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Luxemburgo usa a lógica e provoca a zebra no Engenhão

(Foto: Lucas Uebel/Site Oficial do Grêmio)
(Foto: Lucas Uebel/Site Oficial do Grêmio)

O Grêmio jogou muito contra o Fluminense. Muito mesmo. Pra falar a verdade, o Grêmio jogou demais para um time que recém se formou, ou melhor, que ainda está em formação.

Querer que o Grêmio vencesse, todos os gremistas queriam, porém, acho que poucos chegavam a acreditar que ele pudesse. Imaginar que o Imortal fosse fazer uma apresentação daquele nível e golear o campeão brasileiro em sua própria casa, isso eu creio que ninguém imaginava possível. Confesso que estava considerando o Grêmio como zebra na partida de ontem. Deu zebra. Que bom!

O time de ontem era quase o mesmo da estreia contra o Huachipato. Além de Dida, Werley e Fernando foram as alterações. Dida foi uma alteração desnecessária – e eu até diria injusta. Marcelo Grohe segue, a meu juízo, sendo o melhor goleiro do grupo gremista. Além do que, não gostei muito da atuação do experiente Dida no Engenhão. A entrada de Werley no lugar de Saimon não tinha como não ser positiva, poucos zagueiros no mundo são tão ruins quanto Saimon foi até agora. Então que a entrada de Werley foi altamente positiva ao time contribuindo, inclusive, para um melhor rendimento de Cris, que só tinha ido bem na partida contra a LDU lá no Equador, curiosamente ao lado de Saimon.

(Foto: Lucas Uebel/Site Oficial do Grêmio)
(Foto: Lucas Uebel/Site Oficial do Grêmio)

Fernando

No entanto, a substituição mais desejada, a mais necessária e mais urgente para garantir a sobrevivência do Tricolor na Libertadores, era a entrada de Fernando no lugar de Adriano.

Não quero afirmar que Adriano não foi uma boa contratação, até acredito que tenha sido. Não acho que Adriano deva permanecer para sempre na reserva de Fernando, até imagino que, com o tempo, ele vá acabar ganhando a condição de titular. Mas isso apenas virá com o tempo. E foi exatamente isso que a vitória de ontem nos deu, nos deu tempo.

Por ter goleado o Flu e assumido a liderança do Grupo 8, não significa que todos os problemas foram solucionados e que agora é só ficar esperando o dia de disputar a final e fazer a festa de campeão da América. Assim como ter perdido para o Huachipato, na Arena, não era, também, o sinal definitivo de que tudo estava acabado. Ainda há muito por fazer, muito com o que sonhar.

O que restou provado ontem – para mim ao menos – foi que a pressa e a teimosia foram nossos principais inimigos no jogo de estreia. Muito mais do que o próprio adversário, o Huachipato, que até foi organizado, o que prejudicou o Grêmio foi a pressa de Luxemburgo em escalar logo todos os seus contratados. Aliando essa pressa à teimosia em deixar Fernando no banco. A entrada de Fernando no jogo contra o Flu foi tão positiva, deixou tão clara a diferença entre o Grêmio com ele e o Grêmio sem ele, que Vanderlei Luxemburgo disse que a partir de agora não fala mais sobre o garoto. Luxemburgo afirmou, na coletiva, que não discute mais esse assunto. O que concluir disso? Que para ele, Luxemburgo, Fernando passa a ser, a partir de agora, indiscutível? Que bom que fosse isso.

Barcos e o ‘espírito vencedor’

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(Foto: Lucas Uebel/Site Oficial do Grêmio)

Logo na estreia do Imortal no Gauchão, contra o Esportivo, declarei-me encantado pela atuação de Lucas Coelho e ressaltei que não me lembrava de alguma vez ter visto o surgimento de um centroavante tão promissor na base do Tricolor.

Então tá, parece que 2013 será o Ano Gremista da Centroavância de Qualidade. Fazia muito tempo que eu não via um centroavante gremista jogar  tanto quanto Barcos jogou ontem. Barcos jogou demais, acabou com o jogo, ganhou o jogo pra nós.

Barcos fez gol (tá na súmula, né), fez assistências pra os outros dois gols, armou jogadas importantes e prestou auxilio à defesa. (Esqueci alguma coisa?).

Barcos fez a dele e a do Zé Roberto, fez a dele e a do Vargas, fez de tudo, fez demais, matou o Fluminense. Barcos foi apenas perfeito.

Da mesma forma que Vargas – que ontem não esteve lá muito bem – que chegou da Itália em um dia e no outro já estava no Equador enfrentando a LDU e sendo o melhor jogador do Grêmio naquela partida, Barcos esqueceu-se de toda a vida lá fora ontem e foi ao Engenhão como se vencer aquele jogo fosse a coisa mais importante a fazer na vida. Hernan Barcos não ficou abatido pelos graves problemas pessoais que passa – assim como Fernando não parece estar -, não pediu para ser afastado, queria jogar queria vencer.

O que estou querendo dizer é que Barcos, Vargas e Fernando demonstram ter aquilo que desconfio que talvez falte a Zé Roberto: espírito vencedor. É bom que seja assim, pois como sabemos, o espírito vencedor, tanto quanto o derrotista, costuma ser contagioso. Com a qualidade que tem o grupo do Tricolor, se for contaminado por esse espírto… bah, daí a gente pode ir bem longe. Bem longe mesmo.

