi muito ruim, que não marcou dois pênaltis claros, que foi muito mais rigorosa nos cartões com o Grêmio, mas a maior de todas as verdades, a que fica e que importa, é que o Imortal não venceu, não somou pontos e permanece entre os últimos do campeonato.

Não dá pra desconsiderar também o fato já sabido e aceito de que o atual presidente Duda Kroeff é da mesma linhagem e “perfil” do ex-presidente Flávio Obino, e até agora não demonstrou um pingo a mais de capacidade do que Obino demonstrou em 2004, então não temos o direito de duvidar de que um trabalho tão incrivelmente parecido acabe nos trazendo um resultado exatamente igual. Esse negócio de ser imortal é muito bom e até muito bonito, mas o Tricolor não tem o direito de querer ficar brincando de Imortal, caindo toda hora. Uma hora a torcida pode cansar e as reações são imprevisíveis.

Eu sei que ainda parece cedo para começar a falar em rebaixamento, mas essa é uma preocupação que tenho desde meados de 2008, quando Duda Kroeff foi eleito. E, além do mais, é melhor pecar por excesso do que por omissão, ainda mais quando se torce por um clube que é presidido, dirigido e aconselhado por um grande número de omissos.

Quanto ao Gre-nal propriamente, até concordo que o Grêmio tenha jogado melhor e merecido a vitória. Mas que diferença faz? O Grêmio não venceu. Silas escalou os jogadores que tinha e fez as alterações que podia. Todas as alterações foram para deixar o time mais defensivo, um absurdo para quem necessitava urgentemente de vitória. Mas como fazer diferente? Afora Jonas e Borges, que outras opções tem o treinador para tornar o ataque eficiente? Só uma discordância: continuo achando que Maylson é muito ruim e que não merece ser titular do time de Silas, mas penso que sua saída, para a entrada de Edilson, foi um grande erro, Ferdinando é quem deveria ter sido substituído. Afinal, o que pretendia o treinador quando, ao fim do jogo, tinha em campo um time com três volantes, três meias e apenas um atacante? Será que ele pretendia fazer um gol e vencer?

Só se fosse por sorte.