-> o jogo e as coletivas de Abel e Luxemburgo

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UMA VITÓRIA LIBERTADORA

Que estrago fez o Huachipato

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A decisão de escalar o time titular na partida de logo mais contra o Veranópolis nada tem a ver com o Campeonato Gaúcho. O foco segue na Libertadores. Enquanto o time da Serra vem à Capital disputar uma partida de três pontos, o Imortal aproveita para realizar mais um treinamento para a partida (quase) decisiva contra o Fluminense, quarta-feira, no Rio.

E é bem assim que estamos. Em apenas 90 minutos passamos da euforia à depressão.

Que estrago fez o Huachipato!

Dez em cada dez ‘especialistas’, antes do jogo contra os chilenos, apontava o Grêmio como vencedor, não como favorito, mas como vencedor mesmo. Antes de iniciar o jogo da última quinta-feira o vencedor era o Grêmio. Ao menos noventa e sete de cada cem torcedores achava a mesma coisa. A euforia gremista se justificava. O time, no papel, apresentava poucos defeitos. Saimon e Pará, antes da partida, eram, talvez, as únicas coisas a lamentar. Porém, o que ninguém esperava era que o papel apresentasse tamanho furo. A saída de Fernando abriu um furo no centro do papel, que logo foi rasgado pelo adversário. Em poucos minutos o Huachipato tornou-se senhor do jogo, dono da bola e comandante do ritmo da partida. Sem se importar com o gramado venceu ao Grêmio e atirou nosso papel (rasgado) em um canto.

Antes a euforia, agora apenas dúvidas e incertezas. Agora todos desconfiam de todos e tudo que estava programado sofreu alteração.

Agora que era a hora de jogar com os reservas, meu Deus. Agora que era a hora de poupar as forças e concentrar o pensamento na Libertadores.

No entanto, como dizer que a decisão de escalar titulares contra o Veranópolis está errada? Como afirmar isso agora, agora que tudo o que temos são dúvidas e desconfianças?

Elano não consegue jogar um jogo inteiro, parece fraco e cansado. Será que Elano aguenta? Zé Roberto tem quase quarenta anos e, apesar de todos elogiarem sua ótima condição física para alguém de quase quarenta anos, o que fica é que o Tricolor tem como principal peça de seu meio-campo um homem de quase quarenta anos. Não duvido que o Zé brilhe hoje, contra o Veranópolis é fácil. Quero ver na hora que a coisa apertar.

Para ser campeão de alguma coisa não é suficiente um bom time de papel, mesmo que esse time se ajuste e passe a atuar bem, ainda assim pode não ser suficiente. Para ser um vencedor não basta ser bom. Para ser um vencedor é preciso ter um espírito vencedor,  Desde o ano passado, na hora em que a coisa aperta, na hora em que é preciso ter garra, vontade e espírito vencedor a gente falha. Desde o ano passado, nessa hora o treinador se atrapalha, a defesa falha, o Zé se some e o ataque se omite. Novas peças chegaram, novos atacantes, novos defensores, mas ainda temos o mesmo velho Zé.

Um bom trabalho de base

 

Quase sempre (ou seria mesmo sempre?), quando a mídia lembra de falar algo sobre as equipes de base do Grêmio é para dizer que “lá não tem ninguém aproveitável”. Será que estou fazendo drama, que sofro de mania de perseguição? Ou será que é isso mesmo, que é assim que eles têm se referido à base do Tricolor nos últimos tempos?

Saimon (Foto: Site Oficial do Grêmio)Nos últimos anos, sempre que ouço referência a alguma futura promessa que esteja por surgir no futebol gauchesco, normalmente ela se refere a algum menino lá da beira do rio. Foi assim com os gêmeos Diego e Diogo. Alguém ainda lembra deles? Pois é, foram pintados como valiosíssimos craques muito tempo antes de entrarem em campo e provarem que não eram nada disso. Foi assim também com um tal de Tales, que nunca jogou. Assim foi com Marquinhos, Taisson e tantos outros. Parece que lá na beira do rio nasce um craque a cada meia hora. O próprio Renan, esse mesmo que comete umas quinze falhas e toma um frango por partida, já foi pintado, quando júnior, como “o futuro melhor goleiro do mundo”. Não sei em que mundo, só no deles mesmo.

Enquanto isso, lá pelas bandas da Azenha, quando surge algum guri no time, quase sempre é uma grande surpresa. Ninguém sabia que ele existia, ninguém o tinha notado, ninguém tinha achado que era bom. Foi assim que surgiu Andershow, hoje no Manchester United, de surpresa, sem ser notado. Foi assim, também, com Lucas, Carlos Eduardo, Mário Fernandes e, mais recentemente, com Leandro. Estavam lá na base, estavam mostrando seu talento, a mídia, porém, não os havia notado, ninguém achava que fossem bons. Sei lá, deve ser paranoia minha, pura mania de perseguição.

A zaga do Grêmio na vitória de ontem, contra o Bahia, incluindo o goleiro, era composta por quatro jogadores da base. Marcelo Grohe, Mário Fernandes, Saimon e Neuton. Só Rafael Marques era ‘estrangeiro’. Fernando, que começou a partida, e Leandro, que entrou na segunda etapa, totalizaram seis ‘pratas da casa’ utilizados por Renato na vitória de ontem.

Sei não, mas acho que tem gente trabalhando lá na Azenha. Ainda que a mídia (que deveria ver isso) não veja, a verdade é que o trabalho existe. Um bom trabalho, que não começou nesta direção, que não é a política de uma gestão, mas que é uma política de clube. Uma saudável política. A Coordenação Geral das Categorias de Base está de parabéns. Eu acho.